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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Jobim e o senso de ridículo; Ou a falta.

E agora, Jobim?

A informação de que os primeiros destroços recolhidos pela Aeronáutica em alto-mar não pertenciam ao Airbus da Air France e a mancha de suposto querosene era óleo de navio frustrou os que esperavam um avanço nas investigações e principalmente complicou a imagem do ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Na véspera, ele dissera categoricamente que todos os objetos avistados eram do avião e que, pela extensão da mancha, estava descartada a hipótese de que a aeronave se desintegrara em pleno voo, causando uma explosão. Diante do desmentido da Aeronáutica, o ministro ficou numa situação desconfortável. Ontem, segundo o Estadão, “alegou problemas de saúde e não apareceu”.

O jornal também cita a reação negativa das autoridades e mídia francesas diante da precipitação do “ministro-perito”.

O ministro francês dos Transportes, Jean-Loius Borloo, cobrou prudência em declarações públicas. “Na emissora de TV TF1, a mais importante rede da França, Jobim foi chamado de ‘bavard’, que em francês significa ‘indiscreto’ ou ‘falador’. Na concorrente France 2, uma reportagem afirmou que ‘a França é mais prudente antes de falar’”.

Pegou mal. No fim, como resume O Globo, “após cinco dias, há mais dúvidas que explicações sobre o desaparecimento do Airbus”.

Franceses criticam as declarações de Jobim

Ministro da Defesa descartou explosão ou incêndio, mas investigadores e especialistas são mais prudentes

As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, anteontem, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no Airbus A330-200 foram vistas com ceticismo e críticas, ontem, na França, antes mesmo de a Marinha confirmar que os destroços recolhidos não eram do avião da Air France. Enquanto as autoridades dizem que nenhuma hipótese pode ser descartada, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira no Rio de Janeiro, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no Oceano Atlântico - que depois foi descartada como sendo do avião - indicaria que o Airbus teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo. "A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão", avaliou Jobim.

Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade de um dos dois países envolvidos no caso descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pelo Estado, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA)
se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela investigação, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com avião matriculado na França.

Na manhã de quarta-feira, Paul-Louis Arslanidan, diretor da entidade, havia reafirmado que nenhuma hipótese poderia ser descartada no atual momento das investigações, antes da
recuperação dos primeiros destroços e das caixas-pretas.

O
silêncio também foi adotado pelo porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, Patrick Prazuck. Segundo ele, a instituição não se envolverá em questões técnicas, relativas à investigação do acidente, nem se posicionará sobre as declarações do ministro brasileiro.

Entre especialistas, a presteza com que Jobim descartou a possibilidade de uma explosão no
Airbus A330 gerou críticas. Para Eric Derivry, porta-voz do Sindicato de Pilotos da França e comandante de um aparelho idêntico ao destruído no acidente, os comentários do ministro podem, mais do que serem precipitados, serem errados.

"Mesmo quando uma aeronave sofre uma explosão em pleno voo, partes importantes de sua fuselagem podem ficar inteiras. Este pode ter sido o caso dos reservatórios de querosene", estimou. "Eles podem não ter sido fragmentados até o choque com o mar, o que explicaria um vazamento posterior e uma mancha."

?FALADOR?
A
velocidade das conclusões do ministro Jobim também foi explorada pela imprensa do país. A maior parte dos veículos se agarrou à informação como um passo à frente nas investigações. Outros foram mais céticos. Na emissora de TV TF1, a mais importante rede da França, Jobim foi chamado de "bavard", que em francês significa "indiscreto" ou "falador". Na concorrente France 2, uma reportagem afirmou que "a França é mais prudente antes de falar".

Fonte: O Estadão


Voo 447: Nenhum destroço recolhido até agora pertencia ao Airbus 330 da Air France, diz FAB

O tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB), afirmou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva em Recife, que nenhum material recolhido até agora pertencia ao Airbus 330 da Air France que fazia o voo 447 (Rio-Paris). O pallet (estrado) recolhido para análise, segundo Cardoso, é de madeira, material que não era utilizado no transporte de carga da aeronave. Mais cedo, a Aeronáutica dissera que o material recolhido poderia ser do Airbus.

Nenhum material do avião foi recuperado até o momento - afirmou o tenente-brigadeiro. - Esse pallet que foi encontrado não faz parte dos destroços do Airbus. É lixo de alguma outra embarcação ou aeronave que será devidamente descartado.

Segundo ele, só agora será dada mais atenção aos destroços.

- Estávamos nos concentrando na busca de sobreviventes e de corpos. Passadas cem horas do acidente, no entanto, tornam-se mais remotas as chances de encontrarmos algo. A cada dia diminuem as possibilidades - afirmou.

As equipes de busca ampliarão, a partir de agora, os esforços a fim de achar e recuperar no mar quaisquer materiais que possam pertencer ao Airbus.

- As condições meteorológicas não estão muito favoráveis no momento. A previsão para a madrugada de hoje e para amanhã é de tempestade, o que dificulta os voos e reduz a visibilidade - acrescentou. - Mas a nossa intenção é voltar aos pontos onde já houve avistamentos e fazer o recolhimento desses objetos.

A análise das peças pode ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente, até agora um mistério:

- Todos querem respostas que não podemos dar.

O pallet de madeira tem 1,2 metro de comprimento, 80 centímetros de largura e 15 centímetros de altura. O suporte seria utilizado para acomodação de cargas em aviões (pallet). De acordo com a Aeronáutica, também foram encontradas duas boias. Os destroços foram avistados pelo avião C-130 Hércules da FAB a 550 quilômetros de Fernando de Noronha. A Marinha foi avisada e enviou um helicóptero que está no navio Fragata Constituição até o local para recolher as peças.

As autoridades francesas negaram hoje que estejam escondendo informações a respeito do acidente com o Airbus. De acordo com o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner , a França formou um gabinete responsável pela investigação do acidente, que concede entrevistas diárias com informações sobre o andamento das buscas pela aeronave.

Na manhã desta quinta, a Aeronáutica anunciou que o avião R-99, equipado com sensores, havia identificado mais três pontos de destroços, ao sul das partes avistadas na madrugada de quarta-feira - uma peça de sete metros de diâmetro e vários pontos brancos. De acordo com o Comando da Aeronáutica, os novos pontos estão a sudoeste do Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

O tenente-brigadeiro afirmou que a área a ser vasculhada é de 6 mil quilômetros quadrados e a Marinha já consegue direcionar suas embarcações para os pontos onde estão os destroços, já que eles foram demarcados e a velocidade da correnteza é sabida. Segundo o brigadeiro, a velocidade dos barcos é superior à da corrente marítima. Em mar mais agitado, os navios seguem a velocidade entre 15 e 20 km por hora. Se houver calmaria, a velocidade atinge 40 km.

- Como conhecemos a direção da corrente e a velocidade, fica fácil fazer o planejamento de onde deverão estar os destroços no momento em que o barco chegar. A partir daí, se faz uma busca mais apurada - afirmou.

Fonte: O Globo

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