A Arte de Perder a Guerra
Nos bastidores políticos, cheirou muito mal a desistência da candidatura presidencial de Aécio Neves. Numa entrevista a um jornal de Sobral, no Ceará, outro que sonha ser presidenciável, Ciro Gomes, insinuou que Aecinho recebeu alguma pressão para tirar o time. Por que será que a gravata do neto de Tancredo Neves ficou vazia de pescoço? Por qual razão ele perdeu esta guerra interna no PSDB para um José Serra que agora deve levar mais flechada que São Sebastião?
Ontem já tinha tucano do alto ninho especulando que Aecinho pode renascer das cinzas para disputar o cadeirão do $talinácio. Mas lá pros lados dos Demos tinha gente confidenciando que Aécio teve 30 razões para sair da corrida presidencial. Aecinho terá de se virar nos trinta. Mais provável é que dispute mesmo o Senado em 2010. E que cuide melhor da imagem para tentar a Presidência em 2014, concorrendo, muito provavelmente, contra o chefão $talinácio que sonha em voltar com mais que tudo.
Da Central permanente de maldades do Palhaço do Planalto vem uma ordem para tirar a graça e o sono do presidenciável José Serra. A ordem é que ele seja duramente atacado por tabela. O chefão mandou detonar o José Roberto Arruda. A tática é mirar no governador do Detrito Federal e espalhar a maior merda possível para os lados da Prefeitura de São Paulo. Na lógica petralha, respingando em Gilberto Kassab alguma ligação com Arruda, acerta-se, redondo, em José Serra. Quem sobreviver verá a m...
No ataque, os petistas não estão seguros. Tanto que ontem as antenas parabólicas captavam a possibilidade de Dilma Rousseff antecipar sua saída do governo para janeiro. O objetivo é deixar a Mãe do PACo livre para fazer campanha e rodar o Brasil, sem a patrulha incômoda da fiscalização eleitoral. Henrique Meirelles é o favorito para ser o vice dela, mas só deve entrar em campo a partir de abril. Para o lugar da Dilma na Casa Civil, Lula teria duas opções: Gilberto Carvalho ou, para surpresa geral, Antônio Palocci Filho – que também é cotado para o lugar de Meirelles no BC do B (Banco Central do Brasil).
Enquanto a guerra eleitoreira come solta, desenha-se uma articulação que pode surpreender. Prepara-se uma candidatura do segmento conservador, para a Presidência da República. A intenção principal é colocar na ordem do dia assuntos realmente relevantes ao Brasil – que geralmente ficam sonegados da campanha eleitoral convencional. O candidato virá de um partido nanico, mas se prepara para fazer um estrago de gigante no esquema mensaleiro-entreguista. O Governo do Crime Organizado que se cuide!
Em meio ao cenário de batalha política, infelizmente, os especialistas em guerra, por formação profissional, caem no Conto do Blindado. $talinácio articulou com os parceiros italianos. O comandante do Exército, General Enzo Martins Peri, e a empresa Iveco (ligada à Fiat) fecharam na sexta-feira um contrato de R$ bilhões. A promessa é que, até 2030, o EB tenha 2.044 novos veículos de transporte médio blindados.
Notícia que parece boa: a Fiat-Iveco promete entregar o primeiro lote de 16 veículos em 2011 e, a partir de 2012, começa a fabricar o restante das unidades. O veículo pesa 18 toneladas, é movido a diesel, tem tração 6x6 e capacidade anfíbia, podendo transportar 11 pessoas. Em tese, seria ideal para o nosso Exército.
Informação que é muito ruim: especialistas em equipamentos bélicos advertem que o negócio é uma furada. O projeto do dito blindado italiano é da década de 80 e foi recusado por todos os paises. Se a informação for confirmada na prática, os militares darão mais uma prova de como é a arte de perder a guerra.
Será que as legiões não cansam de perder, todo dia, a guerra assimétrica de desmoralização ideológica imposta pela petralhada? Parece que não. O que leva um notório oficial de inteligência do EB lamentar, nos bastidores da caserna, a postura dos comandantes. Na visão do crítico militar, pela tropa, os chefes agem como samurais, quando decidem, de cima para baixo, largar a espada na tropa. No entanto, de baixo para cima, subservientes ao do Chefão-em-comando, os chefes se comportam como gueixas prostituídas pelos podres poderes.
Samurais ou gueixas? Que apareça algum discípulo de Sun Tzu para lhes ensinar a não perder, de forma tão patética, a arte da guerra.

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