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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um pouco do Exército Brasileiro - antes que seja acabado pelo (des)governo

A Brigada Aeromóvel entra em ação
Defesanet
esteve no interior de São Paulo para conhecer uma das mais letais tropas do Exército Brasileiro e foi recebido com uma demonstração operacional exclusiva. A Infantaria leve como você nunca viu.
Kaiser Konrad
Enviado Especial a Caçapava e Lorena/SP

Do outro lado da Fronteira Sul do Brasil, movimentos sociais apoiados por forças regulares ameaçam invadir uma Usina Hidrelétrica Binacional. Temendo uma ação terrorista que provoque o corte do fornecimento elétrico e a abertura das comportas, o que poderia provocar uma tragédia seguida por uma crise internacional, o governo brasileiro põe suas unidades de pronto-emprego em alerta.

Com a deterioração das relações diplomáticas com o país vizinho devido a seu apoio às manifestações, o Brasil vê-se obrigado a defender seus interesses e agir antes que seja tarde. Mesmo contrariado por alguns setores do governo, o Presidente da República aprova a solução militar. Poucas horas depois, um pelotão de reconhecimento altamente especializado entra com um ônibus turístico na área da usina. À paisana, eles observam os manifestantes, identificam alvos, posições sensíveis e escolhem os locais de pouso. No dia seguinte helicópteros de manobra Cougar e Pantera iniciam o assalto aeromóvel. A 12ª Brigada de Infantaria Leve, Força de Ação Rápida Estratégica do Exército Brasileiro entra em ação e ocupa as instalações vitais da usina. Estava terminada a primeira fase da operação Singing Stone.

12ª Brigada de Infantaria Leve
Força de Ação Rápida Estratégica do Exército Brasileiro

A situação descrita na abertura desta reportagem é hipotética, mas de acordo com os cenários estratégicos regionais não é improvável de acontecer. Para enfrentar de forma rápida e contundente quaisquer ameaças à nação e aos seus interesses, o Exército Brasileiro possui uma Força de Ação Rápida Estratégica, que é composta pela

Brigada de Operações Especiais (Goiânia-GO),

Comando de Aviação do Exército (Taubaté-SP),

Brigada de Infantaria Pára-quedista (Rio de Janeiro-RJ) e a

Brigada de Infantaria Aeromóvel (Caçapava-SP).

Estas forças são as mais adestradas e equipadas do Exército e têm a capacidade de serem rapidamente mobilizadas e empregadas em qualquer parte do território nacional, ou serem lançadas além das linhas inimigas, sendo importante força de dissuasão do Exército Brasileiro.

Especializada em operações aeromóveis, a 12ª Brigada de Infantaria Leve é comandada pelo General-de-Brigada Carlos César Araújo Lima, e possui as seguintes unidades subordinadas:

4º Batalhão de Infantaria Leve-Osasco(SP);
5º Batalhão de Infantaria Leve-Lorena(SP);
6º Batalhão de Infantaria Leve-Caçapava(SP);
20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve-Barueri(SP);
22º Batalhão Logístico Leve-Barueri(SP);
12ª Companhia de Engenharia de Combate Leve-Pindamonhangaba(SP);
5ª Bateria de Artilharia Antiaérea Leve-Osasco(SP);
12ª Companhia de Comunicações Leve-Caçapava(SP),
12º Pelotão de Polícia do Exército-Caçapava(SP), e,
1º Esquadrão de Cavalaria Leve-Valença(RJ).

[comentário: o 6º Batalhão de Infantaria Leve recentemente teve sete fuzis roubados em assalto, dos quais só foi recuperado um.

Hoje, ação conjunta da PMC, PC e Exército resultou na prisão de um suspeito do roubo dos fuzis.]

Batalhões de Infantaria Leve

O moderno conceito de pronto-emprego

A Brigada Aeromóvel está caracterizada operacionalmente por sua grande mobilidade estratégica e acentuada mobilidade tática. À ela, estão subordinadas três unidades de elite da infantaria, que são os 4º,5º e 6º Batalhões de Infantaria Leve (BIL), todos eles especializados em operações helitransportadas. A principal característica destas unidades é a rapidez de sua mobilização e emprego. Em poucas horas estes batalhões poderão estar posicionados em qualquer parte do território nacional ou na Defesa Externa, numa zona de ação que pode situar-se até 100 km da linha de contato. Estas tropas especiais podem ser empregadas num leque diversificado de missões, que variam desde o combate em localidade, Garantia da Lei e da Ordem, à tomada de pontos estratégicos em áreas terrestres ou marítimas – como na defesa de plataformas de petróleo.

Seu conceito operacional ficou famoso no filme Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down), e é caracterizado, principalmente, pelo assalto, incursão e infiltração aeromóveis. Estas operações são realizadas em conjunto com o Comando da Aviação do Exército. Helicópteros Esquilo, Pantera, Blackhawk e Cougar podem transportá-los a qualquer ponto onde seja necessária sua presença. Somente um único helicóptero HM-3 Cougar pode transportar 25 soldados equipados, sendo que um pelotão de aeronaves deste modelo poderá colocar uma subunidade inteira de Força de Ação Rápida (nivel Companhia) na zona de ação.

Por possuirem equipamentos e armamentos leves e de alta letalidade, estas tropas podem ser transportadas também por aviões de transporte Tático da Força Aérea Brasileira (C-130H e C-105A) e principalmente através de meios civis como vans, ônibus, caminhões, trens e navios. Quaisquer meios de transporte que sejam oportunos e rápidos poderão ser requisitados para as operações militares.

Antes de entrar em ação, um pelotão de reconhecimento é enviado ao local do assalto. Suas células, altamente treinadas ficam operando na área dois dias antes da tropa chegar, o que requer uma complexidade e um alto nível de sigilo no seu deslocamento e operação. Geralmente, para o transporte destes efetivos, descaracterizados, são utilizados meios civis.

Por carregar equipamentos e armamentos leves, estas unidades de Infantaria Leve possuem um tempo de permanência de apenas 48 horas na defesa de uma posição. Este tempo pode ser prorrogado com o lançamento de mantimentos e munição. Doutrinariamente, elas devem estar operacionais por estas 48 horas até a junção com a cavalaria ou outros efetivos, para depois ser enviada a outro local, que de acordo com suas características operacionais se faça necessária.

Para estar preparada para atuar em qualquer Teatro de Operações e sob quaisquer condições meteorológicas, os militares passam o ano realizando cursos de operações na
Caatinga, Selva, Pantanal, Montanha, GLO(Garantia da Lei e da Ordem), aerotransportadas, anti-carro, operações fluviais, helitransportadas, de combate noturno, com caçadores e escalada urbana.

Seus efetivos são enviados a todas as operações combinadas realizadas pelo Ministério da Defesa, como a Atlântico e a Fronteira Sul II. Nesta última, os militares cumpriram missões de patrulha fluvial e de defesa de pontos sensíveis da Usina de Itaipú, chegando inclusive a trocar tiros com elementos criminosos na fronteira com o Paraguai. Recentemente, na Operação Buquira, dois mil homens da Brigada Aeromóvel tiveram de fazer uma exfiltração a pé por mais de 30 quilômetros, alcançando baixas inferiores a 1%, o que demonstra a excelente preparação física dos militares e o rigor das operações onde são empregados.

Os 4º, 5º e 6º BIL estão equipados com os seguintes armamentos anti-carro: o lança-rojão sueco AT-4, o CSR 84 mm Carl Gustaf e o míssil MBDA Milan 3. Também carregam morteiros de longo alcance Hotkiss-Brandt 60mm e Royal Ordnance L-16 81 mm, metralhadoras MAG, fuzis Pára-FAL e FAP, .308 IMBEL AGLC (caçador), possuindo também lança-chamas, miras laser, GPS, luneta e óculos de visão noturna. Na doutrina de operação da infantaria leve está previsto o uso de motocicletas para missões de reconhecimento.

O 6º BIL – Regimento Ipiranga – unidade base da Força Expedicionária Brasileira é comandado pelo Tenente Coronel Dilson Gamarra Rodrigues. O 5º BIL – Regimento Itororó - berço da infantaria leve e unidade formadora de caçadores – é comandado pelo Tenente Coronel Jorge Cardoso Martins. As unidades da 12ª Brigada de Infantaria Leve farão parte do 11° Contingente militar brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

º Esquadrão de Cavalaria Leve – Esquadrão Tenente Amaro

Em dezembro de 2004, o 1º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, situado em Valença-RJ, teve sua denominação alterada para 1º Esquadrão de Cavalaria Leve. A partir de então, iniciou-se um processo de adaptação doutrinária e material para a inclusão do Esquadrão na 12ª Brigada de Infantaria Leve.

Até 2004, o Esquadrão era uma unidade mecanizada e subordinada à 5ª Brigada de Cavalaria Blindada. Sua mudança para a concepção leve o tornou a única unidade de Cavalaria do Exército Brasileiro nessa situação. Desde então, o Esquadrão vem compatibilizando sua estrutura em pessoal e material, bem como seu adestramento, para cumprir suas novas missões.

O Esquadrão de Cavalaria Leve contempla em sua estrutura quatro frações previstas: Três Pelotões de Exploradores e um Pelotão de Comando e Apoio. Seus Pelotões de Exploradores são dotados de Viaturas Táticas Leves e motocicletas. Então chamado de 1º Esquadrão de Reconhecimento, foi a primeira unidade de Cavalaria do Exército Brasileiro a lutar nos campos de batalha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: DefesaNet

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