[O presidente eleito de Honduras, Porfirio “Pepe” Lobo, pediu nessa segunda-feira a renúncia do presidente deposto, Manuel Zelaya, e do líder interino, Roberto Micheletti, como uma saída para solucionar a crise política que se arrasta desde o final de junho.
[ao ser constitucionalmente deposto, inclusive tendo cometido vários crimes, comuns e políticos, durante e após o exercicio da presidente da República hondurenha, o golpista Zelaya perdeu o mandato o que torna impossível que a ele renuncia.
Já o presidente constitucional de Honduras, Roberto Micheletti, não é presidente de fato nem tão pouco interino e sim o presidente que sucedeu de acordo com a Constituição vigente em Honduras o golpista Zelaya e ao seu vice que ficou legalmente impedido, tendo em vista sua candidatura às eleições realizadas em 29 de novembro passado.
Assim, não há nenhuma razão que aconselhe a renúncio do presidente constitucional de Honduras, deputado Roberto Micheletti. Não pode ser olvidado que Micheletti renunciando e a posse do presidente eleito só ocorrendo em janeiro, Honduras ficará sem presidente constitucional.]
"Ambos disseram que estavam dispostos a renunciar, mas agora, creio que podemos alcançar este propósito (...) e nos ter integrados ao governo de reconciliação nacional", disse Lobo em entrevista coletiva.
"Vou impulsioná-los para que caminhem rápido e que se conclua tudo para que tenhamos as portas internacionais abertas", acrescentou.
Lobo disse que se reuniria com Micheletti ainda nesta segunda-feira e que tentaria conversar com Zelaya, que continua refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa há quase três meses, desde seu regresso ao país.
Na terça-feira, Lobo deverá se reunir com o Parlamento para tentar buscar uma anistia política tanto para os membros do governo deposto como para o interino. Zelaya tem reiterado que não renunciará ao cargo, cujo mandato termina oficialmente em 27 de janeiro. Micheletti, por sua vez, disse logo após as eleições, que permaneceria no poder até que Lobo assuma a Presidência.
[é um absurdo alguém considerar necessário que o presidente Roberto Micheletti seja anistiado, pois o mesmo não cometeu nenhum crime. Quanto ao golpísta Zelaya violou vários artigos da Carta Magna de Honduras e da legislação eleitoral e é cabível o exame de uma possível anistia a seu favor e dos seus cúmplices.]
Saída frustrada
Porfirio Lobo disse ainda que tentará facilitar a saída de Zelaya da embaixada brasileira.
"Se o presidente Zelaya quer sair, que o presidente Micheletti venha e facilite para que ele possa sair. O tema é como evitaremos um confronto", afirmou Lobo.
Na última quinta-feira, a tentativa do presidente deposto de deixar o país foi frustrada. O governo interino rejeitou um salvo-conduto que permitiria a saída de Zelaya rumo ao México.
Zelaya pretendia chegar ao México não como asilado político, mas como "hóspede ilustre", condição que não o obrigava a renunciar ao cargo de presidente. O governo mexicano chegou a enviar um avião a Tegucigalpa para levar o presidente deposto.
Outra tentativa de diálogo prevista para esta segunda-feira entre Zelaya e Lobo, na República Dominicana, também fracassou.
O governo interino se negou novamente a dar um salvo-conduto ao líder deposto, que tem um mandato de prisão por supostamente violar a Constituição ao convocar uma consulta popular para promover a modificação da Carta Magna.
[o supostamente é incabível, já que a Constituição de Honduras proíbe a consulta popular proposta por Zelaya, que apesar de advertido pela procuradoria-geral hondurenha insistiu na realização da mesma, exigindo até o apois das Forças Armadas daquela República. Com essas ações o senhor Zelaya, no entendimento da Suprema Corte de Justiça de Honduras e com o aval do Congresso hondurenho, violou vários dispositivos legais da legislação eleitoral e o próprio texto constitucional, cometendo crimes cujas penas somadas superam aos vinte anos.]
Violência
Enquanto se negocia uma saída para Zelaya, organizações de direitos humanos denunciam o incremento da violência contra ativistas vinculados a Frente de Resistência Contra o Golpe.
Na madrugada desta segunda-feira, o ativista de direitos humanos Walter Trochez, foi assassinado em Tegucigalpa. Há pouco mais de uma semana, o ativista havia sido capturado e agredido por supostos policiais encapuzados.
A Frente de Resistência responsabiliza ao governo interino pela morte.
"Estão praticando ataques seletivos a ativistas da resistência. Os responsáveis desse assassinato são os líderes do golpe", afirmou à BBC Brasil Andres Pavon, diretor da Comissão de Defesa de Direitos Humanos (CODEH).
As autoridades hondurenhas ainda não se pronunciaram sobre este crime.
De acordo com o CODEH, desde a deposição de Zelaya, 33 pessoas vinculadas à Frente de Resistência foram assassinadas. Outros 105 casos de homicídios ocorridos durante o estado de sitio estão em processo de investigação.
Ainda não se sabe se as mortes têm motivação política.

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