Um dos locais mais vigiados do país foi cena de crime violento. Às 9h50, o cabo Jefferson de Oliveira Santos, 25 anos, integrante do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, recebeu três tiros de fuzil de um subordinado de plantão. Jefferson chegou com vida ao Hospital das Forças Armadas, mas morreu às 11h05. O assassino é um soldado, que não teve o nome revelado pelo Exército.
O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República informou que ele só será identificado após a definição do oficial que presidirá o inquérito militar. Peritos da Polícia Civil foram à Granja do Torto, mas a corporação ficará fora do caso.
Militar de 25 anos, lotado no regimento responsável pela segurança do presidente da República, é executado com três disparos de fuzil por um soldado. Crime ocorreu dentro da residência oficial da Granja do Torto
O cabo Jefferson de Oliveira Santos, 25 anos, foi executado com tiros de fuzil, ontem de manhã, na Residência Oficial Granja do Torto, a casa de campo do presidente da República. O militar, levado com vida ao Hospital das Forças Armadas (HFA), morreu uma hora após receber atendimento médico. O assassino é um soldado, que não teve o nome revelado pelo Exército, responsável pela investigação.
O Exército e a Presidência da República não deram detalhes do crime. O Correio apurou que o cabo não teve chance de defesa. Após breve discussão, às 9h50, o soldado foi ao banheiro do recinto destinado aos militares, desengatilhou a arma, voltou e deu um tiro no superior, sentado em um banco de madeira e escorado na parede. Caído, o cabo levou outros tiros à queima-roupa.
Depois dos disparos, o soldado baixou o fuzil e sentou no mesmo banco. Ele não esboçou reação, muito menos tentou fugir. As cenas foram descritas por cinco trabalhadores de uma empresa terceirizada que passaram o dia cortando a grama dos imensos jardins da residência oficial. Todos pediram para não ter os nomes revelados, por medo de represálias.
O assassinato ocorreu no início do plantão da vítima e do acusado, ambos lotados no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, mais conhecido como Dragões da Independência. O cabo morreu às 11h05. O soldado está preso desde a tarde de ontem no Batalhão da Polícia do Exército, no Setor Militar Urbano. A arma do crime, um fuzil automático leve (FAL) 7,62mm, acabou apreendida.
Choque hemorrágico
Jefferson Santos deu entrada no HFA conversando, mas com anemia aguda e choque hemorrágico. Levado para o centro cirúrgico, não resistiu após uma parada cardíaca. As balas acertaram o quadril e o pescoço dele. O cabo estava no Exército havia seis anos. Era tido como militar exemplar.
O soldado foi interrogado, junto com os colegas que presenciaram os tiros, por integrantes da Polícia do Exército ainda na Granja do Torto, de onde ele saiu escoltado em um carro da corporação. Após o crime, homens da Polícia do Exército também iniciaram uma perícia no local da tragédia. As provas farão parte do Inquérito Policial Militar (IPM) aberto no mesmo dia.
Delegados e agentes das polícias Civil e Federal também foram à residência oficial, mas não assumiram o caso por se tratar de crime militar. “Nossos peritos (da Polícia Civil do Distrito Federal) vão apenas dar apoio”, explicou o delegado Antônio Romeiro, chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), responsável pelos crimes comuns daquela região.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República limitou-se a divulgar uma nota curta na qual informa que os tiros ocorreram na manhã de ontem e que o cabo chegou a ser conduzido ao HFA. O GSI comunicou ainda que nome do soldado será mantido em sigilo até ser definido o militar que conduzirá o IPM, mas não disse quando isso ocorrerá.
Mudança na seleção
Após o crime, o Exército informou que pode rever o processo de seleção dos integrantes da guarda presidencial. Os responsáveis pela segurança do presidente e dos palácios de Brasília são escolhidos por meio de testes físicos, de tiro e psicológico.
[comentário: a desvalorização sistemática das FF AA é que provoca situações como a ocorrida.
A guarda presidencial e dos palácios é feita por recrutas, muitos com menos de seis meses do’ serviço militar obrigatório’ – há um rodízio entre o RCG e o BGP - e que recebem um treinamento básico feito em péssimas condições, dadas as dificuldades logísticas das Forças Armadas.
As FF AA devem ser profissionalizadas, mantendo um ‘serviço militar obrigatório’ de no mínimo dois anos e no qual o recruta seja preparado para realizar com eficiência operações militares e tenha condições de realmente defender o Brasil.
E a guarda do presidente e palaciana – mesmo havendo o ‘acidente’ de um Lula ser presidente – deve ficar a cargo de soldados profissionais com no mínimo cinco anos de serviço.]
Alguma coisa sobre o FAL
A arma do crime é um dos melhores fuzis de combate do mundo. O fuzil automático leve (FAL) pesa 4,2kg sem o carregador e tem alcance de 3,8km. Sua munição tem mais potência que o famoso AR-15. Fabricado no Brasil, o FAL dispara até 20 tiros em sequência.
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O FAL foi trazido para o Brasil para substituir o fuzil americano M954 .30. A IMBEL, empresa propriedade do então Ministério do Exército, com uma fábrica na cidade de Itajubá, em Minas Gerais, começou a fabricar a arma em meados da década de 60, seguindo o projecto original belga, modelo 50-00.
São fabricados no Brasil três modelos. O Fuzil Automático Leve (FAL), o Fuzil Automático Pesado (FAP), que é uma versão bipé, e o fuzil Para-FAL, com coronha rebatível para o emprego com unidades aerotransportadas e de selva.
O FAL é uma arma bastante confiável, e o seu desempenho, fez com que fosse escolhido por varios países como arma standard dos seus exércitos. De 1964 a 1983, a fábrica de Itajubá, produziu mais de 200.000 unidades deste fuzil.
Mais recentemente a IMBEL lançou uma versão desta arma. Trata-se de uma versão de calibre 5.56mm. No entanto não há noticia de a arma poder vir a ser comprada pelas forças armadas brasileiras.
Produzido pela Fabrique Nacional Herstal, o FAL é uma das mais conhecidas espingardas/fuzil de assalto do mundo, tendo sido adotado por um grande numero de forças militares de 70 paises em todo o mundo.
Em 1953, a NATO (OTAN) resolve determinar uma munição padrão para todas as forças armadas dos países membros, e o calibre escolhido foi o 7.62mm comum cartucho 14mm mais curto que o .30M2 norte-americano.
A sua potência foi no entanto aumentada com a utilização de um tipo de pólvora mais eficiente e com maior teor explosivo.
O FAL foi então adotado por vários exércitos, tendo sido mesmo adotado pelo exército da Alemanha Federal, que posteriormente optou por uma arma própria, a G3.
1º RCG - Tropa de Elite do Exército
1º Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG), conhecido como Dragões da Independência — nome que ganhou em 1927 — faz a guarda e segurança do presidente da República, e, consequentemente, dos palácios da Alvorada, do Planalto, do Jaburu (vice-presidência) e da Residência Oficial da Granja do Torto. A função é dividida com o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP).
As duas unidades são consideradas a elite do Exército Brasileiro. Têm funções iguais a qualquer batalhão de infantaria, mas recebem treinamentos específicos para proteger presidentes e os palácios, que incluem combate a terrorismo. Também têm armamentos sofisticados.
Os Dragões da Independência contam com 2 mil e 700 fuzis automáticos leves (FAL). Já o BGP é formado por 1,7 mil homens. Ambas as unidades têm em seus quadros aqueles que são considerados os melhores soldados do Exército. Cada componente fica no máximo sete anos no BGP e 1º RCG.
Os Dragões da Independência têm participações em quase todos os episódios marcantes da história brasileira, como as batalhas contra vizinhos da América do Sul e os golpes militares. Hoje, também são conhecidos pela excelência em treinamento para cavalos e cavaleiros.
Família real
O quartel, na imensa área à margem do Parque Nacional de Brasília (Estrada Parque e Acampamento, Setor Militar Complementar), é ocupados por centros de salto, adestramento, polo e equoterapia. Dom João VI foi quem criou o 1º RCG, em 13 de maio de 1808. Na época, o regimento tinha a função de fazer a guarda da família real, que naquele ano havia se refugiado no Brasil devido à invasão de Portugal pelo exército francês.
Eram os dragões (soldados da cavalaria) que acompanhavam D. Pedro I quando ele declarou a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. No famoso quadro de Pedro Américo, que retrata o Grito do Ipiranga, são eles que saúdam, com o príncipe, a emancipação do país.
Aquartelados em Brasília desde 1966, os Dragões da Independência usam um fardamento do século 19, em branco e vermelho, que são as cores tradicionais da cavalaria desde a Idade Média. Em festas cívicas e algumas competições esportivas de hipismo, os dragões e os animais do regimento se apresentam e fazem demonstrações de agilidade e destreza
[comentário: não resisto a consignar a omissão, talvez involuntária ou fruto de uma informação errada, da reportagem quando esquece de mencionar entre a ELITE das FF AA brasileiras a Polícia do Exército e os Para-quedistas – ainda hoje, com todos os percalços, desprestigio, coisas nefastas e que infelizmente são apoiadas pelo Alto Comando do Exército, as unidades citadas cumprem com seu dever.
Ainda existe unidades de elite no Exército Brasileiro e que aqui não estão citadas - são unidades capazes de grandes feitos e que, infelizmente, dia a dia sofrem reduções em seus efetivos e equipamentos em função da política de desmonte das Forças Armadas. Mas é bom lembrar os que querem destruir as FF AA do Brasil, que tais unidades que agora estão um pouco no ostracismo, efetivos reduzido, são de emprego rápido e ainda podem virar o jogo.
E o bom de tudo, a esperança dos BRASILEIROS do BEM é que o (des)governo a cada dia fornece motivos para a virada do jogo.]













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