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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Aeroporto Internacional de Brasília = entreposto do tráfico

A ofensiva do narcotráfico

Desde 2007, os carteis colombianos e quadrilhas bolivianas incluíram o terminal aéreo de Brasília — Aeroporto Juscelino Kubitschek — como entreposto do tráfico internacional de drogas. É o que registram várias reportagens do Correio Braziliense, a última em 3 de março deste ano. A ousadia dos bandidos sucedeu à implantação de voos diretos daqui para a Europa. A partir de então, são cada vez mais intensas as apreensões de narcóticos em poder de mensageiros (os mulas, na terminologia do crime) despachados pelos chefões do comércio monstruoso. E aumenta o número dos que desafiam a repressão da Polícia Federal (PF).

Os dados agora divulgados atestam o incremento do trânsito de mulas pelo JK, a despeito da vigilância cada vez mais rigorosa da PF. Este ano, 15 deles foram identificados e presos. Traziam pacotes de cocaína escondidos em malas, amarrados ao corpo e até em cápsulas nos estômagos. Entre janeiro e a primeira quinzena deste mês, 82 quilos de pó foram encontrados com os delinquentes. A quantidade, relativa a menos de quatro meses do ano, representa 60% do total de alcaloides apreendidos em 2008 (139,2 quilos).

Um dos aspectos mais graves anotados pela PF é que, de regra, os envolvidos no transporte de entorpecentes são estrangeiros. Uma infiltração, explique-se, que mostra a dimensão da rede aliciada pelo narcotráfico para abastecer, via Brasília, consumidores em partes distantes do planeta. Os convocados para entregar a “mercadoria” às vanguardas das organizações criminosas compõem-se de jovens vulnerados pela miséria social. Procedem, em grande parte, da África, Romênia, Lituânia e Holanda.

Não é apenas por dispor de rotas para a Europa que o Aeroporto JK seduz os mercadores de psicotrópicos. A condição de terceiro maior do país em movimentação de aeronaves facilita-lhes o manejo tático do negócio. Leva-os ao alcance de novas alternativas de distribuição e dá-lhes acesso a outros terminais com voos para o exterior — Guarulhos e Congonhas, por exemplo. Agem para dispersar a atividade preventiva dos agentes da segurança pública, esforço que passou a incluir aeroportos do Norte e Nordeste, alguns também com partidas para capitais europeias.

Não tem sido fácil o trabalho da PF com relação ao JK. Mediante utilização dos mecanismos de inteligência, cumpre-lhe garimpar informações e monitorar todos os suspeitos que desembarcam em Brasília. O desafio, contudo, assume a cada instante novas proporções, em razão do atrevimento crescente das falanges do crime. É indispensável que a delegacia especializada em serviços de inteligência, anunciada há dois meses, entre em operação com a maior urgência possível.

Brasília já convive com índices perigosos de consumo e venda de drogas. Capital da República, seria catastrófico se caísse sob domínio das hordas criminosas, na condição de eixo do narcocomércio visualizado pelo mundo.

Fonte: Correio Braziliense

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