[Antes de alguém se precipitar em condenar o Itamaraty, é bom lembrar que um diplomata representa o seu país no exterior e tem que ter um conduta ilibada, responsável e que não envergonhe.
Também, temos que ter em conta que durante a vigência do Ato Institucional nº 5 - 1968 a 1979 - os costumes, as tradições, o modo de vida eram diferentes dos de agora e muitas práticas que hoje são aceitáveis - mesmo que sejam aberrações - eram naquela época alvo do repúdio geral.Além do mais o fato de ser esquerdista era - e deveria continua sendo - motivo mais que suficiente para excluir alguém do 'serviço público' por indignidade. ]
Itamaraty usou AI-5 para investigar vida privada e expulsar diplomatas
Autor de clássicos da MPB, Vinicius de Moraes foi a vítima mais conhecida da maior caça às bruxas do Itamaraty: o afastamento de 13 diplomatas com base no Ato Institucional nº 5 (AI-5). É o que revela reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO. Documentos do Arquivo Nacional mostram que, entre supostos motivos das cassações, estavam homossexualismo e ligações com a esquerda.
De acordo com a reportagem, a Comissão de Investigação Sumária deu origem a 44 cassações em abril de 1969, no maior expurgo da história da diplomacia brasileira. Perderam o cargo 13 diplomatas, oito oficiais de chancelaria e 23 servidores administrativos.
Em vez de perseguir esquerdistas, como fizeram outros ministérios na época, o Itamaraty mirou nos funcionários cujo comportamento na vida privada afrontaria os "valores do regime". Mantido em segredo há 40 anos, o relatório da comissão confirma que o ódio contra homossexuais foi o fator que mais pesou na escolha dos cassados.
Vinicius: vida boêmia vigiada de perto
Um dossiê secreto do Serviço Nacional de Informações (SNI) a que O GLOBO teve acesso revela que Vinicius esteve na mira de diversos órgãos de espionagem antes de ser cassado, em 1969. A lista vai da polícia da antiga Guanabara ao temido Centro de Informações da Marinha (Cenimar).
A maior parte dos arquivos narra fatos sem importância, como a participação em shows e manifestos de intelectuais. A preferência pela noite foi a desculpa da Comissão de Investigação Sumária para incluir Vinicius entre os cassáveis. A justificativa aparece num dossiê da Aeronáutica sobre as demissões. Junto a seu nome, o documento traz a explicação: "alcoólatra".
Poeta pode ganhar promoção a embaixadorQuarenta anos depois de ser cassado, Vinicius pode ser agraciado com uma inédita promoção post-mortem a embaixador. A ideia foi lançada em 2006 no antigo Palácio do Itamaraty, no Centro do Rio, que teve uma ala batizada com o nome do poeta. Apesar das boas intenções, a proposta ainda não conseguiu vencer a burocracia do governo federal.

0 comentários:
Postar um comentário