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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Comissão da verdade ou da grande mentira?

Comissão da meia-verdade

Raimundo estava arrependido. Culpava o seu sangue quente, que passara a circular ainda mais rápido depois de duas caipirinhas. E deu no que deu. A olhada daquele cabra safado nas belas pernas da sua namorada foi o que bastou para usar uma das cadeiras do bar do Maneco como arma mortal sobre a cabeça do sem-vergonha.

Por isso está ali, aguardando julgamento. O local é insalubre, fedorento. O ar não circula. Falta chuveiro. Não há privadas suficientes. O espaço é para vinte, mas tem mais de sessenta, gente de todo tipo, desde trabalhadores honestos como ele, que num impulso momentâneo transformou-se em assassino, até perigosos traficantes.

São estes que comandam a vida naqueles poucos metros quadrados, onde cada um se acomoda como pode, rezando para não ser escolhido para aplacar os instintos sexuais dos chefões do pedaço.

Raimundo já ouvira alguns políticos falarem sobre tortura. Agora ele a estava vivenciando. Também já escutara dos mesmos políticos alguma coisa sobre direitos humanos. Estes, porém, não haviam chegado ao depósito de seres humanos onde se encontrava.


A única diversão é o aparelho de TV que um carcereiro boa-praça emprestou. Em seu terceiro dia naquele inferno, a chamada para o telejornal da noite o deixa animado. Os Ministros da Justiça e dos Direitos Humanos darão entrevista. A esperança de todos é que algo de bom seja anunciado. Surge, afinal, a chance de deixarem de viver como bestas.


A decepção foi geral. As autoridades mostraram ignorar a lamentável situação em que, criminosos ou não, milhares de brasileiros estão enjaulados. Será que desconhecem suas atuais responsabilidades? Para eles, brasileiros como Raimundo parecem não existir. O desrespeito aos direitos humanos, que hoje acontecem sob suas barbas irresponsáveis, não interessa. O problema que pretendem resolver, resolvido está. O de Raimundo ainda não.


Uma voz, naquele espaço superlotado de esquecidos, chegou a comentar: “Já que a Comissão da Verdade que pretendem criar terá os olhos voltados para o passado, saberemos quem mandou sequestrar, torturar e matar Celso Daniel”. Outra voz complementou: “E o Toninho do PT”.


Seriam expectativas óbvias, pois, sendo ambos do PT, prefeitos de cidades importantes e mortos há pouco tempo, deveria ser do interesse da futura Comissão revelar quem foram os responsáveis por sua execução. Deveria, mas não é.


Essa história toda aguçou minha curiosidade. Decidi consultar a Lei da Anistia, de 1979 e ainda em vigor. Em seu artigo 11, ela é muito clara: “Esta Lei, além dos direitos nela expressos, não gera quaisquer outros, inclusive aqueles relativos a indenizações, promoções ou ressarcimentos”.


Portanto, quem recebeu regalias indevidas corre o risco de um dia ter que devolvê-las. Será que é por isso que pretendem revogá-la? Realmente não sei, mas sinto um desagradável cheiro de meia-verdade no ar. Ora, meia-verdade é uma grande mentira. Logo, nossos ministros bem que poderiam ter proposto a criação de uma “Comissão da Meia-Verdade”. Teriam sido sinceros, ao menos uma vez.

Por: Gen Bda Hamilton Bonat

Fonte: A Verdade Sufocada

[imaginem o susto do senhor Lula, que assinou o calhamaço do PNDH-versão 3 sem ler, quando perceber que corre sério risco de ter que devolver a pensão que recebe devido sua condição de ex-perseguido político.

Acho que o PNDH e com ele o Vannuchi SIFU...

Vocês lembram de um ministro do Dom Sarney, acho que o da Reforma Agrária, que fez o DONO do Maranhão assinar um decreto desapropriando a cidade de Londrina – PR e foi escarrado do cargo.

O senhor Lula com certeza vai fazer o mesmo com o estrupício do Vannuchi.]

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