Oposição consegue impedir PEC do 3º mandatoEm cima da hora, a bancada da oposição na Câmara conseguiu impedir a publicação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer a um terceiro mandato.
O mais inusitado é que justamente deputados do PSDB e do DEM estavam garantindo o número necessário de assinaturas do requerimento para a PEC entrar em votação.
Dos 183 nomes que assinaram, 15 eram dos dois partidos. Os líderes conseguiram retirar o nome de 13 parlamentares; com 170 adesões, só faltou uma para alcançar o número mínimo, informa O Globo.
Com uma base assim, PSDB e DEM estão feitos… O presidente nacional tucano, Sérgio Guerra (PE), disse que vai punir os parlamentares que jogaram para o outro lado. “Se alguém do PSDB assinou, não é do PSDB. Uma pessoa do PSDB não assina uma emenda dessa.” Agora, o texto da PEC volta para seu autor, Jackson Barreto (PMDB-SE)
Oposição impede início da tramitação da PEC do terceiro mandato
Numa ação articulada, a oposição conseguiu, no fim da noite desta quinta-feira, impedir a publicação da Proposta de Emenda à Constitucional (PEC) que cria a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governadores e prefeitos disputarem a terceira eleição consecutiva. O requerimento continha 15 assinaturas de deputados da oposição - 10 do DEM e 5 do PSDB - entre as 183 que garantiam a sua tramitação. Até as 23h, os dois partidos retiraram, juntos, 13 assinaturas , reduzindo assim o número de apoiadores da proposta para 170, uma a menos do mínimo necessário. Sem as 171 assinaturas exigidas regimentalmente para tramitação na Câmara , a PEC retornará ao autor, Jackson Barreto (PMDB-SE), para que ele tente colher novas assinaturas. Os últimos dois deputados a retirarem suas assinaturas foram Clóvis Fecury (DEM-MA) e Félix Mendonça (DEM-BA).
A proposta apresentada por Barreto prevê a realização de um referendo popular no segundo domingo de setembro.
- Acho que a PEC representa a opinião majoritária dos parlamentares - defendeu Barreto, apesar das manifestações desfavoráveis do próprio Lula e do STF.
A emenda teria menos de seis meses para tramitar nas duas Casas, prazo exíguo para propostas de alteração constitucional, sobretudo as que tratam de tema tão polêmico. A PEC tem que passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e por uma comissão especial. Depois, vai ao plenário da Câmara em duas votações e, se aprovada, segue para o Senado, onde também passa por duas votações. Para uma emenda à Constituição ser aprovada, é necessário o apoio de três quintos dos parlamentares em cada Casa (308 na Câmara e 47 no Senado).
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE) ameaçou punir os deputados que mantenham a assinatura no requerimento.
- Se alguém do PSDB assinou, não é do PSDB. Uma pessoa do PSDB não assina uma emenda dessa. Os deputados que assinaram a PEC serão punidos pelo PSDB. Vão responder a processo no partido - afirmou.
Haviam assinado a emenda os tucanos: Antônio Feijão (AP), Carlos Alberto Leréia (GO), Eduardo Barbosa (MG), Rogério Marinho (RN) e Silvio Torres (SP). Entre os do DEM que fizeram a mesma bobagem estão os deputados Wlater Ihoshi (SP), Fernando de Fabinho (BA) e Clóvis Fecury (MA).
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), minimizou o fato:
Este deputado está querendo aparecer. Para que vou perder meu tempo com ele? É matéria vencida. Para nossa felicidade ele só teve a ideia agora. Mas ela já nasce morta - disse Maia:
- O pessoal assina sem ver. Ele vai sair nos jornais amanhã e depois volta a ser um deputado sem expressão.
O líder do PSDB na Câmara, José Anibal (SP), correu atrás do prejuízo, pedindo ao presidente da Câmara, Michel Temer (SP), tempo (até as 22h desta quinta) para que os tucanos pudessem retirar as assinaturas.
Entre os partidos da base, o maior apoio foi do PMDB, com 46 assinaturas, seguido do PT, com 31. PDT, PP e PR deram 14 assinaturas cada; o PTB, 13; o PSB, 11; o PCdoB, 10; o PV, 7; PMN e PSC, 3 cada.
Temer volta a dizer ser contra 3º mandato
Temer disse ser contra a proposta e lembrou que o próprio presidente Lula não concorda com a ideia. Ele rechaçou ainda comparações entre o movimento pelo terceiro mandato e aquele que redundou na aprovação da possibilidade da reeleição, que beneficiou diretamente o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
- São coisas diferentes (a tese do terceiro mandato e a reeleição aprovada em 97). Qual é o clima existente no país (agora)? O presidente não cogita - disse Temer, que garantiu que a PEC terá "tramitação normal".
PT diz que é contra
O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), disse que respeita a iniciativa de Jackson Barreto e que não iria pedir para que os deputados do PT que assinaram a emenda retirassem seus nomes. Fez questão de frisar, no entanto, que o PT é contra a PEC.
- E se a PEC, por acaso, for aprovada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será candidato a um terceiro mandato. O PT tem candidato para 2010, é a ministra Dilma Rousseff - disse Vaccarezza.
O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), também critica a ideia e afirma que não é uma motivação do PMDB: A gente não pode ser mais realista que o rei. Se o presidente Lula não quer isso, não é pauta do PMDB.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), afirma que o governo é contra a PEC.
- Esta é a posição do próprio presidente.
Após participar da reunião de coordenação política com o presidente Lula, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, disse nesta quinta que o presidente não cogita um terceiro mandato.
- O Brasil é um modelo de democracia. Tem gente, às vezes, que se embriaga com esses vizinhos daqui, mas temos que nos orgulhar da nossa Constituição. Fiquem tranquilos que tudo vai ficar como está - disse.
[comentário: terceiro mandato é algo tão sem sentido e sem a menor possibilidade de ser implantado – seja o terceiro mandato para o Apedeuta ou a reeleição continuada.
Além de representar um Golpe contra a democracia, a proposta seria rejeitada no STF.
E, para sepultar de forma definitiva o assunto, o fator tempo conspira contra tal absurda proposta – uma PEC não é aprovada em menos de 180 dias, mesmo quando cuida de tema menos polêmico;
Além de mexer na Constituição via PEC para criar o terceiro mandato é necessário outra emenda à Constituição: suprimindo o artigo que determina que qualquer mudança nas regras de uma eleição precisa vigir no mínimo um ano antes da eleição objeto da mudança.
O primeiro turno das eleições 2010 está previsto para 3 outubro 2010. Pelo texto constitucional qualquer modificação nas mesmas tem que entrar em vigor até o dia 3 out 2009.
O que esse ‘deputadozinho’ Barreto quer é aparecer na mídia, ter seus minutos de glória e depois voltar ao ostracismo que lhe é mais conveniente.
A única forma de estabelecer um terceiro mandato para o Apedeuta seria através de um GOLPE e para o golpe há o CONTRA GOLPE.]