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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Polícia Legislativa em cheque devido escândalo

Qual a real utilidade da Polícia Legislativa?
Escândalo põe papel da Polícia Legislativa em xeque

Investigação de irregularidades na concessão de crédito consignado na Casa lança dúvidas sobre o desempenho da corporação

Com uma estrutura de fazer inveja a várias corporações, a Polícia Legislativa ultrapassa alguns limites fora de sua área de atuação, que é o Congresso, mas nem sempre consegue resultados satisfatórios em suas investigações. Em vários casos, a apuração foi transferida para as polícias Federal ou Civil, que são as responsáveis judicialmente pelos processos nas esferas da União e dos estados, respectivamente. Além disso, suas decisões são contestadas na Justiça, já que os presidentes de inquéritos são advogados, mas sem formação policial.

A polêmica em torno da atuação dos policiais legislativos reaqueceu, quando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou a cargo exclusivo deles a investigação das irregularidades denunciadas no crédito consignado oferecido aos servidores da Casa – escândalo que envolve o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Na sexta-feira, o procurador da República Gustavo Pessanha Velloso decidiu convocar a PF para entrar na apuração. A partir de hoje, o representante do Ministério Público Federal definirá o que será feito com o trabalho realizado até aqui pelo Senado.

A discussão sobre o assunto começou em 2006, quando a Polícia Legislativa abriu um inquérito para apurar o furto de equipamentos de computador, mas o MPF determinou que o caso fosse remetido à PF. Os advogados do Senado entraram com ação no Tribunal Regional Federal (TRF) obtendo uma liminar, um dos documentos usados pela Casa para justificar a existência da sua polícia. Entendimento agora confirmado pela Corte. O Senado também se baseia em uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF), de 1967, que confirma a criação da força dentro do Legislativo.

Quando o Congresso foi invadido por integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), a Polícia Federal reivindicou a investigação e instauração de inquérito, enquanto os policiais legislativos tocavam o caso. A PF chegou a enviar o Comando de Operações Tática (COT), sua tropa de elite, para o local, mas o então presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB), determinou que o problema fosse resolvido pela corporação da Casa. Pouco depois, o caso foi remetido para a Polícia Civil, que pediu ajuda aos federais para ouvir novamente todos os manifestantes presos e garantir seus indiciamentos.

Pedido rejeitado
Em outra situação, a Polícia Legislativa que atua na Câmara não teve como expedir carta precatória para ouvir pessoas fora de Brasília. O mecanismo é usado entre as corporações, mas neste caso, o pedido feito à PF no Distrito Federal foi rejeitado. “Se a investigação fosse nossa ou da Polícia Civil, não haveria problema. Mas não era o caso”, afirma um delegado federal que, na época, avaliou a questão. “Apuração criminal é de alçada das polícias judiciais e não do Legislativo”, acrescenta.

O Senado, palco da mais nova polêmica, se apega à Constituição para manter sua força policial em funcionamento. Foi nela que a Casa se baseou para editar a resolução que criou a corporação. De acordo com o documento, os policiais legislativos são responsáveis pela segurança do presidente, demais parlamentares, funcionários e dependências. Têm o poder de abrir inquéritos e conduzir investigações criminais. Dentre as atribuições legais, podem realizar revistas, buscas e apreensão, além de atividades de inteligência.

O setor fechou 2008 com 318 funcionários, cerca de 77% dos postos previstos no plano de carreira. A polícia do Senado conta com delegacia, viaturas – incluindo carro chapa fria [o carro chapa fria aqui mencionado na única vez que foi visto 'em ação' estava conduzindo o diretor da polícia legislativa para almoçar em um restaurante -] – e academia para treinar os servidores.

Fora do Congresso, no entanto, as prerrogativas da Polícia Legislativa são alvos de contestação. É vista como uma corporação paralela, apesar de os integrantes de outras policiais acharem que é necessária dentro dos limites do Parlamento. Porém, criticam suas atribuições, que, muitas vezes, entram em conflito com as demais forças.


[comentário: não tem o menor fundamento o uso da polícia legislativa, seja do Senado ou da Câmara, para realizar investigações ou ações de polícia judiciária fora ou dentro das dependencias do Poder Legislativo.
As razões são várias e destaco:
- a polícia legislativa pela estrutura política do Senado e da Câmara não tem autonomia para investigar livremente;
- a Constituição restringe a função de 'polícia judiciária' as polícias civis estaduais e a policia federal.
O único sentido que tem para a existência daquelas policias é a execução do policiamento ostensivo nas dependências da Câmara e do Senado e eventual serviço de segurança a parlamentares - neste caso em situações especiais.
Nem mesmo para enfrentar invasões de gang - como a ocorrida recentemente na Câmara pela gang do MLST, comandada pelo bandido anistiado e indenizado Bruno Maranhão - a polícia legislativa tem condições logísticas ou de treinamento.]

1 comentários:

Cézar Henrique disse...

Completando o comentário anterior:
o amigo perdeu um pouco sua maneira educada quando nos acusa de não citar fontes;
realmente, há algum tempo, não indicávamos a fonte, embora tenhamos todas em arquivo para eventual esclarecimento;
só que de uns tempos para cá passamos a além de citar fontes, muitas vezes linkamos.
Sobre as fontes da matéria que o amigo acusa de tendenciosa e outros adjetivos, indicamos adiante algumas fontes e outras que também critiam a PL.

Esteja à vontade para nos escrever, sempre que desejar.
Parece que existe entre o senhor e as idéias da UNR alguma afinidade, que poderá até lhe motivar a escrever matérias que sejam consideradas POST.

Eis alguns links:
Sarney manda Polícia Legislativa do Senado abrir inquérito contra ex-diretor
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u558230.shtml

Polícia Federal investiga dirigentes do Senado
http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/21950

Reportagem de VEJA mostrou que os agentes da corporação tentaram intimidar testemunhas que acusam parlamentar petista de compra de votos
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/diretores-da-policia-legislativa-fizeram-doacoes-para-campanha-do-deputado-policarpo

PT usa Polícia Legislativa como Polícia Política. Ou: Como partido trata um sem-terra, um lavador de carros e um segurança quando eles não são obedientes ao partido
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/pt-usa-policia-legislativa-como-policia-politica-ou-como-partido-trata-um-sem-terra-um-lavador-de-carros-e-um-seguranca-quando-eles-nao-sao-obedientes-ao-partido/

grato,

CH