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sábado, 23 de maio de 2009

Cuidados antes de começar a malhação

UTILIDADE PÚBLICA

Check-up esportivo

Antes de malhar, todo mundo tem de fazer

Segundo os estudos mais recentes sobre a fisiologia do esporte, só uma coisa é pior que o sedentarismo: a atividade física sem orientação médica.

De quinze grandes academias de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte consultadas por VEJA, apenas quatro exigiram exames clínicos mais detalhados, como eletrocardiograma, para a obtenção da matrícula. Algumas não pedem nem atestado médico, o que é exigido por lei. "Esses exames devem ser encarados com mais seriedade", diz o cardiologista Nabil Gorayeb. Os principais hospitais e laboratórios do país já oferecem baterias de exames próprias para quem está começando a treinar e para os atletas profissionais. Elas não servem apenas para afastar os riscos de quem treina. Quando feitos com regularidade, uma vez ao ano, esses exames são um bom parâmetro para medir a evolução do condicionamento.

Check-up básico
Indicação: sedentários e atletas de fim de semana
Exames realizados: a bateria de testes é mais enxuta porque seu foco é garantir a segurança do praticante. Constam dela teste ergométrico, eletrocardiograma, teste de flexibilidade, raio X do tórax, exames de sangue (hemograma, colesterol e triglicérides) e avaliação clínica sobre hábitos de vida e histórico de doença familiar
Preço médio*: 590 reais

Check-up monitorado
Indicação: praticantes regulares que se exercitam de três a quatro vezes por semana, de forma leve a moderada
Exames realizados: aqui, pressupõe-se um esforço físico maior e, portanto, alguns exames são acrescentados. Além de eletrocardiograma, teste ergométrico e de flexibilidade, são feitos outros exames de sangue para verificar a necessidade de reposição de sódio e potássio. Há ainda orientação nutricional com teste de bioimpedância, que mede o índice de gordura corporal
Preço médio*:
890 reais

Check-up completo
Indicação: atletas de alto nível
Exames realizados: o desgaste físico maior requer avaliações mais completas. Durante três horas de exames, o esportista passa por análise antropométrica (relação entre as medidas do corpo, como peso, altura, índice de massa corporal, circunferências e dobras cutâneas) e postural, teste ergoespirométrico (trinta minutos de esteira, para medir as condições cardiorrespiratórias e pulmonares), ecocardiograma com doppler (no caso de atletas, o crescimento do coração pode ser confundido com doenças), medição de massa muscular e orientação nutricional
Preço médio*: 1 390 reais

Atentados à saúde

Especialistas consultados por VEJA elencaram os quatro principais erros de quem se exercita sem orientação e os riscos que eles acarretam:

Uso de tênis inadequado
Grau de risco: alto
O que pode ocorrer: o mau uso é responsável por quatro das nove principais lesões causadas pela prática incorreta de exercícios, entre elas fratura por estresse, tendinite no calcanhar e no joelho e bursite, que é a inflamação nas articulações
Exame recomendado: teste da pisada. O tênis é escolhido de acordo com o tipo de pé (cavo, normal ou plano) e de pisada (neutra, pronada ou supinada)
Onde fazer: lojas de tênis e artigos esportivos
Comentário dos especialistas: as lesões acontecem porque, a cada passada, os membros inferiores recebem de três a quatro vezes o peso do corpo. O amortecimento do tênis ajuda a diminuir esse impacto, mas é preciso respeitar a sua vida útil: 500 quilômetros de uso é o limite máximo

Não avaliar a função cardíaca e respiratória
Grau de risco: altíssimo
O que pode ocorrer: a pressão alta, presente em cerca de 25% da população acima de 40 anos, é um mal silencioso que, durante o esforço físico, pode levar a um derrame cerebral. Entre 2% e 5% das mortes súbitas no esporte decorrem de anormalidades no sistema elétrico do coração.
Exames recomendados: teste ergométrico e eletrocardiograma. O primeiro monitora a atividade do coração enquanto o paciente se exercita na esteira ou na bicicleta. Já o eletro percebe sinais de isquemias e outros males
Onde fazer: centros de medicina esportiva, hospitais ou laboratórios
Comentário dos especialistas: obrigatórios em qualquer avaliação física, esses exames são essenciais. Um estudo de uma grande academia mostrou alterações em 33% dos testes ergométricos feitos por alunos saudáveis. Destes, 21% apresentavam pressão alta, 11% arritmias e 1% isquemia

Não medir a capacidade aeróbica máxima
Grau de risco: alto
O que pode ocorrer: esforços além do limite também podem causar de arritmias a parada cardíaca
Exames recomendados: teste ergoespirométrico ou cardiopulmonar. Na esteira, o atleta é submetido a um teste ergométrico ao mesmo tempo em que são medidos o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico. O médico define, então, o ritmo adequado da atividade aeróbica
Onde fazer: hospitais ou laboratórios
Comentário dos especialistas: detectar de forma precisa a faixa ideal de frequência cardíaca durante o treino não apenas evita esforços prejudiciais ao organismo como ajuda a aprimorá-lo. Ou seja: estabelece a zona de treinamento apropriada para quem quer ganhar músculos ou perder peso

Exercitar-se sem fazer uma avaliação nutricional
Grau de risco: médio
O que pode ocorrer: fraqueza, queda de pressão, osteoporose e desidratação
Exames recomendados: bioimpedância, metabolismo de repouso e densitometria. O primeiro aponta as taxas de gordura, massa magra e a quantidade de água no corpo. O exame que mede o metabolismo revela como cada tipo de organismo queima calorias, se acima ou abaixo do recomendado. A análise da massa óssea, muscular e de gordura ajuda na prescrição da atividade física
Onde fazer: clínicas nutricionais e laboratórios
Comentário dos especialistas: os exames são a melhor forma de saber como gastar as calorias em excesso ou ingerir as que faltam.

Fonte: Revista Veja

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