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terça-feira, 23 de junho de 2009

Jobim cede a pressões da caserna e militares comandarão buscas no Araguaia

Jobim mantém "acordo" com os militares e indica General Peri para coordenar buscas da Guerrilha do Araguaia

Por: Jorge Serrão

A campanha revanchista, com intuito de desmoralizar as Forças Armadas no Brasil, ganha cada vez mais impulso. Ontem, o presidente Gilmar Mendes (do Supremo Tribunal Federal) aproveitou um almoço com empresários do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), cujo tema foi "A Justiça, o Homem e a Lei", para se declarar favorável à abertura dos arquivos da ditadura.

Enquanto o
chefão Lula da Silva aproveitou uma solenidade no Consulado da França, no Rio de Janeiro, para homenagear o falecido líder político de esquerda Apolônio de Carvalho, um risco de crise militar era debelado pelo ministro da Defesa.

Atendendo a uma pressão do Alto Comando do Exército, Nelson Jobim designou o General Enzo Peri (comandante da Força) para coordenar o grupo que fará buscas de ossadas e identificação de corpos de militantes de esquerda mortos na Guerrilha do Araguaia.

A reação revanchista foi imediata, como sempre. O presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Marco Antônio Barbosa, condenou a escolha do general. Reclamou que Jobim militarizou o grupo e não consultou a Secretaria Especial de Direitos Humanos. O ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, concordou com a crítica. Para o revanchista Vannuchi, Jobim "atropelou a lei". Na mesma linha, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Luiz Couto (PT-PB), também criticou a iniciativa.

Nelson Jobim partiu discretamente da Defesa para o ataque, através de nota do seu Ministério. O texto
apontou falhas nas 13 expedições ao Araguaia realizadas até hoje, todas acompanhadas pela Comissão de Mortos e Desaparecidos, e nas quais foram recolhidas 14 ossadas.

A polêmica do Araguaia foi realimentada depois que o Estado de São Paulo publicou, domingo, uma entrevista em que o ex-coronel Sebastião Curió revela que o Exército matou 141 guerrilheiros. Hoje, o jornal revela versão de Curió de que o Exército teria usado áreas como “campos de concentração” para executar prisioneiros.

Fonte: Blog Alerta Total

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