quarta-feira, 6 de maio de 2009
Quem vai investigar a polícia legislativa do Senado Federal?
Chapa fria no almoço
Entre as ferramentas que dispõe para conduzir investigações, a Polícia do Senado conta até com carro chapa fria — um Ford Fiesta, placa JKQ 5171 (DF).
Ontem, o Correio flagrou o veículo nas ruas de Brasília. Estava estacionado na comercial da 405 Norte, na hora do almoço, à disposição de Pedro Ricardo Araújo Carvalho, diretor da polícia da Casa. Mais tarde, no Senado, Carvalho explicou que o Fiesta é um “carro descaracterizado para ser usado em investigações pela polícia legislativa, mas devidamente cadastrado no Detran”.
Perguntado se, na 405 Norte, era realizada alguma investigação, ele respondeu que não. O diretor admitiu que usou a “viatura” para almoçar. “Hora de almoço também é hora de trabalho. Meu horário do Senado inicia às 8h30 e vai até as sete, oito da noite”, argumentou. Com a chapa fria, o Fiesta passa despercebido por uma pesquisa mais simples realizada nos sistemas das políciais Civil e Militar do Distrito Federal.
Tuma pressionado a sair
O senador Romeu Tuma (PTB-SP) tem sido aconselhado por colegas a se afastar da Corregedoria do Senado, órgão responsável pelas investigações internas. O parlamentar está acuado depois da denúncia do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi de suposto envolvimento dele num esquema de corrupção na contratação de empresas terceirizadas. Em conversas reservadas, senadores admitem um contrangimento na permanência do senador no cargo de corregedor.
Segundo Zoghbi, Tuma teria participação de irregularidades na época em que foi primeiro-secretário, entre 2003 e 2005. “É mentira deslavada”, disse o senador. “Estou pronto a prestar qualquer esclarecimento que for necessário. Não posso deixar a Corregedoria em razão da acusação que ele fez”, afirmou. No ano passado, o senador enterrou as apurações sobre as suspeitas que recaíam contra seu sucessor na Primeira-Secretaria, Efraim Morais (DEM-PB). Tuma arquivou o caso sem ouvir qualquer testemunha. Pressionado, preferiu não levar adiante as dúvidas sobre as relações entre Efraim e o lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público de negociar as licitações do Senado com empresas terceirizadas. Ferreira tinha a chave do gabinete de Efraim, segundo a Polícia Federal. Tuma optou por não aprofundar essa investigação. Agora, chegou a contratar um advogado para se defender das acusações de Zoghbi. “Não me dou por suspeito, porque não há razão”, disse o parlamentar.
Balanço
Ontem, o plenário foi palco mais uma vez de discussão sobre a crise administrativa que tomou conta do Senado desde o começo de março. O presidente José Sarney (PMDB-AP) fez um balanço dos três meses à frente do comando da Casa. O senador enumerou suas medidas administrativas e anunciou que a Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentará na semana que vem a primeira exposição sobre o estudo interno que vem fazendo na gestão do Senado. “Nós submeteremos por 30 dias esse trabalho aos senhores senadores, para que possam opinar, fazer sugestões a respeito das reformas”, afirmou Sarney.
O senador José Nery (PSol-PA) chegou a sugerir, em discurso, o debate para criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as irregularidades no Senado, inclusive as fraudes em licitações. “Caso este câncer tenha, na sua metástase, alcançado e envolvido algum senador ou senadora, caberá ao Conselho de Ética apurar com igual rigor estas condutas”, disse.
A proposta, porém, tem resistências internas. “Uma CPI levaria o Senado a uma crise sem fim. Seria o extremo do extremo. Acho que devemos esgotar todas as alternativas”, disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O tucano apresentou uma proposta para acarear Zoghbi e o ex-diretor-geral Agaciel Maia numa reunião da Mesa Diretora. “Não é tolerável que nós tenhamos Agaciel Maia, ou Zoghbi, ou quem mais seja, enodoando a imagem do legislativo brasileiro. Não podemos aceitar isso.”
Fonte: Correio Braziliense
Entre as ferramentas que dispõe para conduzir investigações, a Polícia do Senado conta até com carro chapa fria — um Ford Fiesta, placa JKQ 5171 (DF).
Ontem, o Correio flagrou o veículo nas ruas de Brasília. Estava estacionado na comercial da 405 Norte, na hora do almoço, à disposição de Pedro Ricardo Araújo Carvalho, diretor da polícia da Casa. Mais tarde, no Senado, Carvalho explicou que o Fiesta é um “carro descaracterizado para ser usado em investigações pela polícia legislativa, mas devidamente cadastrado no Detran”.
Perguntado se, na 405 Norte, era realizada alguma investigação, ele respondeu que não. O diretor admitiu que usou a “viatura” para almoçar. “Hora de almoço também é hora de trabalho. Meu horário do Senado inicia às 8h30 e vai até as sete, oito da noite”, argumentou. Com a chapa fria, o Fiesta passa despercebido por uma pesquisa mais simples realizada nos sistemas das políciais Civil e Militar do Distrito Federal.
Tuma pressionado a sair
O senador Romeu Tuma (PTB-SP) tem sido aconselhado por colegas a se afastar da Corregedoria do Senado, órgão responsável pelas investigações internas. O parlamentar está acuado depois da denúncia do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi de suposto envolvimento dele num esquema de corrupção na contratação de empresas terceirizadas. Em conversas reservadas, senadores admitem um contrangimento na permanência do senador no cargo de corregedor.
Segundo Zoghbi, Tuma teria participação de irregularidades na época em que foi primeiro-secretário, entre 2003 e 2005. “É mentira deslavada”, disse o senador. “Estou pronto a prestar qualquer esclarecimento que for necessário. Não posso deixar a Corregedoria em razão da acusação que ele fez”, afirmou. No ano passado, o senador enterrou as apurações sobre as suspeitas que recaíam contra seu sucessor na Primeira-Secretaria, Efraim Morais (DEM-PB). Tuma arquivou o caso sem ouvir qualquer testemunha. Pressionado, preferiu não levar adiante as dúvidas sobre as relações entre Efraim e o lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público de negociar as licitações do Senado com empresas terceirizadas. Ferreira tinha a chave do gabinete de Efraim, segundo a Polícia Federal. Tuma optou por não aprofundar essa investigação. Agora, chegou a contratar um advogado para se defender das acusações de Zoghbi. “Não me dou por suspeito, porque não há razão”, disse o parlamentar.
Balanço
Ontem, o plenário foi palco mais uma vez de discussão sobre a crise administrativa que tomou conta do Senado desde o começo de março. O presidente José Sarney (PMDB-AP) fez um balanço dos três meses à frente do comando da Casa. O senador enumerou suas medidas administrativas e anunciou que a Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentará na semana que vem a primeira exposição sobre o estudo interno que vem fazendo na gestão do Senado. “Nós submeteremos por 30 dias esse trabalho aos senhores senadores, para que possam opinar, fazer sugestões a respeito das reformas”, afirmou Sarney.
O senador José Nery (PSol-PA) chegou a sugerir, em discurso, o debate para criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as irregularidades no Senado, inclusive as fraudes em licitações. “Caso este câncer tenha, na sua metástase, alcançado e envolvido algum senador ou senadora, caberá ao Conselho de Ética apurar com igual rigor estas condutas”, disse.
A proposta, porém, tem resistências internas. “Uma CPI levaria o Senado a uma crise sem fim. Seria o extremo do extremo. Acho que devemos esgotar todas as alternativas”, disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O tucano apresentou uma proposta para acarear Zoghbi e o ex-diretor-geral Agaciel Maia numa reunião da Mesa Diretora. “Não é tolerável que nós tenhamos Agaciel Maia, ou Zoghbi, ou quem mais seja, enodoando a imagem do legislativo brasileiro. Não podemos aceitar isso.”
Fonte: Correio Braziliense
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2 comentários:
Oi tudo bem?
Gostei do seu blog. Gostaria de sugerir para acompanhar o PORTAL ALTERNATIVA BRASIL. Um espaço para debate político e econômico do nosso país. Queremos alternativas para um Brasil melhor e mais justo.
Acesse: http://portal.alternativabrasil.org/
Notícia de hoje:
"Debate na Câmara dos Deputados traz novas propostas para a Poupança"
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Fim da Internet em 2012??
qualquer forma de tolhimento à liberdade é uma forma de tolhimento à nossa ...
http://www.youtube.com/watch?v=diHHfxiGKo8
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