Restituição de Zelaya é rejeitada
O congresso hondurenho decidiu na noite de ontem pela não restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya. Considerada a última chance de Zelaya voltar ao poder, a decisão foi marcada por uma votação bem definida.
Apenas 14 deputados apoiaram a restituição, enquanto a maioria absoluta – 111 – votou contra o regresso dele ao poder, informa ÉPOCA.
A votação ocorreu três dias depois das eleição de Porfírio Lobo à presidência do país, que declarou respeitar a decisão do Congresso
Congresso rejeita volta de Zelaya
Em decisão esperada, deputados hondurenhos negaram ao presidente deposto, Manuel Zelaya, o direito de retomar o poder. O interino Roberto Micheletti deve encerrar o mandato de Zelaya
O Congresso de Honduras, reunido em sessão extraordinária, rejeitou no fim da noite de quarta-feira (2) (horário de Brasília) a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya, em um movimento que deve agravar ainda mais as divergências internas da Organização dos Estados Americanos (OEA), dividida em blocos liderados pelo Brasil e pelos Estados Unidos.
A votação desta quarta-feira estava prevista no chamado acordo Tegucigalpa/San José, assinado no fim de outubro por representantes de Zelaya e do governo interino com mediação da Casa Branca. O acordo não determinava a volta automática de Zelaya, mas exigia que o Congresso deliberasse sobre o assunto. Dos 128 deputados, 111 votaram contra a volta de Zelaya enquanto apenas 14 foram favoráveis. Três não compareceram à votação.
A decisão deve ampliar as pressões internacionais sobre Honduras. Em outubro, quando assinou o acordo Tegucigalpa/San José, Zelaya o fez após receber a indicação de que muitos dos deputados seriam favoráveis ao seu retorno. A contrapartida de Zelaya foi acatar as eleições presidenciais que elegeriam seu substituto e que ocorreriam apenas depois que o Congresso votasse sua restituição.
O acordo começou a ruir quando a votação no Congresso foi postergada para esta quarta-feira (2), enquanto as eleições ocorreram no último domingo (29). A mudança de posição do governo interino de Roberto Micheletti foi apoiada por Estados Unidos, o país de maior peso na OEA, Colômbia, Canadá, Panamá e Peru e combatida por um bloco de países liderado pelo Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insiste que não vai reconhecer a vitória obtida por Porfirio "Pepe" Lobo no domingo (29) e o afastamento definitivo de Zelaya certamente tornará ainda mais firme a posição brasileira. Dos Estados Unidos é possível esperar a manutenção do apoio a Porfírio Lobo, já que o acordo Tegucigalpa/San José não previa a restituição de Zelaya, e sim uma votação sobre o assunto, o que de fato foi feito.
Roberto Micheletti, que tirou uma licença de uma semana no período eleitoral, deve voltar ao poder nesta quinta-feira (3) para encerrar o mandato de Zelaya, até janeiro, quando Porfírio Lobo assumirá a Presidência.
Abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro, Zelaya deve agora esperar o desfecho de uma outra decisão prevista no acordo – a publicação de uma lei de anistia. Acusado de crimes como traição, Zelaya não pode deixar o edifício brasileiro sob pena de ser preso. Se uma lei de anistia não for aprovada, a única solução de Zelaya para evitar a prisão será um pedido de asilo político.
Zelaya foi tirado do poder nas primeiras horas de 28 de junho, quando militares invadiram sua residência oficial e o deportaram, de pijama, para a Costa Rica. A invasão foi o ápice de uma crise política iniciada depois que Zelaya, um aliado político do polêmico presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descumpriu seguidamente determinações judiciais que proibiam a convocação de um referendo sobre a instalação de uma Assembleia Constituinte em Honduras.
[deve ser registrado que quem deu o primeiro passo para o rompimento do acordo mediado pelo presidente da Costa Rica foi o golpista Zelaya quando encerrou de forma brusca e unilateral as negociações que cuidavam da operacionalização do acordo.
O Zé Laia confiou nos seus aliados esquecendo que nas Américas a palavra final sobre qualquer assunto é sempre dos EUA.]

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