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quarta-feira, 25 de março de 2009

O tráfico vai sempre aonde existir viciado.

É quem consome quem paga isso. Na Zona Sul se paga pela droga. E se paga bem por ela

José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro

O dia seguinte

Polícia faz operação na Rocinha para reprimir tráfico de drogas

Pelo menos três homens foram presos, um bandido morreu e outras duas pessoas ficaram feridas numa operação realizada por cerca de 250 policiais civis de várias delegacias especializadas e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Favela da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio, nesta quarta-feira. Todos os acessos ao morro estão interditados. O comércio está fechado e as escolas não abriram. Segundo a Secretaria municipal de Educação, as esclas não estão fechadas por causa da operação policial, mas porque acontece um Conselho de Classe. Apenas uma creche estava funcionando mas, de acordo com a secretaria, os pais preferiram deixar seus filhos em casa.

A ação tem como objetivo reprimir o tráfico e prender Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe da venda de drogas na Rocinha. O bandido estaria envolvido numa tentativa de invasão de traficantes na noite de sábado na Ladeira dos Tabajaras , em Copacabana, o que acabou gerando violentos confrontos na região e provocou a ocupação da comunidade pela polícia por tempo indeterminado .

operação na Rocinha começou no início da manhã desta quarta-feira, antes das 6h. Uma tolenada de maconha foi apreendida, além de dois fuzis de de guerra de alta precisão. Os policiais estouraram um local de refino de cocaína e um outro, de armazenamento e embalagem de droga. O laboratório descoberto na comunidade teria capacidade para refinar semanalmente até 200 quilos de cocaína. O cálculo estaria baseado na quantidade de produtos químicos encontrados na casa, na Rua 2. Um helicóptero da polícia precisou ser usado para recolher o material encontrado no laboratório.

Na chegada dos policiais à comunidade foram ouvidos fogos e disparos de tiros. Três pessoas foram baleadas e levadas para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. Segundo informações da polícia, uma vítima morreu na unidade. De acordo com o delegado do Departamento de Polícia da Capital, Ronaldo Oliveira, o morto foi ferido num confronto na mata com policiais do Core.

Em entrevista à Rádio CBN na manhã desta quarta-feira, o delegado Ronaldo Oliveira classificou a cocaína, misturada a vários produtos químicos como ácido clorídrico e fermento, por exemplo, como "porcaria de material" e disse que a polícia vai continuar a operação na Rocinha para desarticular a quadrilha.

- Viremos à Rocinha quantas vezes forem necessárias para desarticular esses criminosos que desafiam a polícia e assustam a sociedade e, ainda por cima, vendem essa porcaria de material, esse veneno, aos consumidores da droga - ressaltou o delegado. [comentário: discordo do delegado no tocante a criticar os traficantes por venderer 'porcaria de material'. Tanto o tráfico quanto o consumo devem ser reprimidos com o máximo rigor, mas o traficante que vender 'material ruim' para o maconheiro, o viciado, deve ser considerado merecedor de atenuante, já que o 'material ruim' diminui o tempo de vida do usuário e assim haverá uma redução extra, tipo um bônus, no número de maconheiros.]

Maconha e cartões clonados também foram apreendidos pelos policiais. Oléo queimado foi jogado por bandidos no asfalto para prejudicar a circulação de veículos pela comunidade.

- É importante continuar trabalhando para desarticular a quadrilha. Não me interessa o traficante A, B ou C.O nosso papel aqui (na Rocinha) é social e policial - declarou o delegado à CBN.

Na Ladeira dos Tabajaras, pelo menos 120 policiais continuam fazendo a ocupação da comunidade. Eles ainda procuram traficantes que estariam escondidos no entorno do local. O secretário de Segurança do estado, José Mariano Beltrame, classificou de bem-sucedido o desfecho da operação com a prisão de 19 presos e a morte de cinco criminosos em três dias de confrontos a tiroteios nas ruas de Copacabana. Até a noite de terça-feira, foram apreendidos 22 armas e 15 explosivos (13 granadas e duas bombas artesanais).

Em entrevista coletiva na terça-feira, Beltrame voltou a criticar o usuário de drogas por fazer parte da cadeia que alimenta o tráfico de drogas. Segundo o secretário, é justamente por isso que os bandidos da Rocinha querem aumentar seus negócios, invadindo favelas do bando rival. Beltrame admitiu, no entanto, que os serviços de inteligência da secretaria e das polícias Civil e Militar não conseguiram confirmar a informação sobre a invasão, embora moradores já comentassem o assunto um dia antes.

Fonte:Cristiane de Cassia, Taís Mendes e Luisa Valle - O Globo, Camilo Coelho - Extra, Bom Dia Rio e CBN

[comentário: a ação poli8cial foi excelente, deve ser intensificado a frequência das operações e também o número de áreas a serem invadidas simultaneamente. Após um pente fino na favela invadida é necessária uma ocupação de alguns dias de forma a desarticular a estrutura do tráfico naquela região.

O usuário deve também ser preso e punido de forma rigorosa - o presidente Lula promulgou uma lei que estimulou o usuário de drogas já que praticamente eliminou a pena - já que quem sustenta o tráfico é o usuário, o maconheiro, o viciado.

Sem consumo não há grana e sem grana o tráfico perde a força.]

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