Quais serão as “consequências” para a Coreia do Norte?
Depois de fazer barulho com o lançamento de três novos mísseis e a declaração de que não se vê obrigada a respeitar o cessar-fogo com a vizinha Coreia do Sul, o governo norte-coreano de Kim Jong-Il está esperando a reação das grandes potências.
Os sul-coreanos aumentaram seu nível de alerta para 2, o mesmo registrado quando Jong-Il ordenou o primeiro teste com mísseis.
O The Guardian relata que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, prometeu “consequências” para Pyongyang.
Mas quais? Uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU, que a Coreia pode desrespeitar a qualquer momento?
De mãos atadas à posição da China e da Rússia, o governo americano sabe que o vespeiro da Coreia do Norte é perigoso demais para ser mexido.
Novo embaixador brasileiro na Coreia aguarda em Pequim
Certamente o Itamaraty escolheu um mau momento para instalar seu novo embaixador na Coreia do Norte, Arnaldo Carrilho.
Desde o início da crise nuclear, ele aguarda em Pequim até que a situação se acalme, mas sua posse foi adiada por tempo indeterminado. “Os canais diplomáticos da Coreia do Norte estão entupidos”, disse Carrilho ao Estadão.
Ele relatou as dificuldades que lhe esperam num dos regimes mais fechados do mundo.
Para receber seu salário em dólar, a embaixada teve de abrir uma conta em Pequim e um funcionário sai de Pyongyang para a capital chinesa, onde converte tudo em euros e envia para o banco de comércio exterior norte-coreano.
Tudo porque a Coreia não permite a entrada da moeda americana.
Quando chegar ao aeroporto de Pyongyang, Carrilho e sua mulher terão de entregar seus celulares às autoridades, que só os devolvem quando deixarem o país.
Logística é desafio para Brasil em Pyongyang
Embaixador Carrilho terá de conviver com restrições a dólar e a celulares
Abatida no ar pelo teste nuclear de segunda-feira, a instalação do novo embaixador brasileiro na Coreia do Norte depende agora da volta de Pyongyang à mesa de negociação com a comunidade internacional, afirmou ontem o próprio nomeado, Arnaldo Carrilho. "Os canais diplomáticos da Coreia do Norte estão entupidos", disse o diplomata ao Estado em Pequim, onde aguarda o sinal verde do Itamaraty para assumir o posto. Previsto inicialmente para amanhã, seu embarque foi adiado por tempo indeterminado.
Carrilho passou 37 de seus 71 anos de idade em missões diplomáticas no exterior e serviu 10 anos na Ásia - 5 em Hong Kong e 5 na Tailândia. A Coreia do Norte será seu quarto posto em um país comunista, depois da Polônia (1967-1971), Berlim Oriental (1973-1974) e Laos (1996-2001), que estava na jurisdição da Tailândia.
Antes de Pyongyang, foi embaixador junto à Autoridade Palestina, um forte indício de seu gosto por missões difíceis. Carrilho morava na parte leste de Jerusalém e atravessava diariamente o muro que separa a cidade do território palestino.
Mas nada se compara à complicação logística de se instalar uma embaixada em um dos países mais fechados do mundo. A mais óbvia é a financeira. A Coreia do Norte não permite a entrada de dólares no país - a moeda utilizada pela Secretaria do Tesouro brasileiro para pagamentos no exterior.
Para contornar o problema, a embaixada na Coreia do Norte teve de abrir uma conta em Pequim, onde receberá as remessas do Brasil em dólares. A cada 15 dias, um funcionário sairá de Pyongyang e irá à capital chinesa para converter os recursos em euros e enviá-los para o Banco de Comércio Exterior da Coreia do Norte.
A viagem para a China também servirá para abastecer a embaixada e a residência oficial de suprimentos que não existem em Pyongyang, cujo comércio com o restante do mundo sofre grandes restrições. O isolamento e o forte controle oficial ficarão claros logo no desembarque, quando Carrilho e sua mulher, Maria Helena, terão de entregar seus telefones celulares às autoridades locais - os aparelhos só serão resgatados quando saírem o país.
O embaixador chegou a Pequim no domingo, véspera do teste nuclear que suspendeu sua instalação em Pyongyang. Antes de partir para a missão, Carrilho havia feito um périplo pelos países que integram a negociação de seis partes com a Coreia do Norte - EUA, Coreia do Sul, China, Rússia e Japão.
Junto com a bagagem, Carrilho carrega vários projetos na área cultural, como uma exposição do trabalho de Oscar Niemeyer e a realização de mostras de cinema brasileiro. Mas tudo está agora em compasso de espera.
MISSÕES ESPINHOSAS
Polônia - Representante diplomático entre 1967 e 1971
Berlim Oriental - Entre 1973 e 1974
Laos - De 1996 a 2001, sob a jurisdição da Tailândia
Autoridade Palestina - De 2006 a 2007

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