Pesquisa Google

Pesquisa personalizada

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lula mais uma vez fala bobagem sobre política internacional

Marco Aurélio TOP, TOP Garcia FALA PELO ITAMARATY SOBRE IRÃ

Enquanto a polarização política no Irã aumenta o debate sobre o tom mais adequado das reações de governos estrangeiros, o Planalto tenta relativizar as declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que comparou a oposição iraniana a uma torcida de futebol perdedora - e afirma que o Brasil ainda não tem posição final sobre o tema.

"Nós temos que observar. O governo, informado pela embaixada, fará suas análises. Vamos discutir isso com o presidente, e isso vai servir para orientar nossa postura concreta", diz Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência.

Ele não quis adiantar o que o governo fará caso o confronto entre linha dura e reformistas resulte em mais violência: "Vamos ver. Pode ter certeza de que o Brasil não vai se omitir". Ao mesmo tempo, reitera que a orientação "não é ficar distribuindo certificado [de comportamento democrático]".

"Se você começa a distribuir certificado, esses países vão se fechar, isso será usado como um argumento conservador-nacionalista."


Garcia estava com Lula em Genebra na segunda-feira passada, quando o presidente, mesmo ressalvando que esperava mais informações, disse ter a impressão de que era "protesto de quem perdeu" a reação opositora à proclamação da vitória do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Questionado então se o Brasil reconhecia a reeleição de Ahmadinejad, o chanceler Celso Amorim disse que era preciso aguardar. Mas Lula depois reafirmou que achava difícil que tivesse havido fraude, dada a vantagem de 30 pontos do vencedor na contagem oficial.

Planalto reinterpreta fala de Lula sobre pleito iraniano

Enquanto a polarização política no Irã aumenta o debate sobre o tom mais adequado das reações de governos estrangeiros, o Planalto tenta relativizar as declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que comparou a oposição iraniana a uma torcida de futebol perdedora - e afirma que o Brasil ainda não tem posição final sobre o tema.

"Nós temos que observar. O governo, informado pela embaixada, fará suas análises. Vamos discutir isso com o presidente, e isso vai servir para orientar nossa postura concreta", diz Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência.

Ele não quis adiantar o que o governo fará caso o confronto entre linha dura e reformistas resulte em mais violência: "Vamos ver. Pode ter certeza de que o Brasil não vai se omitir". Ao mesmo tempo, reitera que a orientação "não é ficar distribuindo certificado [de comportamento democrático]".

"Se você começa a distribuir certificado, esses países vão se fechar, isso será usado como um argumento conservador-nacionalista."

Garcia estava com Lula em Genebra na segunda-feira passada, quando o presidente, mesmo ressalvando que esperava mais informações, disse ter a impressão de que era "protesto de quem perdeu" a reação opositora à proclamação da vitória do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Questionado então se o Brasil reconhecia a reeleição de Ahmadinejad, o chanceler Celso Amorim disse que era preciso aguardar. Mas Lula depois reafirmou que achava difícil que tivesse havido fraude, dada a vantagem de 30 pontos do vencedor na contagem oficial.

Exceção

O Brasil não costuma se pronunciar de maneira tão direta sobre a política interna alheia, e as frases de Lula causaram críticas e estranheza.

Antônio Carlos Lessa, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília), acha que a posição adequada no caso seria aguardar o desfecho da crise. "É um assunto interno do Irã, e o Brasil não tem motivos para se pronunciar. O desejável seriam manifestações menos específicas, como afirmar que a verdadeira vontade dos eleitores deve ser respeitada."

Também da UnB, Eduardo Viola se diz perplexo - "foi a única democracia que reagiu assim"- e recomenda fórmula parecida. Ele considera que de fato houve fraude, mas que apontá-la de fora "daria argumentos à linha dura".

Marco Aurélio Garcia argumenta que Lula trabalhava com a "posição ponderada" do governo americano e com declarações de Javier Solana, chefe da diplomacia da União Europeia --que, em visita ao Egito, dissera que "a análise das eleições levará algum tempo".

Mas, no mesmo dia, o Conselho Europeu divulgou nota em que, sem tomar partido sobre o resultado eleitoral, dizia-se "seriamente preocupado com o uso da força contra manifestantes pacíficos". Logo depois, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, falou em "fraude".

Na ocasião, Sarkozy acabava de voltar do enterro do ditador Omar Bongo, que governou por 41 anos o Gabão, Estado-cliente da França. A coincidência mostra como é difícil manter coerência quando um país tem relações globais. "Em todas as grandes potências há contradições entre o interesse nacional imediato e os valores", comenta Viola.

Marco Aurélio TOP TOP Garcia rejeita a comparação entre a posição de Lula e a do venezuelano Hugo Chávez, que manifestou solidariedade a Ahmadinejad ante o "ataque do capitalismo mundial" --a linha dura iraniana atribui os protestos, cujos líderes fazem parte da elite do regime, a orquestração externa. "Não há uma aliança estratégica Brasil-Irã, nem isso está em perspectiva", disse Garcia.

Fonte: Folha de São Paulo

0 comentários: