O senador Fernando Collor (PTB-AL) surpreendeu os colegas da bancada governista nesta terça-feira ao pedir vista do relatório final da CPI da Petrobras. O texto do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), livra a estatal de todas as denúncias que motivaram o início das investigações. A CPI deve ser encerrada até o fim desta semana.
O relatório de Jucá exalta os números positivos da Petrobras e isenta a estatal de qualquer irregularidade. Ele arquivou até as denúncias mais polêmicas sobre o superfaturamento na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e sobre patrocínio da Fundação José Sarney.
A oposição abandonou a CPI em outubro, em protesto contra o rolo compressor do governo que barrou a aprovação de dezenas de requerimentos que poderiam comprometer a estatal.
- A oposição concordou comigo. Na verdade, os senadores de oposição esperavam um palco eleitoral. Aí viram que investigar a Petrobras era uma fria e acabaram abandonando a CPI. Viram que o que existia de irregularidade já estava sendo apurado, que os mecanismos de controle funcionam bem - justificou Jucá.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento que pediu a criação da CPI, disse que nem lerá o relatório. Segundo ele, trata-se de um relatório escrito pela Petrobras.
- O relatório da oposição são as representações encaminhadas ao Ministério Público - disse o senador, que considerou a reunião da CPI uma confraternização natalina dos governistas.
- A reunião de hoje é apenas um convescote natalino da Petrobras com os governistas - acrescentou.
O vice-presidente da CPI, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ironizou as críticas da oposição.
- Parece que a oposição se deu por satisfeita. Talvez não queiram votar o relatório, mas não há mais o que debater.
A CPI seria encerrada nesta terça-feira se não fosse o pedido de vista de Collor. Jucá defendeu que os trabalhos fossem finalizados em 24h, mas o ex-presidente fez questão de ter o prazo regimental de cinco dias para devolver o relatório.
Fonte: O Globo

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