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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cadete, ides comandar, aprendei a obedecer

DESVARIOS SOBRE CHEFIA E LIDERANÇA E A SUBJUGAÇÃO NACIONAL

“Cadete, ides comandar, aprendei a obedecer”.

A frase, emblemática, encima o prédio principal da Academia Militar das Agulhas Negras. É vista, digerida e encrua–se, inexoravelmente, na pele, na mente e no caráter do jovem cadete.

A frase é lapidar, peremptória, irretorquível, solene e educativa e tem sido a bússola que norteia o imaginário hierárquico e o de estrita obediência de todos os Oficiais do Exército Brasileiro.

Contudo, aquela esplêndida construção literária merece devaneios. Senão vejamos: tal qual bula de remédio, poderia conter alertas sobre o seu uso indiscriminado, excessivo, em doses cavalares, fora de hora, e assim por diante. Ou ainda, caberia um aviso do tipo, em excesso pode acarretar efeitos colaterais, como a síndrome da subserviência. Ou mesmo, só vale no âmbito da caserna, ou só entre os militares, etc.

Em caso contrário, poderemos ter nas Instituições Militares um reduto de mudos, e ouviremos, defronte a qualquer disparate, um ensurdecedor silêncio.

A subserviência como a humildade, que no seu cerne é uma virtude, quando não aponta para a pequenez, facilmente pode ser diagnosticada como fraqueza, e os infectados por elas podem morrer de desmoralização, depois de engolirem cobras e lagartos ou testemunharem, sem retorquir, coisas de seu desagrado ou prejudiciais às suas instituições.

Destarte, cabe lembrar o filosofo Kant, que a propósito sentenciou ”Quem se transforma em minhoca não deve queixar–se, depois, de ser pisado”

Por isso, alguns julgam que a incorporação boçal e soberana daquele adágio pode germinar ao longo dos anos um mal que pode alastrar–se por qualquer militar, independentemente de sua posição hierárquica, levando–o a concordar com qualquer ato falho, desde que enunciado por uma “autoridade”, o que soará ao incauto, como uma grande verdade, mesmo que seja uma insossa venalidade. Por exemplo:

- Sicrano, civil e político, pouco afeito às qualificações e características de um bom cassetete, com “autoridade” sobre a organização, pede à “Guarda de Segurança Aleatória”, que necessita urgente de cassetetes, que na escolha do instrumento a ser adquirido por licitação internacional, não indique o melhor entre os analisados pela Corporação, alegando que a decisão sobre o cassetete poderá ser de cunho político, visando os interesses nacionais e blá, blá... e, portanto, o que menos interessa é a eficiência e o preço do cassetete.

[lendo o trecho destacado só consigo pensar nos Rafalle que o “Noço guia” quer empurrar goela abaixo da FAB e parece que vai conseguir.]

Assim, o devaneio, inconcebível no passado, poderá ser oportuno para os novos tempos.

Contudo, a perplexidade que perpassa na alma do soldado é a mesma que inunda hoje a amorfa Nação Brasileira. Assistimos, não apenas os militares, um assalto contínuo nas tradições democráticas, calamo – nos diante do infausto e do medonho como medrosos ratos.

Homens, de pretensas dignidades, de enaltecidas grandezas medram, não ousam, não reagem. Portanto, não cabe atirar a primeira pedra nos militares. É preciso virar a Nação de ponta cabeça, chutar seus fundilhos para que tenha vergonha, para que acorde.

[talvez, apenas talvez, os militares não mereçam receber a primeira pedra. Mas, são eles que possuem os meios e as condições para dar o primeiro passo virar o jogo e expulsar de vez a NOMENKLATURA que a cada dia mais se fortifica, se alimentando da omissão vergonhosa – que é também dos civis, mas pode ser sacudida, embora a primeira sacudidela caiba aos militares.

A revolta está fermentando, a pressão já atingiu o limite de ruptura e nós civis esperamos o chamamento de alguém com algum poder de fogo para mais uma vencermos os traidores da nossa Pátria.]

Breve, muito breve, a sociedade brasileira se submeterá totalmente aos humores e preceitos do Estado, subjugada aos seus desmandos e aos seus ditames.

Alimentamos e acalentamos com extremado zelo um insaciável dragão. Sem destino vagaremos como mortos–vivos em pleno século XXI. Ainda, aparvalhados dançaremos a melodia que tocarem, cantaremos loas aos seus heróis de barro, saltitaremos ao estalar do chicote da besta, adoraremos falsos ídolos como na idade das trevas, e o pior, sem pejo, lamberemos os dedos.

Fonte: Ternuma Regional Brasília

Por: Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

1 comentários:

Anônimo disse...

Só que pelo português, correto, a frase deveria ser: CadeteS, IDE comandar, aprendei a obedecer.

"ides" não existe. Ainda mais se utilizar somente: "cadete" e não "cadetes". Neste caso, os dois verbos estão conjugados erroneamente. Observe um dicionário e verás.

Abraço!