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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Base do Arruda deturpa decisão judicial e extingue CPI

Mensalão do DEM: Base de Arruda acaba com a CPI e investigação na Câmara do DF volta à estaca zero

Voltou à estaca zero toda e qualquer investigação na Câmara Legislativa do Distrito Federal sobre o mensalão do DEM - suposto esquema de cobrança de propina e pagamento de mesada a políticos - e sobre os pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), acusado de comandar o esquema. Com isso, está cancelado o depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, autor das denúncias, à CPI, que aconteceria na próxima terça-feira, na sede da superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Os trabalhos da CPI foram encerrados na tarde desta quinta-feira por seu presidente, o deputado Alírio Neto (PPS), aliado de Arruda, sob a alegação de que estava cumprindo a decisão judicial de anular todos os atos sobre o assunto que tenham contado com a participação de um ou mais dos oito deputados distritais acusados de participação no esquema de propinas.

Perguntado se não se tratava de uma manobra em favor do governador, Alírio afirmou:

- A manobra foi do juiz.

Alírio Neto entende que os atos de criação da CPI e de composição de seus membros estão anulados, porque contou com a assinatura dos deputados suspeitos. Disse que não poderia, então, continuar os trabalhos, sob pena de descumprir decisão judicial.

Na quarta-feira, o juiz do TJ-DF Vinicius Santos Silva, determinou o impedimento dos oito deputados suspeitos e de dois suplentes, em todos os atos relativos ao pedido de impeachment de Arruda, e também a anulação de atos anteriores que contaram com a participação deles.

A oposição na Câmara Legislativa protestou, argumentando que a decisão do juiz não interfere no trabalho da CPI, pois ele tratou dos pedidos de impeachment.

- A base do governador fez isso numa demonstração de que não quer o depoimento de Durval nem quer investigar nada - disse o deputado distrital Chico Leite (PT).

Na CCJ, onde tramita o pedido de impeachment de Arruda, os trabalhos também terão ser refeitos:

- Vamos começar tudo de novo, mas se eu for eleito novamente presidente, vou dar celeridade ao caso - disse Geraldo Naves (DEM).

Presidente interino determina autoconvocação de deputados

O presidente interino da Câmara Legislativa, deputado Cabo Patrício (PT) divulgou nota nesta quinta, por meio da assessoria, anunciando a decisão de autoconvocação extraordinária da Casa a partir do dia 25 de janeiro. Segundo a assessoria, a decisão foi tomada durante reunião da Mesa Diretora.

A nota, assinada por Cabo Patrício justifica a convocação "pelo interesse público relevante" e lista dois pontos a serem debatidos pelos deputados: o afastamento do deputado Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM) da presidência da Câmara, por decisão judicial, e dos outros deputados distritais que aparecem em vídeos ou são citados no inquérito da PF.

Manifestantes levam estrume para a entrada da Câmara

Um grupo de estudantes do movimento Fora Arruda - que prega o impeachment do governador do DF espalhou, nesta quinta-feira, 10 sacos de estrume na rampa de acesso à entrada da Câmara Legislativa . Sob o olhar de policiais militares que estavam de guarda, os estudantes gritaram palavras de ordem e cantaram paródias de músicas com críticas a Arruda e ao vice-governador, Paulo Octávio, que também é alvo das investigações.

- São 10 sacos de estrume de cavalo, 500 quilos. Simbolicamente, a merda significa esta sujeira toda dessa Câmara. Sabemos que a CPI não vai dar em nada, vai dar em pizza. É uma homenagem ao haras do Arruda, aquele que ele deu para a mulher dele - justificou o estudante de Letras da Universidade de Brasília, Diogo Ramalho.

Segundo ele, o estrume de cavalo foi coletado pelo grupo de estudantes na cidade satélite de Sobradinho.

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