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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sean será entregue ao pai biológico.

Sean Goldman deverá ser entregue ao pai biológico

Pai adotivo e familiares do menino desistem de recorrer.

Decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou ontem que Sean Goldman seja entregue por sua família brasileira ao pai biológico David Goldman em um prazo de 48 horas. Gilmar Mendes concluiu que a manutenção do menino no Brasil é irregular e contraria um tratado internacional. Segundo reportagem do Estado, a família de Sean no Brasil poderá recorrer da nova decisão, mas o recurso só poderá ser analisado pelo plenário do Supremo, integrado pelos 11 ministros. Como o tribunal está em recesso e somente voltará a reunir-se no início de fevereiro será muito difícil encontrar uma saída jurídica que impeça a viagem de Sean para os Estados Unidos.

Presidente do STF devolve S. ao pai

Mariângela Gallucci

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou ontem a entrega do menino S., de 9 anos, para o pai, David Goldman, que vive nos Estados Unidos. Mendes restabeleceu decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região que determinou que o garoto fosse levado ao Consulado no Rio e cassou decisão tomada na semana passada pelo colega Marco Aurélio Mello, que ordenava a permanência do menino. Com isso, a partir da comunicação oficial à família, será reaberto o prazo de 48 horas para a entrega do menino ao pai.

S. veio para o Brasil em 2004 com a mãe, a estilista Bruna Bianchi. No Brasil, Bruna resolveu separar-se de David Goldman, não retornou aos EUA e, posteriormente, se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, Bruna morreu após o parto da segunda filha. De lá para cá, Goldman e Lins e Silva disputam a guarda do menino. Na semana passada, graças ao despacho de Marco Aurélio, a família tinha conseguido suspender a decisão do TRF que determinava a entrega do menino e consequente viagem para os Estados Unidos. Desse despacho recorreram o pai do garoto e a Advocacia Geral da União (AGU).

Gilmar Mendes concluiu que a manutenção do menino no Brasil é irregular e contraria um tratado internacional. "É importante considerar, inclusive, que o acórdão do TRF da 2.ª Região assentou a configuração de retenção ilícita do menor S., nos termos do tratado internacional. A repercussão jurídica, política e social - sobretudo em âmbito internacional - é de extrema gravidade. Assim, não há como se negar a ilicitude da conduta de manutenção da criança no Estado brasileiro".

Mendes ressaltou que a decisão judicial do TRF que determinou a entrega do menino ao pai assegurou um acordo de visitação entre os parentes brasileiros e americanos. Em seu despacho, ele reconheceu que a orientação do STF é no sentido de não ser possível julgar um mandado de segurança (ação movida pelo pai e pela AGU) com o objetivo de contestar um ato do tribunal (a decisão de Marco Aurélio, que determinava a permanência do garoto no Brasil). "No entanto, em hipóteses excepcionais, esta Corte já admitiu a impetração de mandado de segurança contra atos jurisdicionais irrecorríveis e exarados monocraticamente por ministros do STF".

RECURSO
A família materna do garoto S. pode em tese recorrer da decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes. Mas um eventual recurso terá de ser analisado pelo plenário do Supremo, integrado pelos 11 ministros. O tribunal está em recesso e somente voltará a reunir-se no início de fevereiro. Como a decisão determina a entrega do garoto num prazo de 48 horas, será muito difícil encontrar agora uma saída jurídica que impeça a viagem dele para os Estados Unidos.

Fonte: O Estadão

1 comentários:

Anônimo disse...

Devemos parabenizar a justiça brasileira, afinal de contas ela seguiu um acordo juridico-comercial pré-estabelecido, que eles chamam de convenção internacional, em que a vontade de um ser humano não deve prevalecer sobre o direito comercial e os benefícios comerciais que um país tem ou terá em relação ao livre arbítrio de uma pessoa, e se quebram essas regras que favorecem os mais ricos, o país corrupto e pobre terá consequências comerciais sérias. O sacrifício de um pela salvação dos outros.