A missa do protestoIndignados com as pinturas do artista Francisco Galeno nas paredes internas da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, cerca de 200 fiéis assistiram à missa celebrada ontem do lado de fora do santuário. Com faixas pretas, simbolizando luto, os católicos pediram a suspensão dos trabalhos
Um abraço contra a nova pintura
Cerca de 200 fiéis da Igrejinha da 308 Sul fizeram ontem mais um protesto contra o afresco criado pelo artista Francisco Galeno
A celebração foi para a rua, com a missa de 9h rezada do lado de fora. As faixas pretas fixadas na porta de entrada da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, marcaram o luto dos fiéis, que ontem fizeram um círculo em volta da igreja, abraçando o local como forma de protesto contra a pintura do artista Francisco Galeno. Essa foi a maneira que cerca de 200 católicos encontraram para mostrar, pela terceira vez em uma semana, que não aprovam a imagem da Santa padroeira e dos anjos pintados nas paredes. No domingo passado, a imagem amanheceu coberta por um pano branco e, na última quarta-feira, a pintura apareceu com marca de dedos na tinta fresca.
A moradora da 308 Sul Teresinha Valença foi à missa vestida de preto. Para ela, é inadmissível o Instituto de Patrimônio e Artístico Nacional (Iphan) ter permitido uma reforma em uma igreja, tombada pelo Patrimônio da Humanidade. “A placa é clara. A obra deveria ser restaurada e não reformada. A culpa não é do Galeno, mas do Iphan que permitiu a pintura”, defende. “Não sabemos o porquê de terem escolhido o Galeno, mas Athos Bulcão era ateu e fez arte com princípios religiosos, como a pomba e a estrela. Não dá para brincar com pipa e carretéis. Não podemos deixar a imagem da Igreja virar chacota”, completa Isabella Araújo, 23, bacharel em direito.
O significado das imagens nas paredes da igreja também intriga os frequentadores. Na lateral esquerda, estão os três anjos. “São três tocos. Não podemos afirmar que são os anjos. E na lateral direita tem um jacaré que não sabemos o que significa”, conta Isabella Araújo.
A moradora da quadra Teresinha Valença conta que ouviu piadas sobre Nossa Senhora de Fátima ter recebido o apelido de Nossa Senhora da Pipa. “É uma brincadeira de mau gosto. No Rio de Janeiro, a pipa é usada em favelas para avisar aos traficantes que a polícia está chegando. Em São Paulo, elas têm significado de morte por causa da quantidade de pessoas que morrem (por causa do cerol nas linhas)”, compara, lembrando que a santa tem uma pipa nas mãos e um terço feito de carretéis.
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