Por: IVES GANDRA DA SILVA MARTINS FILHO
Ministro do Tribunal Superior do Trabalho - TST
Transcrito do Blog Catolicismo
(PE), estuprada pelo padrasto, têm faltado pedras para atirar no referido prelado e na Igreja Católica.
ao aborto praticado, o que mais choca é a distorção de fatos, de modo a se justificar a
morte dos gêmeos, aproveitando-se também o episódio para se condenar a Igreja Católica
por sua intransigência.
Interessante notar que os mesmos que defendem ferrenhamente a separação da Igreja
e do Estado, em nome do laicismo, não admitindo que a Igreja se manifeste em defesa da
vida por ocasião da discussão judicial sobre o aborto, são aqueles que, no presente episódio,
vêm prescrever o que a Igreja deve dizer ou pensar sobre seus dogmas e doutrina,
lembrando muito a incoerência voltariana do Tratado da Tolerância: devemos tolerar todos, menos “a infame” (a Igreja Católica).
Eis os fatos, segundo os testemunhos do Conselho Tutelar de Alagoinha e do pároco da
cidade:
vontade inicialmente manifestada pelo pai e pela mãe da menina pela preservação da vida dos netos, a pressão de uma assistente social, com a transferência da menina para outro hospital, o aborto foi realizado, com a maior rapidez, para evitar discussões, sempre sob o argumento, altamente discutível, de que a gestação levaria fatalmente à morte da mãe e das crianças.
Eis o direito aplicável à hipótese:
Ou seja, o que dom Fernando Cardoso Sobrinho fez foi apenas esclarecer que, pelo ato
que praticaram, os que provocaram o aborto da menina de Alagoinha deixaram de participar
da comunhão da Igreja Católica. Podem voltar a ela? Claro, desde que arrependidos do gravíssimo pecado que cometeram e devidamente perdoados pelo sacramento da confissão.
É questão de coerência. Ninguém é obrigado a pertencer à Igreja. Mas se o faz, deve estar
de acordo com sua doutrina, defendida em sua integralidade pela Igreja Católica por
mais de dois milênios. Diante de tantas contemporizações, sempre se buscando atenuar
as exigências do Evangelho, não é demais lembrar, como dizia um santo de nosso tempo,
que não é a doutrina de Cristo que deve se adaptar às épocas históricas, mas os tempos é que se devem abrir à luz do Evangelho.
Diante de tão triste episódio, só podemos nos solidarizar com a dor imensa da menina
estuprada e obrigada a abortar, lamentar o sacrifício de duas vidas humanas, e nos colocar ao lado de dom José Cardoso Sobrinho, para, junto com ele, receber as pedras
que ainda continuarão a ser atiradas nele e na Igreja Católica pela intransigente defesa
da vida humana.
Fonte: Blog Catolicismo

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