SPFW começa com discussão de cotas para modelos negros
Além do que vai estar nas vitrines das próximas estações, um debate polêmico estará nas passarelas da temporada verão 2009/2010 da São Paulo Fashion Week, que começa hoje.
Esta é a primeira edição da semana de moda paulistana em que valerá acordo entre o Ministério Público Estadual (MPE) e a organização do evento, estabelecendo que 10% dos modelos de cada grife sejam negros, afrodescendentes ou indígenas.
O estilista que não cumprir a cota terá de se justificar. As fitas dos desfiles serão enviadas para o MPE. Se descumprir o acordo, a SPFW pode ser multada em R$ 250 mil.
Para esquentar a discussão, segundo a Folha, a associação franciscana Educafro programou um desfile-protesto só com modelos negros embaixo da marquise do parque Ibirapuera, onde ocorre a SPFW, ao lado do Museu de Arte Moderna (MAM).
Cota para negros mobiliza a São Paulo Fashion Week
Habitualmente afastada dos problemas sociais, a moda brasileira - quem diria - se tornou nos últimos dias o palco de uma batalha contra a discriminação dos negros no país. As cenas principais dessa disputa deverão ser travadas na SPFW (São Paulo Fashion Week), cujos desfiles da temporada verão 2009/10 começam nesta quarta-feira (17).
Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado há menos de um mês entre o Ministério Público e a organização do evento, 10% dos modelos de cada desfile devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas. O inquérito se baseou em reportagens da Folha feitas em janeiro de 2008. Dos 344 modelos que desfilaram naquela temporada, apenas oito (2,3% do total) eram negros, conforme contagem feita pelo jornal.
Quem vai colocar mais lenha na fogueira é a associação franciscana Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), que está organizando um desfile-manifesto no parque Ibirapuera, onde a semana de moda é realizada.
A manifestação prevê uma passarela só com modelos negros, embaixo da marquise do parque, ao lado do MAM (Museu de Arte Moderna).
A associação também quer fiscalizar o cumprimento da "cota". Pediu dois convites por desfile à SPFW, para poder contar o número de negros - o que nem mesmo a Promotoria planejou fazer.
Gustavo Fioratti da Folha de S.Paulo
[comentário: só não consegui entender as razões dessa tal Educafro realizar um desfile-manifesto na mesma ocasião.
Será que eles querem cota de 100%?]

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