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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEM amarela com o DEMensalão

Expulsão adiada

Após a enxurrada de denúncias contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o DEM ameaçou expulsá-lo da legenda. Mas a ameaça não durou muito tempo. Após uma reunião tensa de duas horas na tarde de ontem, os líderes do DEM voltaram atrás.

O recuo veio após a declaração de Arruda publicada no portal da Folha: “Se o partido radicalizar comigo, radicalizo também. Nova denúncia do escândalo, que já é chamado de mensalão do DF, foi publicada no Estadão. O PPS, que anunciou ontem sua saída do governo de Arruda, é acusado em vídeo de praticar chantagem e pedir propina à empresa Uni Repro, responsável pela prestação dos serviços gráficos da Secretaria da Saúde do Distrito Federal, comandada pelo deputado filiado ao PPS Augusto Carvalho.

De acordo com a gravação, parte do dinheiro teria sido destinada ao presidente da legenda, ex-deputado Roberto Freire.

Arruda ameaça e DEM desiste de ‘expulsão sumária’

Partido tende a abrir processo e analisar defesa do filiado

Coube a Demóstenes Torres (GO) eletrificar o ambiente. Primeiro, o senador soprou. Disse a Arruda que ele tem “grande chance” de safar-se das acusações de corrupção no âmbito judicial. Elogiou a competência dos advogados do governador – José Eduardo Alckmin e Flávio Cury—, presentes à conversa.

Depois, Demóstenes mordeu. Afirmou que, no âmbito partidário, Arruda está sujeito aos rigores do estatuto do DEM. Prevê, para transgressões graves, a expulsão sumária. Demóstenes soou duro: “Vou votar pela expulsão sumária. Me perdoe a franqueza. Mas, daqui a pouco, vou dizer isso lá fora e você pode se sentir traído. Então, prefiro dizer agora”.

O senador Heráclito Fortes (PI), que se reunira com Arruda na noite da véspera, interveio. Na contramão de Demóstenes, sugeriu que o partido se limitasse a nomear uma “comissão de alto nível” para acompanhar as investigações abertas contra Arruda.

O deputado ACM Neto (DEM-BA) saiu-se com uma fórmula intermediária. Propôs a abertura de um processo disciplinar. Coisa que poderia resultar em mera advertência, suspensão ou, no limite, a expulsão do partido.

E Demóstenes: “Já que minha opinião é divergente, mantendo a posição”. Foi socorrido pelos líderes do partido no Congresso. Ronaldo Caiado (DEM-GO), líder na Câmara, disse que votaria na mesma linha de Demóstenes. José Agripino (DEM-RN), líder no Senado, informou que também pendia para a expulsão sumária.

Demóstenes não se deu por achado. Promotor licenciado, o senador faz uma analogia entre o procedimento político e uma ferramenta judicial.

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Aliado de Arruda, secretário do PPS, Augusto Carvalho, é acusado em vídeo da propina

Diretora de empresa diz que integrante do partido pediu dinheiro para manter contrato com Secretaria da Saúde

A investigação do "mensalão do DEM", no Distrito Federal, inclui um vídeo em que a diretora de uma empresa acusa o PPS de praticar chantagem e pedir propina para manter um contrato de R$ 19 milhões com a Secretaria de Saúde, comandada pelo deputado Augusto Carvalho, filiado ao partido. Parte do dinheiro, segundo o diálogo, teria sido destinada ao presidente da legenda, ex-deputado Roberto Freire (SP).

O PPS anunciou ontem a saída da gestão do governador José Roberto Arruda (DEM), acusado de montar o esquema de corrupção que arrecadava propinas e distribuía o dinheiro entre secretários e deputados distritais da base aliada.

A declaração que compromete o partido foi feita pela diretora comercial da Uni Repro Serviços Tecnológicos Ltda, Nerci Soares Bussamra, em conversa com Durval Barbosa, então secretário de Relações Institucionais do governo e autor da gravação obtida pelo Estado.

No diálogo, ela afirma que Fernando Antunes, presidente do PPS-DF e subsecretário de Saúde, achacou a empresa por meio de uma auditoria nos contratos e pediu dinheiro para o PPS. Segundo ela, Antunes afirmou: "Eu só queria que vocês ajudassem o partido." A Uni Repro recebe R$ 1,6 milhão por mês para prestar serviços gráficos à pasta da Saúde.

No vídeo, Barbosa - demitido sexta-feira, após a revelação de que havia resolvido colaborar com a investigação da Polícia Federal - pergunta a Nerci: "Mas quem é que recebe o dinheiro?" Ela responde: "Ele mesmo. Ele e o irmão dele." Barbosa volta a indagar: "O Antunes?" E ela repete: "Ele e o irmão."

O então secretário de Relações Institucionais pergunta sobre quem faz o pagamento. "Eu e, às vezes, até o dono em São Paulo já fez, porque ele (Antunes) tem o partido lá, né?", diz Nerci. Logo depois, ela cita Freire. "Na última conversa que eu tive com ele (Antunes), ele pediu dinheiro para o partido dele, né, para ajudar o Freire em São Paulo e eu não disse não pra ele." Em outro vídeo, a empresária entrega uma sacola de loja de sapatos para Barbosa com maços de notas de R$ 100 e R$ 20. Após a contagem do dinheiro, ela deixa o local. Barbosa então se vira para a câmera de vídeo e mostra uma caixa com a dinheirama.

"DAR UMA FREADA"

Após o encontro com Nerci, Barbosa, de acordo com o inquérito, procurou Arruda no dia 21 de outubro e reclamou da posição do PPS, que teria montado, conforme o delator, um esquema próprio de arrecadação de recursos ilícitos, atrapalhando os planos do DEM.

"Cê tem de pegar o Antunes e dar uma freada", diz Barbosa a Arruda, conforme transcrição do inquérito. "Também acho", responde o governador. Arruda afirma, então, que gostaria de mudar o comando da secretaria. Barbosa destaca: "O Augusto mais o Antunes tomaram muito dinheiro dela, muito." E completa: "Sei que andaram tomando tudo quanto é dinheiro da mulher e da empresa lá."

Em outro depoimento, Barbosa relata ainda que Carvalho, Antunes e o empresário Alcyr Collaço dividiam uma propina de R$ 60 mil mensais por meio de um contrato de atendimento telefônico com a empresa Call Tecnologia, prestadora de serviços à Secretaria de Saúde, mas contratada pela estatal Codeplan.

Procurado pelo Estado, Antunes confirmou conhecer Nerci. "Encontrei com ela por duas ou três vezes na secretaria"
, disse. Mas negou a afirmação de que pediu dinheiro para ajudar o PPS e o presidente da legenda. "Não existe essa possibilidade. Desconhecemos isso. Está ficando evidente que o Durval tinha esse vídeo para mandar recados", afirmou. Segundo Antunes, a secretaria chegou a reduzir o valor do contrato com a Uni Repro. "Eu podia apertar e pedir dinheiro diminuindo a fatura?"

Freire afirmou que também desconhece o conteúdo das acusações. "Não tenho nada com isso. Não autorizei ninguém a usar meu nome para pedir dinheiro", reagiu o presidente do PPS. A reportagem ligou duas vezes para o celular de Carvalho, deixou recado, mas não teve resposta até fechamento da edição.

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