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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tráfico reage a ocupação policial e incendeia ônibus em Copacabana

Tráfico não aceita policia pacificadora no Pavão-Pavãozinho. Governo não pode recuar, tem que agir com energia.

[mesmo não acreditando na polícia pacificadora - muito lenta sua implantação e muito light sua ação - o Governo não pode recuar. A polícia pacificadora tem que ser mantida no Pavão-Pavãozinho e como bônus implantada rapidamente no Cantagalo. Com isso os bandidos se convencerão de que qualquer retaliação será inútil.]

Policiais prenderam na noite desta terça-feira um adulto e dois menores suspeitos de atear fogo ao ônibus da linha 121 (Central- Copacabana), na Avenia Nossa Senhora de Copacabana. De acordo com o Comandante do policiamento de Capital, coronel Marcus Jardim, os três seriam moradores da favela Pavão-Pavãzinho e teriam sido encontrados com 4,5 litros de combustível e duas granadas no Jardim de Allah, em Ipanema. O grupo foi levado pelos PMs para a 14ª DP (Leblon). O ataque ao coletivo da Viação Real aconteceu no fim da tarde, no trecho entre as ruas Rainha Elizabeth e Joaquim Nabuco e levou pânico a moradores e comerciantes da região. Segundo a Polícia, a ação foi uma represália à ocupação do morro Pavão-Pavãozinho, que começou nesta segunda-feira e visa à implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local .

O fogo foi apagado pelos bombeiros do Quartel de Copacabana, e não houve notícias de feridos. O ônibus, que estava parado no ponto final, estava vazio. Policiais tiveram que evacuar um dos prédios devido à proximidade do incêndio. Algumas da lojas próximas ao ônibus atacado pelos bandidos fecharam as portas. O trânsito foi interditado Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as ruas Rainha Elizabeth e Joaquim Nabuco. O trânsito ficou lento na Avenida Atlântica, sentido Ipanema.

O governador Sérgio Cabral confirmou que o estado já sabia que enfrentaria reação do tráfico. Segundo ele, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, os traficantes faturam de R$ 200 mil a R$ 300 mil por semana nas duas favelas. Cabral disse que já estão sendo feitas operações para instalar uma UPP no Morro dos Cabritos e na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. No entanto, a unidade ainda não foi implantada, porque o estado optou por iniciar o trabalho pelas comunidades mais difíceis - Pavãozinho e Cantagalo.

- Nós sabíamos que enfrentaríamos problemas porque se trata de uma área muito rentável para o tráfico - contou o governador em entrevista à Rádio CBN.

Pedestres fogem do ônibus incendiado: ninguém ficou ferido na ação dos traficantes / Foto: Carlos Ivan - O Globo

Desde cedo, uma série de ações criminosas vem acontecendo na região. À tarde, uma bomba artesanal chegou a ser atirada em frente a um prédio comercial na esquina das avenidas Princesa Isabel e Atlântica . O comércio em algumas ruas do bairro foi fechado.

Em entrevista ao RJ-TV, na noite desta terça-feira, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que as ações dos traficantes não vão fazer a polícia recuar:

- A polícia está ali e não vai se afastar.

Ainda de acordo com ele, o incêndio do ônibus na Avenida Nossa Senhora de Copacabana é a última ação de um poder que acabou na segunda-feira.

Carro do GLOBO é cercado por moradores que denunciam truculência

A madrugada, no entanto, havia sido tranquila no Pavão-Pavãozinho e no Cantagalo, segundo os próprios moradores. PMs permanecem nas duas favelas em busca de paióis e traficantes. Policiais contaram que, na segunda-feira, primeiro dia da ocupação, viram rastros, buracos abertos e ferramentas deixadas na área de mata no alto do Cantagalo. De manhã, PMs apreenderam numa casa uma pequena quantidade de DVDs e CDs piratas.

A presença de bandidos na favela ficou provada quando o fotógrafo Marcos Arcoverde, do jornal "O Estado de S.Paulo", por pouco não foi alvo da bomba artesanal que explodiu em Copacabana.

- Escutei alguém gritar: "É repórter!" Só não sei se foi antes ou depois da explosão. Comecei a correr sem olhar para trás, com medo de que viessem os tiros - contou o fotógrafo, que não se machucou.

Cerca de uma hora depois, o carro do GLOBO foi cercado por um grupo de mulheres e crianças, na subida do morro. O grupo denunciava que policiais estavam invadindo casas e agredindo moradores. A barreira colocada no meio do caminho, feita com pedaços de madeira e engradados de refrigerantes, logo foi retirada por outro morador, permitindo a passagem da equipe.

Fonte: O Globo

[mexer com gente é complicado e com favelado pior ainda; vejam vocês: o Governo está apostando alto na policia pacificadora - quero ver se funciona é quando forem instalar unidades em áreas barra pesada mesmo. Vejam que a favela da Maré e o morro do Alemão estão passando batidos, sem realização de operações policiais para não atrapalhar as obras do PACo. Mas os moradores em lugar da aplaudirem e até apoiarem a ação da policia, tendo em mente o provérbio de que 'não se faz omeletes sem quebrar os ovos' e entendendo que a polícia não pode ocupar favelas como a do Pavão-Pavãozinho sem usar de energia vão é reclamar.

Que querem os reclamantes. Que a polícia suba o morro distribuindo balinhas e pirulitos. NADA DISTO. Tem que subir o morro distribuindo BALAS mas de verdade. Sempre há o risco de algum excesso dos policiais, que estão sob tensão, mas o que importa é o resultado final.]

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