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quarta-feira, 11 de março de 2009

Tempo fechado no Banco Central

Choque e pressão
Queda brutal do PIB no último trimestre de 2008 aumenta a tensão no BC para reduzir taxa básica de juros. Tombo de 3,6% surpreende equipe econômica

O tempo está fechado no Banco Central. O Comitê de Política Monetária tem a responsabilidade de anunciar hoje a taxa básica de juros diante do cenário perturbador da economia brasileira. O tombo de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008 mostra como a crise global atingiu fortemente a produção, o consumo e os investimentos. A redução dos juros é apontada como medida fundamental de recuperação econômica. Há um consenso no mercado de que o BC deve baixar a Selic em até 1,5 ponto percentual. Mesmo com o corte substancial, as previsões dos analistas são sombrias. “Infelizmente, 2009 será um ano perdido e não está claro que 2010 será de recuperação”, afirma o consultor Sérgio Vale. Para muitos, a recessão é iminente. “Vamos dar o nome certo às coisas: o momento atual é gravíssimo”, alerta Júlio Sérgio de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Brasil viveu dois anos em um
O tombo da economia interrompeu o mais longo ciclo de crescimento das últimas três décadas. Os números foram negativos no trimestre, mas positivos no ano

A “marolinha” que o presidente Lula garantia ter atingido o Brasil, em meio à mais grave crise mundial desde 1930, se mostrou, na verdade, um tsunami. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil interrompeu, no último trimestre de 2008, o mais longo ciclo de crescimento econômico dos últimos 30 anos. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país, desabou 3,6% ante o terceiro trimestre, a maior queda desde início da série histórica do IBGE, há 13 anos.

No ano, porém, o PIB teve incremento de 5,1%, o segundo melhor resultado entre 10 países listados pelo instituto — perdeu apenas para a China, com 9,1%. A demanda doméstica, na qual o governo está apostando todas as fichas para sustentar o crescimento de 2009, cravou alta anual de 7,4%, depois de ter encostado nos 9% em setembro. “O que vimos a partir de outubro foi um país em forte desaceleração”, disse Amanda Rodrigues Tavares, economista do IBGE.

O desastre econômico do quarto trimestre de 2008 foi puxado pela indústria, com queda de 7,4%, e pelos investimentos, com retração de 9,8%. Mas também o consumo das famílias, com queda de 2% (o primeiro, desde o segundo trimestre de 2003), pesou para o que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou como um “impacto violento”. Dos indicadores que compõe o PIB, somente os gastos do governo apontaram crescimento: 0,5%, funcionando como uma espécie de amortecedor, o que o economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, classificou como questionável. Para ele, as despesas deveriam estar concentradas em investimentos e não no pagamentos de servidores e de benefícios a aposentados e pensionistas. A agricultura cedeu 0,5% e o setor de serviços, 0,4%.

“De tudo o que vimos nos número divulgados pelo IBGE, o pior foi o do investimento”, assinalou a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. Pelas suas contas, sozinha, a chamada formação bruta de capital fixo (FBCF) respondeu pela queda de 1,9 ponto percentual do PIB entre outubro e dezembro. “Foi um reflexo imediato da forte contração do crédito e do pessimismo que tomou conta do empresariado”, destacou. Ela acredita que ainda no primeiro trimestre de 2009 os investimentos terão queda. No ano, porém, é possível um saldo positivo caso o governo consiga destravar o crédito e o Banco Central mantenha firme o processo de redução da taxa básica de juros (Selic). A despeito do tombo nos últimos três meses, a FBCF fechou o ano com expansão de 13,8% — o melhor resultado desde 1996 —, fazendo com que a taxa de investimentos atingisse a marca recorde de 19% do PIB.

Fim do mundo
Segundo Amanda Tavares, do IBGE, o crédito também interferiu para o bem e para o mal no consumo das famílias. No quarto trimestre, a escassez de financiamento e o brutal aumento dos juros levaram muitos consumidores a uma atitude preventiva, suspendendo as compras. No acumulado do ano, porém, o consumo das famílias cresceu 5,4%, puxado pelo avanço de 30,3% nas operações de crédito e pelo aumento de 7,9% da massa salarial. “Certamente, o crédito continuará presente na vida dos consumidores, mas muita gente manterá o pé no freio temendo o desemprego”, acrescentou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

Já o consumo do setor público, com incremento de 5,6% no ano, tende a se manter forte. “Mas o governo deve manter a cautela necessária. Não pode achar que o mundo acabou e que pode sair gastando descontroladamente”, assinalou Leal. Ele acredita, inclusive, que, com o intuito de estimular a economia, o superávit primário (poupança para o pagamento de juros da dívida) será reduzido dos atuais 3,8% para até 2,5% do PIB.

“Mas há limites para os gastos. Por isso, a importância da redução da taxa básica de juros (Selic) como estímulo adicional”, complementou. “E que todos se preparem: a cara da economia brasileira não é mais a que se via até setembro, com crescimento acima de 6% e crédito correndo solto. Agora, a cara é de uma economia com avanço próximo de zero e crédito caro e restrito.”

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o resultado do PIB no quarto trimestre de 2008 mostrou que a economia brasileira não está imune à crise num mercado globalizado. Mas, a seu ver, os bons fundamentos do país ajudarão na retomada e farão com que o Brasil tenha condições de sair mais rápido do atoleiro no qual o mundo se meteu desde o estouro da bolha imobiliária americana.

O BC aposta que a maior parte do ajuste dos estoques que se acumularam na indústria e no comércio no fim do ano passado já ocorreu e a produção voltará a recuperar o fôlego a partir do segundo trimestre do ano. Esse melhora, no entanto, dependerá — e muito — do cenário internacional, destacou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, o setor pode fazer a diferença neste ano, se o pacote habitacional prometido pelo governo realmente sair do papel.


Fonte: Correio Braziliense

[comentário do Blog: - imparcial e baseado nos fatos; o (des)governo está dando enfase ao crescimento do PIB no ano de 2008 - 5,1%, que nos coloca em segundo lugar;
mas, omite o fato de que os 5.1% foram obtidos pelo grandes crescimentos nos três primeiros trimestres 2008 e a queda brutal foi no último trimestre, que não está sendo compensada até agora, e, infelizmente, ao que tudo indica mostra uma tendencia de queda ou na melhor das hipóteses de desaceleração.
Portanto, em que pese os comentários otimistas do "Nosso guia", muito mais preocupado com eleger a min. Dilma do que com o bem estar dos brasileiros, a coisa continua mais para TSUNAMI.]

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