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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Companheiro Gabeira! colocando Battisti em uma fria

Battisti diz ter sido "mal aconselhado" por Gabeira; deputado nega

O italiano Cesare Battisti afirmou hoje ter sido "mal aconselhado" pelo deputado federal Fernando Gabeira quando cogitava pedir refúgio político no Brasil. O ativista italiano, que fugiu do país de origem em 1981, chegou ao Brasil em setembro de 2004 e está preso desde 2007.

Battisti prestou depoimento hoje na Segunda Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro, onde é investigado por ter supostamente usado um passaporte falso ao entrar no Brasil. O italiano negou as acusações e afirmou ter entrado no Brasil, por Fortaleza, sem apresentar documentos, uma vez que era esperado no aeroporto por policiais franceses e brasileiros.

Segundo ele, apesar de não ter usado o documento, ele tinha em seu poder um passaporte italiano autêntico, com a sua foto, mas com o nome de outra pessoa.

Ainda segundo o depoimento, esse passaporte teria sido roubado cerca de um ano depois. Battisti teria então recebido o documento francês no nome de Michael José Manuel Gutierrez, que foi apreendido pela Polícia Federal. O ativista garantiu ter sido monitorado pelas autoridades de Brasil e França durante todo o tempo em que esteve em liberdade no Brasil. "Em quase três anos de monitoramento, me conheciam melhor que a minha mãe", disse Battisti ao juiz Rodolfo Kronemberg Hartman.

Neste período, Battisti viveu graças aos royalties de obras publicadas e traduções. O dinheiro era entregue a ele por integrantes de um comitê internacional de apoio a refugiados políticos. Sobre sua ligação com Gabeira, Battisti afirmou que o deputado o acolheu quando chegou ao Rio de Janeiro e, posteriormente, passaram a se encontrar semanalmente. Questionado sobre as razões que o levaram a procurar abrigo no Brasil depois de ter passado por México e França, o italiano lembrou que outros refugiados italianos tiveram a extradição negada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Tinha contato com intelectuais e políticos brasileiros, inclusive o deputado federal Fernando Gabeira. A tradição do Brasil é não extraditar por crime político",
frisou Battisti.

Procurado pelo Valor, Gabeira negou ter aconselhado Battisti a não pedir o refúgio político. Segundo o deputado, quando o italiano chegou ao país, Gabeira, em nome do PV, procurou o ativista, uma vez que já tinha ajudado outros refugiados italianos.

"Mas eu não tinha condições de dar um conselho dessa natureza. Até então eu nem sabia quem ele era. Quem, como ele, diz que passou pela aduana sem entregar o passaporte, deve saber muito mais sobre a sua situação no país do que eu", disse Gabeira, que credita a uma estratégia da defesa a declaração dada por Battisti.

Gabeira confirmou que, depois da prisão de Battisti, fez algumas "gestões políticas" no Congresso para saber se poderia ajudar o italiano. "Mas concluí que não havia nenhuma (maneira de ajudá-lo). Estava a cargo do Supremo decidir qual seria a posição do Brasil", resumiu o deputado.

O advogado de Battisti, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, considerou "esclarecedor" o depoimento de seu cliente e afirmou que o italiano "está magoado" com Gabeira.

"Coletamos como testemunha e, não se sabe por que o deputado mandou ofício ao juiz dizendo que não sabia nada dos fatos e não podia contribuir com a Justiça", disse o advogado.
Fonte: Valor OnLine

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