Lula não vai processar Cesar Benjamin por escrever que “filho do Brasil” tentou estuprar colega de cela na ditadura
Versões da História – pouco abonadoras do seu mal contado passado – voltam a tirar do sério Luiz Inácio Lula da Silva. A mais recente foi contada ontem em um artigo “Os filhos do Brasil” - do jornalista César Benjamin um dos fundadores do PT, agora ligado ao PSOL – na página A8 do jornal Folha de S. Paulo. Benjamin relatou uma conversa com Lula, durante a campanha de 1994, na qual o sindicalista lhe narrou um fato bizarro: a tentativa de estuprar um companheiro de cela, durante os 31 dias em que ficou preso no DOPS, em 1980.
Lula teria ficado “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque de Cesar Benjamin. Pelo menos esta foi a versão apresentada ontem pelo chefe de gabinete de Lula.
O ex-seminarista Gilberto Carvalho justificou que Lula classificou de “loucura” a versão de Bejnamin de que tentara violentar um colega de cela. Apesar de tudo ser chamado de loucura, Gilberto Carvalho ponderou que Lula não pretende processar Benjamin pelo que escreveu.
A desculpa de Gilberto Carvalho – não se sabe se falando por si mesmo ou por Lula – foi: "Não vamos dar a mínima importância (ao episódio). Vamos nos sujar se fizermos isso. Quando a coisa é séria a gente reage. Quando não é (ignoramos)". Mesmo assim, o sempre comedido Gilberto não poupou Benjamin de um violento ataque verbal: “Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura".
No artigo, Benjamin narrou uma conversa com o então candidato do PT à Presidência da República, em 1994. Benjamin contou que Lula lhe perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Na versão de Benjamin, surpreendido com a resposta de que passara "alguns anos na prisão", Lula teria dito: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta...".
Benjamin escreveu na Folha de S.Paulo: “Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de menino do MEP, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do menino, que frustrara a investida com cotoveladas e socos”.
Traduzindo o ditadurês
MEP era a sigla do Movimento de Emancipação do Proletariado, dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que optou pela luta armada para tentar implantar o comunismo no Brasil.
Lula foi detido pela polícia política, cuja inteligência era comandada pelo hoje senador Romeu Tuma, no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas.
Testemunhas
Cesar Benjamin, o Cesinha, revelou que a conversa foi acompanhada por pelo menos quatro testemunhas:
Um marketeiro norte-americano (que não sabia português, e não entendeu nada que Lula falou, para sorte dele);
O publicitário Paulo de Tarso – que ontem teria negado tal versão a Gilberto Carvalho, alegando que “não entendeu o que deu na cabeça desse menino (Cezinha)”.
O segurança de Lula, chamado Espinosa – que também não botaria o chefão numa gelada...
E um quatro elemento, um publicitário brasileiro, cujo nome Benjamin escreveu ter esquecido...
O duro é se o tal publicitário misterioso vier a público confirma a historinha bizarra escrita por Cesar Benjamin – que é editor da Editora Contraponto e colunista da Folha de S. Paulo.
E o nome do rapaz?
O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Enilson Simões de Moura, o Alemão, também estava na cela e Lula no DOPS. Alemão classificou de "absurdo" o texto de Benjamin, e recordou:
"O que eu lembro é que, brincando com uma bola de basquete, Lula acertou sem querer a cara do rapaz do MEP".
Alemão só não lembra o nome do tal rapaz que foi “encestado” pela bola de Lula... A Veja deste final de semana sugere que o nome do rapaz é João Batista dos Santos.
Referência ao “BOI”
No artigo “Os filhos do Brasil”, logo no primeiro parágrafo, Cesar Benjamin dá destaque, entre aspas, duas vezes, a uma palavra: “BOI”:
“A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”.
Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade”.
Na versão pouco conhecida de policiais que atuaram no DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), na época sob o comando do hoje senador Romeu Tuma, “Boi” era o codinome pelo qual era conhecido um famoso sindicalista que dedurava adversários no sindicato ao sistema de repressão da época.
Como o então delegado e hoje senador Romeu Tuma não fala sobre tal passado, toda a história fica no dito pelo não-dito.
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