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domingo, 14 de junho de 2009

Arruda joga para a platéia e perde

[comentário: jogar para a platéia é habitual aos políticos - ao gov. Arruda mais ainda, pois se preciso também chora para a platéia - embora nem sempre dê bons resultados.
Dessa vez, o governador Arruda se deu mal e o tiro saiu pela culatra.
Durante a campanha para governador do DF, o ilustre ex-senador Arruda, prometeu mundos e fundos - o que é outra peculiaridade dos políticos - e entre as promessas estava a de construir um mini quartel da PM em cada esquina.
Natural que não cumpriu e está conseguindo a proeza de após mais de dois anos de governo (?) não conseguiu incorporar um, unzinho só, soldado ao efetivo da PMDF.
Na ânsia de mostrar serviço e competência, decidiu que a eficiência do policial depende não de um bom curso de formação, de atualizações frequentes e VOCAÇÃO. Depende que o mesmo tenha CURSO SUPERIOR.
Depois de muita enrolação - característica do govenrador Arruda - ontem, sábado, foi realizado o primeiro concurso para soldado PM-DF com a exigência de 3º grau.
Para começo de conversa, o índice de abstenção ultrapassou aos 20% - limitando mais ainda a possibilidade de ampliar o universo dos selecionáveis, já que a exigência descabida de curso superior contribuiu para restringir as possibilidades de seleção.

MORAL DA HISTÓRIA: houve uma queda acentuada no interesse pelo concurso, a PM-DF vai ter que escolher em um universo bem menor e o MAIS GRAVE: a quase totalidade dos que participaram deste concurso são pessoas FRUSTRADAS, pessoas que cursaram uma faculdade, obtiveram um Diploma e não conseguiram se realizar na profissão, na carreira escolhida.

E agora se valem da opção de ser soldado PM. Não um soldado vocacionado para prestar um bom serviço e sim um cidadão que por falta de opções resolveu ser soldado PM - sem vocação, sem aptidões naturais para a função.

Convenhamos que ninguém, descontado raras exceções, vai cursar engenharia, economia, administração de empresas, para ser POLICIAL MILITAR.
Nada contra a valorosa PM e seus integrantes - que também, descontando as raras exceções, são dedicados profissionais - mas ser policial é questão antes de tudo de VOCAÇÃO e não de salário.]

Vejam o que o Correio Braziliense noticia sobre o assunto:

No concurso da PM, a disputa entre as mulheres é maior

Neste sábado (13/6) foi dia de provas para os aspirantes ao cargo de soldado da Polícia Militar do Distrito Federal. Os exames foram realizados em 11 escolas na Asa Sul, Asa Norte, Gama, Sobradinho e Taguatinga. De acordo com o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), responsável pelo exame, 21,8% dos 12.646 inscritos não compareceram aos locais de provas. A abstenção fez a concorrência pelas 750 vagas cair de 16,8 candidatos por posto para 13,2. A disputa foi mais tímida que a anterior, em 2001, quando a proporção era de 45,6 pessoas para cada vaga.

A grande diferença no número de inscrições foi uma consequência da mudança nas exigências para a ocupação no cargo. Esse foi o primeiro processo seletivo a exigir curso superior dos candidatos inscritos. Apenas os concorrentes com diploma universitário poderão participar do curso de formação e receber salário de R$ 3.072,51 durante os estudos e de R$ 4.056,59 após a formatura.
“Estamos preocupados não com a quantidade de candidatos, mas com a qualidade deles”, afirmou o sub-chefe da seção de Recrutamento e Seleção da PMDF, capitão Garcia.

Os amigos Gilmar Lopes, 26 anos, e Eidemberg Figueiredo, 26, concordam com a mudança nas regras. “Para trabalhar com a polícia comunitária, tem de ser exigido dos soldados uma formação melhor”, afirmou Lopes, formado em matemática. Segundo ele, o sonho de ser PM vem de família. “Meu pai sempre quis ter um filho policial”, revelou. Para conquistar a vaga, Lopes estudou desde janeiro. “Fazia cinco horas de cursinho, mais três horas de estudo em casa e faculdade”, contou. Figueiredo também se dedicou ao concurso por seis horas diárias. Formado em administração de empresas, ele gostou da exigência do diploma para assumir o cargo. “Achei excelente, porque assim aumentam nossas chances e fica menos concorrido”, disse.

A professora de educação física Isabela Frechiani, 28 anos, também aprovou a limitação das vagas para candidatos com nível superior completo. “Essa exigência vai trazer profissionais mais bem preparados para lidar com a comunidade”, afirmou. “A PM precisa de soldados melhor qualificados”, acrescentou.

Para Isabela, no entanto, o concurso é mais concorrido que para os candidatos do sexo masculino. Apenas 75 das 750 vagas serão ocupadas por mulheres, o que elevou a disputa. São 47,56 candidatas por posto. “Não acho que ser policial é uma profissão difícil para as mulheres. Elas vêm se igualando muito aos homens em todas as atividades e não vejo razão para ser diferente na polícia”, disse.

O processo seletivo terá cinco fases. A aprovação para a segunda etapa depende de um bom aproveitamento nas provas objetivas realizadas ontem com questões de português, atualidades, raciocínio lógico, noções de informática, noções de administração e psicologia, direito (administrativo, constitucional, penal, processual penal, penal militar) e legislação. Há ainda uma avaliação da redação, de, no máximo, 30 linhas.

Para conseguir se matricular no curso de formação de soldados, os candidatos precisam ser aprovados em testes de aptidão física, exames médicos, avaliação psicológica, sindicância de vida pregressa e avaliação de títulos. Todo o processo deve terminar em dezembro. A expectativa é que, a partir de janeiro, os 750 selecionados iniciem o curso de formação. Apesar de as vagas estarem limitadas a 750 no edital, a PM afirma que 1,5 mil aprovados serão chamados.

Mesmo sendo aprovada por muitos inscritos, a exigência do diploma causou polêmica e levou ao adiamento do concurso por quase dois meses. As provas estavam marcadas para 19 de abril, mas foram postergadas porque a discussão sobre as regras do processo seletivo foi parar na Justiça.

E o Blog da Samanta

CONCURSO PM - 21% DE ABSTENÇÃO

Cerca de 2,4 mil candidatos a soldado da Polícia Militar do Distrito Federal não compareceram às provas realizadas hoje. O índice de ausência baixou a concorrência que era de 16 por vaga, para 13,8. Segundo o Cespe, responsável pela organização do concurso, o índice de abstenção está dentro do normal.

Detalhe para as candidatas mulheres. Foram 3.567 inscritas para apenas 75 vagas. O que dá uma concorrência de 47 por vaga.

[comentário: e agora gov. Arruda ? sua teimosia diminuiu a competição, consequentemente, a chance de escolher melhor. O ideal é realizar logo um outro concurso e para nível médio - só que isso vai aumentar mais ainda a frustração dos '3º grau' que passarem no concurso iniciado ontem: vão ter que conviver com novas turmas de nível medio.]

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