Causas do apagão
O relatório do grupo de trabalho criado pelo governo federal para analisar as causas do apagão, que deixou 18 Estados do país às escuras no dia 10 de novembro, deverá ser concluído hoje. Além dos motivos da queda de energia, o governo deverá divulgar também o Relatório de Análise de Perturbação, que enumera passo a passo o que aconteceu no dia do blecaute.
Entre as hipóteses está o excesso de chuva, que teria comprometido o funcionamento dos isoladores – equipamentos que servem para compensar elevações abruptas da tensão. De acordo com reportagem do UOL Notícias, uma das possíveis soluções para evitar que essa eventual falha se repita é a instalação de guarda-chuvas para proteger os isoladores da água
Relatório sobre causas do apagão deve sair hoje
O grupo de trabalho criado pelo governo federal para analisar as causas do apagão, que deixou 18 Estados do país às escuras no dia 10 de novembro, deverá concluir seu relatório final nesta quinta-feira (10). O RAP (Relatório de Análise de Perturbação), que relata passo a passo o que aconteceu no dia do blecaute, também será concluído hoje.
A diferença entre os dois documentos é que o RAP descreve o que aconteceu e o relatório final aprofunda a análise das causas e elabora sugestões para evitar que o problema se repita.
Entre as hipóteses com as quais o governo trabalha está a de que o excesso de chuva comprometeu o funcionamento dos isoladores - equipamentos que servem para compensar elevações abruptas da tensão. Uma das possíveis soluções para evitar que essa eventual falha se repita é a instalação de guarda-chuvas para proteger os isoladores da água.
Relembre o caso
O apagão afetou 18 Estados do país pouco depois das 22h do dia 10 de novembro. Em alguns, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, a energia só foi restabelecida ao longo da madrugada. O Paraguai, que faz fronteira com o Brasil, também teve problemas de abastecimento. Somente na região Sudeste, cerca de 50 milhões de pessoas ficaram às escuras.
Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte foram parcialmente afetados pelo blecaute.
A falta de energia causou prejuízos para as empresas estatais que administram o saneamento básico no Sudeste. Com as máquinas sendo ligadas e desligadas, as alterações na circulação de água produziram mudanças bruscas de pressão e ressecamentos nos mecanismos, obrigando os técnicos das companhias a enfrentar turnos inesperados de reparo dos danos e manutenção das tubulações. No total, cerca de 8,5 milhões de habitantes dessa região foram afetados pelo desabastecimento.
Nos Estados mais atingidos do país, houve problemas de trânsito e diversas ocorrências, como acidentes, além do registro de crimes e mortes. Em São Paulo os bombeiros atenderam 169 chamados de pessoas presas no elevador e mais de 500 controladores de tráfego foram convocados à noite e na madrugada para orientar motoristas e ajudar a evitar acidentes. Os mais de 4.000 semáforos da cidade entraram em colapso. O metrô e os trens pararam de funcionar.
As causas do apagão foram bastante controversas. O governo fala em fatores climáticos que teriam afetado linhas de transmissão. O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que o desligamento de três linhas de transmissão foi a causa do problema: duas delas ligam Ivaiporã, no centro do Paraná, a Itaberá, em São Paulo.
Mesmo sem o relatório final pronto, o ministério confirmou, pouco tempo depois, que o motivo do blecaute foi um curto-circuito que derrubou que três linhas de alta tensão, na subestação de Furnas, em Itaberá (SP).
Especialistas contestam governo e criticam sistema elétrico brasileiro
Enquanto o governo aponta complicações meteorológicas no interior de São Paulo como causa única do apagão que afetou 18 Estados do país na noite de terça-feira (10), especialistas ouvidos pela reportagem do UOL Notícias contestam e criticam o cenário do sistema elétrico brasileiro.
Para o ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, um problema de gestão pode ser apontado como provável causa do apagão. Para ele o sistema de energia brasileiro não consegue praticar o que os especialistas chamam de "isolamento", impedindo o efeito dominó de uma eventual sobrecarga ou mau funcionamento operacional, aliado a uma provável questão meteorológica.
Já o especialista em setor energético Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), diz que a causa do apagão também pode estar relacionada à falta de manutenção.
"O sistema é projetado para permanecer estável para mudanças climáticas. Apenas tufões, furacões, queda de avião, caminhão que atropela torre ou abalos extremamente graves e muito improváveis não são compreendidos no projeto das usinas, porque cobrir o sistema para todo tipo de evento seria muito caro. Mas raios não explicam de jeito nenhum o apagão", disse.
O engenheiro Roberto Schaeffer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o blecaute pode ser resultado da falta de capacidade de cabos de transmissão secundários compensarem a interrupção do fluxo na principal via de escoamento da energia da usina de Itaipu para o resto do país.
Fonte: UOL Notícias

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