Sobre a Estratégia Nacional de Defesa (END)
Luís Mauro Ferreira Gomes
Tenho evitado, a todo custo, fazer comentários que possam, de alguma forma, representar qualquer reparo à ação dos Comandantes Militares.
Considero, como não me canso de afirmar, que eles são, tanto quanto todos nós outros brasileiros, particularmente os militares, vítimas desse governo incompetente, sectário, maniqueísta, corrupto e arbitrário.
Não me parece justo, cobrarmos de companheiros investidos de autoridade, o que nós mesmos, possivelmente, também não pudéssemos fazer em condições semelhantes.
Pelo contrário, venho exortando os leitores dos meus artigos a prestigiarem e apoiarem os Comandantes e os nossos colegas da ativa, como forma de fortalecê-los e protegê-los dos abusos e das violências, disfarçadas ou não, que sofrem dos revanchistas governamentais.
Obviamente, isso não quer dizer que tenhamos de concordar com tudo o que se faz nos níveis de comando das Forças Armadas. Considero, contudo, que devemos, sempre que possível, manifestar as nossas divergências, respeitosamente, e, de preferência, em caráter reservado. Isso é importante para preservá-los e ajudá-los a melhor comandar.
Com relação à notícia que circula na Internet de que o Comandante da Marinha teria "defendido a Estratégia Nacional de Defesa das críticas feitas por Generais em um documento apresentado anteontem, na reunião do Alto-Comando do Exército", vou permitir-me fugir à regra.
Se o faço, é por não acreditar na veracidade do que se afirma.
Não é crível que o Comandante de uma Força deixasse de lado o que lhe compete para comentar documento apresentado por Oficiais-Generais ao Alto-Comando de outra.
Parece, igualmente, inacreditável que um chefe militar em pleno domínio da razão pudesse defender um trabalho primitivo, demagógico, cheio de erros conceituais e doutrinários, contaminado por ideologias espúrias, além de irrealista, quanto à possibilidade de se conseguirem os recursos indispensáveis à implementação.
Não se poderia esperar muito mais do que isso, considerando-se que foi feito por dois analfabetos em Defesa, os ministros Nelson Jobim e Mangabeira Unger, cuja grande preocupação parece ter sido a hipertrofia do ministério da defesa, com inaceitável avanço sobre as competências constitucionais do presidente da República e das Forças Armadas.
Não pretendo, aqui, analisar a Estratégia Nacional de Defesa.
Tenho certeza de que isso já foi muito bem feito pelos Generais do Alto-Comando do Exército.
Assim, limitar-me-ei ao seguinte comentário: quem a leu, com atenção, logo percebeu que as únicas coisas aproveitáveis, em meio ao monte de bobagens que ela contém, não constituem novidade para os militares, pois já eram praticadas durante a Revolução de 31 de Março e foram abandonadas, justamente, pelos governos ditos civis que se sucederam. Esta parte é para "inglês ver" ou, melhor, para enganar militar, e dificilmente terá curso.
Dito isso, volto a insistir em que devemos apoiar, fortemente, os nossos companheiros contra as investidas dos inimigos. Inimigos, sim, pois não merece outro tratamento quem nos quer destruir, e o fará, se continuarmos a nos hostilizar mutuamente.
Devemos, também, repelir, com grande intensidade, tudo o que nos divida.
Finalmente, por mais conveniente que possa parecer a composição com o universo antagônico, devemos resistir a essa tentação com todas as nossas forças. Ser disciplinado não significa ser subserviente, e, menos ainda, conivente.
Os que traem os seus não merecem respeito nem daqueles a quem favorecem. A História mostra que cometem suicídio, a médio prazo, pois serão, impiedosamente, eliminados, assim que não mais sejam úteis. E estarão sozinhos, então.
O autor é Coronel-Aviador reformado.
Fonte: Ternuma

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