Impasse
Audiência de conciliação fracassa e TRT mantém liminar que suspende demissões na Embraer
Fracassou mais uma vez a tentativa de acordo entre os trabalhadores e a Embraer, que se recusa a rever a decisão de demitir 4.200 funcionários . Em nova audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de Campinas, na manhã desta sexta-feira, a empresa recusou as duas propostas apresentadas pelo desembargador Luiz Carlos Sotero.
Por uma delas, em vez de demitir, Sotero sugeriu que a empresa suspendesse os contratos de trabalho dos demitidos por um período de 12 meses para qualificação profissional, conforme prevê a CLT. Em outra, o magistrado propôs que, para manter as demissões, a empresa pagasse um mês de aviso prévio por ano trabalhado pelo empregado, até um limite de 15 anos. Além da manutenção por 12 meses do plano de assistência de saúde.
Depois de se reunirem para discutir as propostas, representantes da Embraer e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos não chegaram a um entendimento. A Embraer recusou-se a rever as demissões e concordou somente em aumentar a indenização adicional, de R$ 1.600, que já havia oferecido. Diante do impasse, o desembargador manteve a liminar que suspende os efeitos das demissões anunciadas em 19 de fevereiro até o próximo dia 18, quando julgará o recurso apresentado pela Embraer.
As demissões foram suspensas no dia 27 de fevereiro pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas , que tentou promover um acordo entre empresa e funcionários. Uma reunião entre as duas partes foi realizada na segunda-feira, mas a tentativa de acordo fracassou .
No dia 11, a Embraer disse que o impasse estaria prejudicando os funcionários. Segundo a empresa, os funcionários não podem sacar o FGTS e o seguro-desemprego, já que as demissões não foram homologadas. Além disso, a empresa não pagará o salário de março, já que a liminar não a obriga a fazê-lo.
Uma caravana de trabalhadores demitidos da Embraer acompanhou a audiência. Na última reunião informal entre a empresa e as entidades sindicais, a Embraer reafirmou que não readmitirá os trabalhadores demitidos e apresentou proposta de indenização de R$ 1.600 para cada um. Os sindicatos pediram a readmissão imediata, o corte da bonificação dos executivos da empresa, a redução da jornada para 36 horas sem redução de salários e a abertura de um Programa de Demissões Voluntárias (PDV).

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