A Justiça da Áustria condenou, nesta quinta-feira, à prisão perpétua o chamado "monstro de Amstetten" pelo homicídio de um dos sete filhos que teve com sua filha Elisabeth, que foi estuprada repetidas vezes por ele durante os 24 anos em que foi mantida presa num porão. Josef Fritzl havia negado o assassinato por omissão de socorro, que era a acusação mais grave entre as seis que enfrentava. Seu advogado de defesa, Rudolf Mayer, confirmou que ele mudou de ideia na quarta-feira, quando Elisabeth esteve no tribunal durante o julgamento. Ele então se declarou culpado pela morte do filho e a prática de escravidão , que também havia rejeitado inicialmente. O austríaco já havia assumido os crimes de estupro, incesto, coação e sequestro , pelos quais também foi considerado culpado. Ele se disse arrependido, mas não conseguiu atenuação da pena, que será cumprida em um hospital psiquiátrico.
- Eu não posso mais fazer nada sobre (o que aconteceu). Eu lamento isso do fundo do meu coração - disse ele em suas últimas declarações no tribunal.
O advogado de Fritzl havia pedido que o júri levasse em conta a "confissão dos sentimentos de culpa" do réu, assim como sua idade e o relatório psiquiátrico que aponta grave alteração de personalidade do acusado.
A promotora Christiane Burkheiser pediu, no entanto, que o júri não se deixasse "enganar" pela confissão de Fritzl. A advogada que representa a filha do austríaco, Eva Plaz, disse que as declarações do acusado não deveriam ser entendidas como sinal de remorso.
- O que vocês ouviram ontem não foi uma confissão. Por que só ontem ele mudou de ideia? - questionou Eva, sugerindo que o objetivo do réu era conseguir uma pena mais branda.
A Promotoria havia pedido a prisão perpétua de Fritzl por considerar que não há dúvidas da culpa do réu em todas as acusações (assassinato, estupro, escravidão, coação, incesto e privação de liberdade). Também ficou comprovado, segundo a promotora, que o acusado submeteu sua filha a uma estado de dependência total e que a tratou como uma propriedade, o que constitui escravidão.
Fonte: O Globo

0 comentários:
Postar um comentário