Claro que deixo a critério de cada um dos leitores decidir sobre o que fazer.]
Muitos homens com câncer de próstata não deveriam ser avisados da doença, dizem alguns pesquisadores.
O teste sanguíneo para detecção de câncer de próstata (PSA) descobre o câncer de próstata em homens - entre 23% e 42% - nos quais o desenvolvimento da doença seria tão lento que nem valeria a pena a revelação, por causa do trauma psicológico que acompanha a diagnose de câncer e o tratamento da doença.
O estudo foi feito entre 1985 e 2000, com homens americanos, por uma equipe de pesquisadores holandeses, para os quais alta percentagem dos diagnosticados certamente morreriam de outras causas por causa da lentidão que seu câncer de próstata se desenvolve.
O estudo está na edição deste mês do Journal of the National Cancer Institute, em cujo editorial, o médico americano Michael Barry escreve que esta estimativa dos pesquisadores está provavelmente baixa. “O risco de se obter um diagnóstico de câncer da próstata através de teste é muito maior do que de câncer cervical, cólon-rectal ou de seio”.
O Dr. William Catalona, um dos maiores especialistas na matéria, reconhece o perigo do excesso de diagnóstico de câncer da próstata, mas que os benefícios do teste ultrapassam em muito os riscos de não fazê-lo.
Junto ao câncer de pele, o câncer de próstata é a forma mais comum da doença nos Estados Unidos, atingindo um em cada seis homens americanos, e matou 28.600 no ano passado.
O Dr. Catalona acha que a queda de 37,5% das mortes por este câncer nos últimos anos se deve ao teste PSA, o que é reconhecido mesmo por aqueles que não dão muita importância ao teste.
Outro que discorda é o Dr. Robert Reiter, da Universidade da Califórnia: “Não há tanto excesso de diagnose quanto essas pessoas pensam”.
O National Cancer Institute informa que mesmo que um indivíduo tenha alto nível de PSA, poderá não ter câncer, e outros tipos de testes devem ser feitos para verificar. O NCI não apoia testes de rotina de PSA.
Um estudo recente publicado no Journal of General Internal Medicine indica que a média de mortes por câncer de próstata em regiões em que o teste PSA é feito rotineiramente é igual a de regiões onde ele não é feito.
O Dr. Donald Berry, do M.D. Anderson Cancer Center de Houston, diz que é fortemente contrário ao teste. “Eu pagaria para não saber o resultado do meu PSA”, ele diz. “O teste encontra desproporcionalmente não-cânceres”.
Mas ele admite que é difícil de identificar os homens para os quais o diagnóstico é excessivo, e que mais pesquisas precisam ser feitas para separar os dois casos.
O Dr. Mark Soloway, da Miller School of Medicine de Miami, diz que alguns médicos e hospitais, por dinheiro, fazem o tratamento em pacientes com baixo risco e idade avançada que não justifica o tratamento.
Fonte: Leia Junto
[comentário do Blog: como tudo na medicina, nada é conclusivo. Fazer ou não fazer o PSA? ]

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