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domingo, 31 de janeiro de 2010

Mil PMs mortos no Rio em dez anos ! E ainda tem uma ONG m.... que diz que a Polícia do Rio é violenta

Coronel Milton: Mil PMs mortos no Rio em dez anos

Do Blog: Repórter de Crime

O coronel Milton Corrêa da Costa, da Reserva da PM, eventual colaborador deste blog, enviou mais um artigo ao blog, no qual me chama a atenção um dado. Ele informa que em dez anos houve mais de mil policiais mortos na guerra do Rio, 30% deles em serviço. "O fato é inédito em qualquer instituição policial do mundo', afirma o coronel.

Esses números comprovam que a polícia do Rio é uma das que mais mata e mais morre no mundo.

Pego carona para dar parabéns à PM à Polícia Civil (correção) pela ação inteligente que fez anteontem no Morro do Fallet, no Rio Comprido, onde prendeu o chefe do tráfico, com ajuda da PM. Foi dessa favela que partiram os traficantes que mataram um sargento da PM, numa radiopatrulha em plena luz do dia. Mas obtive informações que, infelizmente, a boca-de-fumo continua funcionando normalmente.

"OS NECESSÁRIOS CUIDADOS NO DESLOCAMENTO DE POLICIAS EM ÔNIBUS E A AÇÃO PRÓ-ATIVA

Milton Corrêa da Costa,
especial para o Blog Repórter de Crime


A lamentável morte (mais uma) do Sargento PM Ângelo Conceição da Silva, do Batalhão de Polícia Rodoviária, assassinado pela ação de quatro marginais da lei, ao reagir bravamente a um assalto a ônibus, onde ali se encontrava como passageiro, em retorno para o lar, fato ocorrido na noite da última sexta-feira, 23 de janeiro, na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Jardim América, mostra mais uma vez o grau de letalidade do banditismo do Rio que mata, sem dó nem piedade, policiais e cidadãos, de forma fria e cruel, num total desprezo pela vida humana.

No período de dez anos, numa verdadeira chacina em conta-gotas, mais de mil policiais militares foram mortos no Rio -30% deles em situação de serviço - fato inédito em qualquer instituição policial do mundo, inclusive naquelas em que países estão ou estiveram envoltos em violentas guerras.

Tal preocupante constatação traz à tona algumas questões relativas à segurança pessoal e cuidados indispensáveis de profissionais de polícia, em períodos de folga, quando do deslocamento no interior de coletivos, objeto inclusive de normas internas próprias de ténica policial. Muitas vezes alguns policiais, até por cansaço das horas de labuta, se descuidam da própria segurança pessoal. Em decorrência destes lamentáveis episódios, só nos resta, depois do ocorrido, extrair ensinamentos pois a vida do bravo policial em questão, cujo filho Artur completara 14 anos na data do seu sepultamento ( 24/01/10), não mais voltará. O quepe do pai morto e a bandeira nacional foram os presentes entregues ao jovem Artur, agora órfão.

As primeiras notícias dão conta de que o policial assassinado (somente o processo investigatório poderá esclarecer com precisão) encontrava-se sentado na parte central do coletivo, situação esta que, estando de posse de uma arma, o coloca em desvantagem quanto a uma possível reação à ação marginal. Ao reagir à ação de dois assaltantes, sacando sua arma, fora surpreendido por outros dois meliantes, que também se encontravam no interior do ônibus. O relato inicial é que dois assaltantes se posicionaram na parte da frente do ônibus e dois nos fundos. Ao fazer uso de sua arma e tentar alvejar um dos marginais armados, no instinto policial de reprimir o mal, em flagrante desvantagem numérica, o policial militar - o disparo efetuado não atingiu nenhum deles- foi dominado após luta corporal, tendo sua arma tomada e em seguida conduzido para fora do veículo, onde foi friamente executado. As informações preliminares dão conta de que o policial foi alvejado por quatro disparos.

Repito, os processos apuratórios, determinados pelas autoridades competentes, é que poderão elucidar com clareza toda a dinâmica do evento. No entanto, na análise preliminar do lamentável episódio e na finalidade única e precípua do estudo de caso, que nos conduza a ensinamentos, relativamente a fatos semelhantes, não custa lembrar que a boa técnica ensina, primeiramente, que no imterior de ônibus, estando de posse de sua arma e da carteira, o policial deve procurar postar-se na parte de trás do veículo ( último banco se estiver sentado) tendo assim domínio e visão de tudo que ocorre no interior do coletivo. Como policial e estando de posse de sua identidade pessoal (esta deve ser conduzida em local seguro junto ao corpo que dificulte a revista pessoal) e estando com a arma em condição de pronto uso, precisa então surpreender para não ser surpreendido.

Carteira e arma de policial, no Rio de Janeiro, todos sabemos, são passaportes para a morte. Espantosa e real conclusão. A que ponto chegou a ousadia e o desrespeito por um policial. Ressalte-se, infelizmente, que alguns policiais -já houve fatos constatados e publicados- não se dão ao respeito e até vendem armas para bandidos matarem posteriormente seus próprios companheiros de farda. Traidores dos companheiros,da instituição e da sociedade a quem um dia juraram defender com o sacrifício da própria vida.

Caso decida, portanto, portar a sua arma particular, devidamente registrada e autorizado o seu porte, estando de folga, no deslocamento a pé, em carro particular ou no interior de coletivo, o policial terá, durante todo o tempo do trajeto, que tê-la ao seu rápido alcance, sem descuidar dela em nenhum segundo. Vivemos no contexto de uma violentíssima guerra urbana onde policiais, em situação de serviço ou não, precisam evitar o máximo a ação do elemento surpresa. Se desatentos, surpreendidos e identificados como policiais, fatalmente terão a pena de morte (extra-oficial) decretada, sem chance de defesa.em poucos segundos. Cruel e fria realidade.

A meu ver (opinião de um simples analista de conjuntura) é necessário inclusive que cada um avalie, como profissional de polícia, no contexto de tamanha violência, se em todos os momentos de folga devem estar portando uma arma. Não se trata de medo e sim de precaução no resguardo do bem mais precioso: a vida. Medo é o inverso da coragem. No entanto quem não tem medo é candidato a herói morto. De que adiantam heróis policiais, mortos, que farão falta irreparável (ad eternum) ao seus familiares e à sociedade? Olhem a dor desse adolescente filho do policial morto. Certamente que o jovem preferiria que o pai tivesse comemorado o seu aniversário. Não adianta, em situação de inferioridade tática, reagir heroicamente e perder a vida, um bem irrecuperável , ainda que o tino policial muitas vezes nos traia. Isso não é covardia e sim um ato de preservação do bem maior. É necessário, na ambiência de uma das mais sanguinárias guerras urbanas, que já se teve notícia na história policial no mundo, minimizar os riscos.

Ao aparelho policial cabe, por sua vez, tornar-se eminentemente pró-ativo, na ação permanente de busca e vasculhamento aos redutos do tráfico, na captura, nos limites da lei, de perigosos meliantes e na apreensão de armas e drogas, as ferramentas do crime. Depois da casa arrombada não adianta.Policia reativa acabou no mundo. É preciso surprender para enfraquecer o poder paralelo e reduzir as oportunidades da ação marginal. Os "bondes do terror" partem de morros e favelas e para lá retornam. Eis os redutos a serem incursionados permanentemente. Bandido bom é bandido monitorado, preso e entregue à justiça. Narcoterroristas têm que ter a certeza que serão inquietados e monitorados as 24 horas do dia. A inteligência policial precisa estar atenta e dispor de todos os informes possíveis sobre a atuação do narcoterrorismo no Rio, em suas diferentes facções criminosas.

A vida de todo cidadão, policial ou não, encontra-se, pois, em perigo iminente. A macabra rotina de cerimônias fúnebres de policiais é incômoda e preocupante. Na guerra do Rio são seis os policiais mortos em uma apenas uma semana. Quatro policias militares e dois policiais civis, todos em ação de defesa da sociedade. Note-se que o policial militar assassinado no interior do ônibus interveio bravamente contra a ação marginal, na defesa da socieadade, ainda que inferiorizado numericamente. A sociedade aguarda uma pronta resposta, não uma caçada humana inconsequente com promessas de recompensa pela captura (" VIVO ou MORTO), que afronta o ordenamento jurídico ao estilo dos tempos idos do Velho Oeste americano. A polícia é uma agência social que representa a legalidade do braço armado do estado. Nenhuma entidade de classe policial pode, ao arrepio da lei, autorizar tacitamente a morte de quem quer que seja. Isso é afronta aos preceitos constitucionais e desrespeito ao poder legalmente instituído. O "ollho por olho, dente por dente", acabou. Justiça com as próprias mãos não é ação afeta à classe policial que não pode, em nenhuma hipótese, igualar-se à ação marginal.

Em tempos de guerra urbana extrema somente a ação legal e pró-ativa do aparelho policial, em caráter permanente, nos trará a certeza de dias melhores. A sociedade jamais poderá render-se ao banditismo. A paz social é um fim atingível. É preciso acreditar. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

Milton Corrêa da Costa é Tenente Coronel da PM do Rio na reserva "

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