segunda-feira, 4 de maio de 2009
Pragmatismo diplomático. No (des)governo?
O Brasil, mesmo governado pela NOMENKLATURA petista, é uma NAÇÃO SOBERANA
O governo brasileiro acertou ao censurar o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, pela proposta de extinção do Estado de Israel e a negação do Holocausto. Fez o protesto às claras, em nota oficial do Itamaraty, de modo a não deixar dúvida quanto à posição do país nessa questão. Agora reitera seu juízo e se dispõe a reforçá-lo ao acolher Ahmadinejad, esta semana, em Brasília e São Paulo. Faltam razões, portanto, para as reações israelenses à visita ao país do líder do Irã.
Entende-se que a comunidade judaica e ativistas gays (esses, pela repressão iraniana ao homossexualismo) preparem protestos. É livre o direito à manifestação, desde que executada de modo pacífico e ordeiro, como é da tradição nacional. De resto, as forças policiais garantirão a segurança dos estrangeiros, brasilienses e paulistanos. O que não cabe é a radicalização israelense, com as tentativas de criar constrangimentos à aproximação Brasil-Irã, seja por meio da chancelaria, seja do parlamento.
Brasília é experiente na convivência com diferentes, exercita com maestria a flexibilidade nas relações internacionais. Tanto que Teerã reconhece o país como ator imparcial e influente no cenário mundial, o que pode, inclusive, credenciar a diplomacia brasileira a contribuir com a paz no Oriente Médio, uma meta do Itamaraty que vai ao encontro da aspiração por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O foco da visita, contudo, é comercial. Mahmud Ahmadinejad traz ao Brasil sua maior comitiva empresarial em viagem ao exterior. São 130 pessoas, 110 delas empresários, representando cerca de 65 companhias de vários ramos de atividade, da petroquímica e mineração à indústria automobilística. A ideia, segundo o embaixador Mohsen Shaterzadeh, é quintuplicar o comércio entre os dois países, que em 2008 movimentou US$ 1,1 bilhão, redução de 50% em relação a 2007. Vale ressaltar ainda o interesse iraniano em ter o Brasil como sócio na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O fato inescapável é que Brasília não pode ignorar nenhuma fatia do mercado global, onde tem longo caminho a percorrer, com participação de apenas 1,2%. O Brasil é o 22º maior exportador, bastante atrás do México, que está em 16º, e o 24º importador, responsável por 1,1% das compras mundiais. Isso, depois de exportar US$ 198 bilhões em 2008, valor 23% maior do que o de 2007, e importar US$ 183 bilhões, 44% mais do que no ano anterior. Em 2008, as exportações nacionais cresceram 1,5 vez mais que a média mundial; as importações, três vezes mais. Nesse contexto, o pragmatismo é a única saída diplomática.
O governo brasileiro acertou ao censurar o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, pela proposta de extinção do Estado de Israel e a negação do Holocausto. Fez o protesto às claras, em nota oficial do Itamaraty, de modo a não deixar dúvida quanto à posição do país nessa questão. Agora reitera seu juízo e se dispõe a reforçá-lo ao acolher Ahmadinejad, esta semana, em Brasília e São Paulo. Faltam razões, portanto, para as reações israelenses à visita ao país do líder do Irã.
Entende-se que a comunidade judaica e ativistas gays (esses, pela repressão iraniana ao homossexualismo) preparem protestos. É livre o direito à manifestação, desde que executada de modo pacífico e ordeiro, como é da tradição nacional. De resto, as forças policiais garantirão a segurança dos estrangeiros, brasilienses e paulistanos. O que não cabe é a radicalização israelense, com as tentativas de criar constrangimentos à aproximação Brasil-Irã, seja por meio da chancelaria, seja do parlamento.
Brasília é experiente na convivência com diferentes, exercita com maestria a flexibilidade nas relações internacionais. Tanto que Teerã reconhece o país como ator imparcial e influente no cenário mundial, o que pode, inclusive, credenciar a diplomacia brasileira a contribuir com a paz no Oriente Médio, uma meta do Itamaraty que vai ao encontro da aspiração por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O foco da visita, contudo, é comercial. Mahmud Ahmadinejad traz ao Brasil sua maior comitiva empresarial em viagem ao exterior. São 130 pessoas, 110 delas empresários, representando cerca de 65 companhias de vários ramos de atividade, da petroquímica e mineração à indústria automobilística. A ideia, segundo o embaixador Mohsen Shaterzadeh, é quintuplicar o comércio entre os dois países, que em 2008 movimentou US$ 1,1 bilhão, redução de 50% em relação a 2007. Vale ressaltar ainda o interesse iraniano em ter o Brasil como sócio na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O fato inescapável é que Brasília não pode ignorar nenhuma fatia do mercado global, onde tem longo caminho a percorrer, com participação de apenas 1,2%. O Brasil é o 22º maior exportador, bastante atrás do México, que está em 16º, e o 24º importador, responsável por 1,1% das compras mundiais. Isso, depois de exportar US$ 198 bilhões em 2008, valor 23% maior do que o de 2007, e importar US$ 183 bilhões, 44% mais do que no ano anterior. Em 2008, as exportações nacionais cresceram 1,5 vez mais que a média mundial; as importações, três vezes mais. Nesse contexto, o pragmatismo é a única saída diplomática.
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