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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Desmoralizando a 'Prova Irrefutável'

AVACALHANDO A “PROVA IRREFUTÁVEL”

Um dos mais gritantes atestados de que a nossa sociedade vai de mal a pior é a distorção de antigos princípios, que pétreos durante centenas de anos, no decorrer dos últimos, foram graciosamente subvertidos.

Realmente, tais distorções são saudadas com júbilo pela maioria dos indivíduos. É a lei do menor esforço, da impunidade, da mutreta golpista, do compadrio e da malandragem. Além disso, é mais prazeroso receber sem esforço, do que desgastar–se para fazer jus a alguma paga. Como nem sempre os indivíduos recebem àquela que consideram uma justa paga e, considerando que o beneficiado nem sempre ficará satisfeito, resta o recurso da delinqüência, do assalto, do roubo e do golpe e da corrupção para alcançar os bens que o sacripanta cobiça.

Observamos a generalização deste tipo de atitude, que condenada para consumo externo, na prática, mostra–se débil diante dos apelos à vida fácil. Tais distorções podem ser debitadas a vários fatores. A impunidade, sem dúvida é uma delas. Ou melhor, vem reforçá–la. Seria o caso de perguntarmos se o individuo é patife por impune ou é impune por pretender seus “inocentes” delitos como aceitáveis ou perdoáveis.

No atual cenário, não nos faltam exemplos para ilustrar o fenômeno da inversão de valores, onde se honra o patife, e se desanca o correto. O fenômeno não é nacional, ocorre à larga, mas aqui, atinge o seu clímax.

Muitos cantam loas ao fim dos governos militares, e com razão. Abriram–se as portas do vale-tudo. É como se um dique de lama se rompesse e de roldão cobrisse as plagas nacionais com os mais baixos espécimes do gênero humano. Vermes acalentados e nutridos pelo desgoverno.

Hoje, na terra do magnífico Caxias, imersos em permanente gandaia, adormecidos pelos discursos do “fauno da hipocrisia” e embalados por perfumadas pesquisas, acordamos com o escândalo nosso de cada dia.

Na berlinda, de novo, o famigerado Arruda. Assistimos no palco do DF a mais um tenebroso ato da tragicômica peça da série, a política nacional como ela é – “A Corrupção, o cimento da vigarice”.

Como de praxe, a negativa.

A prova irrefutável desmorona diante do pandemônio provocado pelos acusados. Não adiantam os flagrantes do ato. Nada mais do que uma irada reação de brios ofendidos e de indignados protestos para soterrar as mais contundentes acusações.

Não bastasse a desmoralização das provas, enfraquecendo–as, distorcendo–as, de modo à transformá-las em inócuas e torpes ações desesperadas de inimigos políticos, aniquilando qualquer processo de justiça no nascedouro, os velhacos dispõem, ainda, de um arsenal poderoso de artimanhas e uma blindagem ímpar de salvaguardas.

O patético Arruda, para o seu desespero, ao que parece, não receberá as bênçãos do “abjeto parlapatão” para livrá-lo das denúncias. Mas, poderá contar com a asquerosa maioria na Câmara, uma barreira inicial para a impunidade, visto que a couraça invencível que une os canalhas, em geral, é indestrutível. Como sabemos, o inimigo dispõe de sólidas muralhas e obstáculos intransponíveis para obstar qualquer ação da justiça, culminando com o subterfúgio do afastamento do cargo, salvo- conduto para o arquivamento de todas as acusações. Para o deleite e orgasmo do PT/DF.

Vigora, no contexto, o mafioso espírito parlamentar da auto–preservação, que é o seu “modus faciendi”. Assim, todos estão ligados por uma trama de patifarias que impõe, por vezes, o silêncio sepulcral ou a convergência das alegações. Não fizemos, não sabemos, não ouvimos, não vimos, muito pelo contrário.

“E la nave va”.

Fonte: Ternuma Regional Brasília

Por: Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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