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domingo, 13 de dezembro de 2009

A política externa do Lula envergonha o Brasil

À espera de um carinho

Quando Lula apelou pela intervenção americana em Honduras, talvez devesse ter ponderado que, uma vez chamados a decidir, os americanos decidiriam conforme o interesse deles. E não conforme o de Lula, Hugo Chávez e Manuel Zelaya

A projeção internacional da imagem de Luiz Inácio Lula da Silva e a afirmação soberana do Brasil no cenário mundial são fonte de poder político interno do presidente da República e do partido dele. O tema foi bem explorado pelo PT no programa de tevê da legenda, na última quinta-feira. Fez-se a oposição entre o “Brasil altivo” de Lula e o “Brasil reverente” de Fernando Henrique Cardoso.

Aqui e ali ouvem-se resmungos tucanos de que a história não é bem essa, de que o PT deforma os fatos para adequar aos propósitos políticos dele. Ora, quem está atrás de justiça e honestidade intelectual a qualquer custo deve manter distância prudente da atividade política profissional. Especialmente em terras como a nossa, que engatinham na construção de instituições capazes de proteger a sociedade contra a selvageria e a mistificação inerentes à luta pelo poder.

Não dá para o sujeito querer ser simultaneamente político e crítico profissional da política.

Lula ordenha com método a vaca leiteira dessa fonte de autoestima nacional, e com razão. Num país marcado pelo complexo de inferioridade, e que a rigor nunca conseguiu — nem com Lula — uma vitória expressiva contra os polos hegemônicos, afrontar já é uma façanha. Ou, pelo menos, pode ser narrado como tal. Nunca fui ao Vietnã, mas amigos que lá estiveram contam o cuidado e a elegância dos vietnamitas quando falam da vitória na guerra contra os Estados Unidos. Quem ganha não precisa tripudiar. Já para quem perde, tripudiar é sempre um jeito de buscar compensação.

O Brasil enfrentou os americanos na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio e perdeu. Enfrentou também quando propôs a substituição do G8 pelo G20, e que os emergentes tivessem voz na eventual reforma do sistema financeiro mundial. Também deu em nada. O G8 vem sendo susbstituído é pelo G2 (EUA e China). Lula gingou, mudou sua posição sobre as metas de emissão de carbono para posicionar-se como o líder mundial da luta contra as mudanças climáticas, mas o Brasil não deixou de ser tratado como coadjuvante nos debates sobre o aquecimento global. Aliás, o nosso etanol, principal produto do caixeiro-viajante número 1, continua sem mercado lá fora.

E daí? E daí nada. O importante na estratégia não é obter vitórias materiais, mas reforçar a imagem de Lula aqui dentro, vitaminando a percepção de que nosso presidente “enfrenta os poderosos”. Um Gamal Abdel Nasser brasileiro. O líder egípcio perdeu todas as guerras em que entrou, mas construiu para si a biografia de comandante glorioso da luta anti-imperialista. O sucessor dele, Anwar El Sadat, reconquistou no campo de batalha e na mesa de negociações cada centímetro de território tomado do Egito nos revezes de Nasser, mas não alcançou o status simbólico do antecessor.

Nem sempre, entretanto, as coisas andam conforme o planejado. Em Honduras, Lula quebra a cabeça para encontrar um jeito de se declarar vencedor, algo que Nasser fazia com maestria a cada derrota. Lula tem dificuldades no caso, talvez por um erro estratégico da diplomacia brasileira: deixou de lado a defesa intransigente da autodeterminação dos povos e encampou o “intervencionismo justo”, quando praticado para “proteger a democracia”. Qualquer semelhança com a Doutrina Bush não é mera coincidência.

Antes de Lula apelar pela intervenção americana em Honduras, talvez devesse ter ponderado que, uma vez chamados a decidir, os americanos decidiriam conforme o interesse deles. E não necessariamente conforme o interesse de Lula, Hugo Chávez e Manuel Zelaya. Celso Amorim deveria ter alertado o presidente sobre isso. Não fez, por submissão e porque avaliou que restituir Zelaya seria um passeio, propício para Lula faturar.

Deu errado, e Lula ficou com o mico na mão. Foi passado para trás pelos americanos depois de pedir ajuda aos americanos. E a imagem interna do Lula “líder invencível dos pobres na luta contra os ricos” não pode se dar ao luxo de exibir rachaduras. Qual é hoje o principal problema nas relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos? É que Lula está tomando um baile de Barack Obama. E sob pressão Lula começa a errar demais. Como na coletiva em que desancou a chanceler alemã por causa do programa nuclear do Irã.

Por: Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@dabr.com.br
Correio Braziliense

[se o Lula tivesse condições de pensar (pensar não é para quem quer e sim para quem sabe, já falar asneiras, dizer palavrões é fácil) - teria deduzido que interferir nos assuntos internos de Honduras, ficar a favor do golpista Zelaya era burrice.
Mas orientado pelo 'chanceller de fato' Marco Aurélio TOP TOP Garcia, conforme os ditâmes do Foro de São Paulo - FSP, fez a bobagem de ignorar que todos os procedimentos adotados por Roberto Micheletti, pelo Congresso hondurenho, idem Suprema Corte e Forças Armadas de Honduras seguiram rigorosamente os trâmites constitucionais e portanto o apoio ao Zelaya - consentindo que o mesmo, em flagrante desrespeito as normas diplomáticas que dispõe sobre asilo político , transformasse a embaixada brasileira em Tegucicalpa em palanque político - seria mais uma mancada histórica da política externa seguida pela NOMENKLATURA lulo-petista.
Agora é segurar o mico senhor Lula.]

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