Criança acorrentada em Santa Catarina é libertada
Menino acorrentado em Santa Catarina sofria agressão desde os 2 anos, diz vizinha
O menino de nove anos encontrado com os pés acorrentados dentro de casa em Palhoça, na Grande Florianópolis, teria sofrido agressões desde os dois anos de idade. A afirmação é de uma vizinha. Outros moradores do bairro Caminho Novo, que não quiseram se identificar confirmaram os maus-tratos ao menino. A vizinha estava desconfiada havia algum tempo:
- Eu tenho uma relação boa com a mãe dele. Só reclamava quando ele apanhava, o que acontecia desde que ele tinha dois anos. Há uns dias ele desapareceu da rua, e muita gente já dizia que ele ficava amarrado dentro de casa - lembrou.
De acordo com os vizinhos, a mulher passava o dia em seu brechó, no mesmo bairro, para onde levava as três filhas. O pai também trabalhava fora, e o garoto ficava sozinho.
- A mãe dele disse que ele fugia. Mas ele fugia era para não apanhar. Várias vezes eu ouvi gritos dele. Ele era carente, só queria brincar.
Uma vizinha disse que, na quarta-feira, ouviu um pedido de socorro:
- Ele dizia: me tira daqui, me tira daqui. Eu chamei o menino, mas ele disse que estava acorrentado - contou a mulher.
Ela pediu ajuda a um outro morador, que arrombou a porta da casa e libertou a criança. Havia um balde para as necessidades.
Mais tarde, a Polícia Militar prendeu a mãe. A delegada Gisele de Farias Jerônimo disse que a mulher foi presa em flagrante por cárcere privado. A pena é de um a três anos.
- A mãe contou que o filho costumava fugir de casa e voltar dois ou três dias depois. Por isso ela o teria acorrentado - afirmou a delegada.
Nesta quinta-feira, no Instituto Médico Legal (IML), o menino disse que apanhava de mangueira da mãe, mas que queria vê-la. O conselheiro tutelar Lorival Espíndola contou que a criança pediu que não colocassem a mãe nas grades do camburão e que queria telefonar para ela.
De acordo com o advogado da Infância e Juventude Ênio Gentil Vieira Júnior, a criança poderá ter três destinos depois de a família passar por acompanhamento psicológico.
- Se for um caso isolado e a família tiver condições, ele volta para casa. Caso contrário, ele entrará para um programa de adoção ou ficará no abrigo. Outra alternativa é a chamada família extensa ampliada. Um tio ou um avô podem recebê-lo.

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