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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Israel insiste em 'colonizar' território palestino

Israel aceita mais colonos em evidente demonstração de que quer ampliação de colônias

Primeiro-ministro israelense usa pela primeira vez o termo “Estado palestino”, mas anuncia que permitirá o crescimento dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, contrariando apelo de Barack Obama.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, usou ontem pela primeira vez desde a eleição, em fevereiro, o termo “Estado palestino”, embora o tenha citado para manifestar reservas sobre sua criação. A declaração foi feita na reunião semanal do gabinete e vazou para as agências de notícias pela boca de um dos ministros. “Se nós falarmos sobre um Estado palestino, temos de primeiramente nos certificar do tipo de soberania e dos direitos que esse Estado terá. Precisamos ter certeza de que não seremos ameaçados”, disse Netanyahu, segundo relato de seu auxiliar. Também na reunião com ministros, o premiê afirmou que permitirá o crescimento das colônias judaicas na Cisjordânia, contrariando apelos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Durante o encontro com Obama em Washington, há uma semana, Netanyahu havia sido evasivo sobre a solução de dois estados vivendo lado a lado para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos. Na reunião ministerial, o primeiro-ministro não deixou de expressar preocupação com os termos usados na discussão com o governo norte-americano, que tenta mediar um acordo. “Claramente, nós precisamos ter algumas reservas sobre um Estado palestino num acordo final. Quando atingirmos um entendimento sobre seu conteúdo, também atingiremos sobre a terminologia”, declarou.

Em relação aos assentamentos na Cisjordânia, Netanyahu afirmou que não estabelecerá novos povoados, mas os existentes hoje poderão continuar se expandindo. Obama considera os israelenses que moram nos territórios ocupados um dos maiores obstáculos ao processo de paz. Cerca de meio milhão de judeus vivem em colônias da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. “Não tenho nenhuma intenção de construir novos assentamentos, mas não faz sentido nos pedir para não respondermos às necessidades do crescimento natural e paralisarmos todas as construções. De jeito nenhum vou dizer às pessoas para não terem filhos ou forçar os jovens a deixarem suas famílias”, disse o premiê.

Em 2003, o governo israelense concordou em desmantelar alguns povoados na Cisjordânia. Em 2005, o então chefe de governo, Ariel Sharon, promoveu a retirada de colonos e tropas da Faixa de Gaza. Desta vez, Netanyahu se mostra disposto a remover apenas os assentamentos considerados ilegais. Antes da reunião de gabinete, o ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que pelo menos 22 deles seriam desativados. “Vamos tratar desse assunto de maneira responsável e apropriada, primeiramente esgotando os esforços de diálogo. Se isso não der certo, de forma unilateral, usando a força se necessário”, disse Barak.

Retorno
Também antes da reunião, o ministro das Relações Exteriores, o ultradireitista Avigdor Lieberman, descartou a volta do território de Israel às fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, que opôs o país a uma coalizão de governos árabes em junho de 1967. Isso implicaria a devolução da Cisjordânia e das Colinas de Golã, estas reivindicadas pela Síria. “Um retorno às fronteiras de 1967, como somos pressionados a fazer, não acabaria com o conflito e não garantiria nem a paz, nem a segurança”, disse. “Isso simplesmente acarretaria o deslocamento do conflito para o interior das fronteiras de 1967".

[comentário: as posições radicais adotadas por Israel e que são bem mostradas nesta matéria justificam, com sobras, a desmoralização da ONU citada no POST anterior.]

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