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sábado, 16 de maio de 2009

Coisas de Brasília

Concorrência desleal

Por: Carlos Marcelo
carlosmarcelo.df@diariosassociados.com.br

Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, fim da manhã da última quarta-feira.

Ao informar ao taxista o seu destino, uma superquadra no meio da Asa Sul, o passageiro se surpreende com a reação do motorista. Irritado, o condutor fecha a cara, bate a porta e pisa fundo no acelerador. No trajeto, ignora não só a tentativa de diálogo engendrada pelo passageiro como as curvas que aparecem à frente: acelera em todas elas. Ao chegar, demonstra ainda maior irritação quando é lembrado do troco que “esqueceu” de fornecer. Antes mesmo de o cliente deixar o automóvel, liga o motor e aguarda menos de 10 segundos para acelerar novamente e, assim, se livrar do fardo que acabara de carregar.

Na verdade, a irritação do taxista já tinha sido percebida quando o passageiro, o único que não usava terno no meio de uma dezena de engravatados, se aproximou do carro. Porque, pelo traje “à paisana”, era possível vislumbrar o “risco” de o motorista pegar uma corrida mais curta, para uma área residencial, em vez do Setor Hoteleiro ou Congresso Nacional, como de fato aconteceu. A contrariedade nasce do fato de, no aeroporto, o condutor ser obrigado a esperar 10, 12 horas até chegar a sua vez de trabalhar. E a reação às vezes é até pior: um morador da SQS 116 conta que praticamente passou a pedir desculpas por seu endereço depois que um taxista ficou praguejando em voz alta (“Eu sou muito azarado!”, “Por que comigo, meu Deus?”) durante toda a corrida.

Os casos relatados exemplificam um dos problemas recorrentes que os moradores da cidade enfrentam no setor de prestação de serviço: a concorrência desleal dos transeuntes de luxo. Como desembarcam na cidade por motivos profissionais, os viajantes de negócios quase sempre têm as contas pagas pelo governo ou pela empresa na qual trabalham. Por isso, não se incomodam em pagar mais pelo táxi, hotel ou restaurante — só têm o cuidado de guardar os recibos para obter reembolso. Os preços, então, são içados às alturas e o cidadão comum toma um susto quando tenta usufruir do mesmo serviço. Nesse eterno embate da capital administrativa com a cidade dos brasilienses, quem sai perdendo somos nós, que aqui estamos…e por eles pagamos.

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