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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Por que Lula não vai processar César Benjamim? medo que ele fale mais

Lula não vai processar Cesar Benjamin por escrever que “filho do Brasil” tentou estuprar colega de cela na ditadura

Versões da Históriapouco abonadoras do seu mal contado passadovoltam a tirar do sério Luiz Inácio Lula da Silva. A mais recente foi contada ontem em um artigo “Os filhos do Brasil” - do jornalista César Benjamin um dos fundadores do PT, agora ligado ao PSOL – na página A8 do jornal Folha de S. Paulo. Benjamin relatou uma conversa com Lula, durante a campanha de 1994, na qual o sindicalista lhe narrou um fato bizarro: a tentativa de estuprar um companheiro de cela, durante os 31 dias em que ficou preso no DOPS, em 1980.

Lula teria ficado “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque de Cesar Benjamin. Pelo menos esta foi a versão apresentada ontem pelo chefe de gabinete de Lula.

O ex-seminarista Gilberto Carvalho justificou que Lula classificou de “loucura” a versão de Bejnamin de que tentara violentar um colega de cela. Apesar de tudo ser chamado de loucura, Gilberto Carvalho ponderou que Lula não pretende processar Benjamin pelo que escreveu.

A desculpa de Gilberto Carvalho – não se sabe se falando por si mesmo ou por Lula
foi: "Não vamos dar a mínima importância (ao episódio). Vamos nos sujar se fizermos isso. Quando a coisa é séria a gente reage. Quando não é (ignoramos)". Mesmo assim, o sempre comedido Gilberto não poupou Benjamin de um violento ataque verbal: “Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura".

No artigo,
Benjamin narrou uma conversa com o então candidato do PT à Presidência da República, em 1994. Benjamin contou que Lula lhe perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Na versão de Benjamin, surpreendido com a resposta de que passara "alguns anos na prisão", Lula teria dito: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta...".

Benjamin escreveu na Folha de S.Paulo: “Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de menino do MEP, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do menino, que frustrara a investida com cotoveladas e socos”.

Traduzindo o ditadurês
MEP era a sigla do Movimento de Emancipação do Proletariado, dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que optou pela luta armada para tentar implantar o comunismo no Brasil.
Lula foi detido pela polícia política, cuja inteligência era comandada pelo hoje senador Romeu Tuma, no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas.

Testemunhas
Cesar Benjamin, o Cesinha, revelou que a conversa foi acompanhada por pelo menos quatro testemunhas:
Um marketeiro norte-americano (que não sabia português, e não entendeu nada que Lula falou, para sorte dele);
O publicitário Paulo de Tarso – que ontem teria negado tal versão a Gilberto Carvalho, alegando que “não entendeu o que deu na cabeça desse menino (Cezinha)”.
O segurança de Lula, chamado Espinosa – que também não botaria o chefão numa gelada...
E um quatro elemento, um publicitário brasileiro, cujo nome Benjamin escreveu ter esquecido...
O duro é se o tal publicitário misterioso vier a público confirma a historinha bizarra escrita por Cesar Benjamin – que é editor da Editora Contraponto e colunista da Folha de S. Paulo.

E o nome do rapaz?
O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Enilson Simões de Moura, o Alemão, também estava na cela e Lula no DOPS. Alemão classificou de "absurdo" o texto de Benjamin, e recordou:

"
O que eu lembro é que, brincando com uma bola de basquete, Lula acertou sem querer a cara do rapaz do MEP".
Alemão só não lembra o nome do tal rapaz que foi “encestado” pela bola de Lula... A Veja deste final de semana sugere que o nome do rapaz é João Batista dos Santos.

Referência ao “BOI”
No artigo “Os filhos do Brasil”, logo no primeiro parágrafo, Cesar Benjamin dá destaque, entre aspas, duas vezes, a uma palavra: “BOI”:

“A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”.

Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade”.

Na versão pouco conhecida de policiais que atuaram no DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), na época sob o comando do hoje senador Romeu Tuma, “Boi” era o codinome pelo qual era conhecido um famoso sindicalista que dedurava adversários no sindicato ao sistema de repressão da época.

Como o então delegado e hoje senador Romeu Tuma não fala sobre tal passado, toda a história fica no dito pelo não-dito.

Edição do Alerta Total
Leia também o Fique Alerta
Por Jorge Serrão

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