A Polícia Federal terá apoio das Forças Armadas para conter o avanço dos cartéis de cocaína em direção à fronteira brasileira. Além de oferecer reforço logístico, o Exército vai colaborar em operações de inteligência no combate ao tráfico de drogas. O plano de ação do governo inclui a construção de bases fluviais na Amazônia. Relatório divulgado ontem pela ONU indica um aumento do consumo de cocaína na América do Sul, ao contrário da maioria dos países em desenvolvimento.
Para conter o avanço do crime organizado, Exército será convocado a ajudar a PF na patrulha da fronteira com Bolívia e Peru, região que o governo considera preocupante
Segundo a Polícia Federal, o avanço do tráfico de drogas já era esperado desde 2007. “O crescimento era previsível”, diz o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon Filho. Porém, pouca coisa foi feita nos últimos dois anos, como mostrou o Correio na edição de ontem. O deslocamento dos laboratórios de refino de cocaína para regiões próximas à fronteira brasileira ajudou no avanço do tráfico, o que fez elevar as apreensões no Brasil. “Estamos fazendo composições com outras instituições, como a Polícia Rodoviária Federal e as secretarias de segurança pública dos estados, para trabalharmos em conjunto”, destaca Troncon.
O diretor da PF informou que, além das operações conjuntas, a Polícia Federal vai desenvolver ações que estão relacionadas ao Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) em toda a fronteira brasileira — entre elas, a instalação de novas bases fluviais na Amazônia. “Atualmente, temos apoio da Marinha em patrulhamentos, mas teremos bases próprias”, ressalta Troncon. O Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) não confirmou a parceria com a PF, mas afirmou que a Força presta apoio logístico sempre que solicitada.
Segundo o Escritório da ONU Contra Drogas e Crimes no Brasil (UNODC), o consumo de cocaína diminuiu na maioria dos países em desenvolvimento, mas cresceu na América do Sul, onde houve ainda um avanço nas produções do Peru e da Bolívia. “No mundo, há uma estabilidade no comércio de drogas como a cocaína”, disse o chefe do escritório, Bo Mathaiasen. O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, ressaltou que o governo está tranquilo: “No que se refere a nós, temos tomado todas as providências”, disse Uchôa.

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