O advogado do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, Nélio Machado, reconheceu nesta tarde que o seu cliente não deverá sair da prisão antes do fim do carnaval. "Não há possibilidade de Arruda sair (da prisão) antes do carnaval", disse Machado, afirmando que vai aguardar o julgamento do habeas corpus solicitado pela defesa ao pleno do Supremo Tribunal Federal (STF).
Hoje, o ministro do STF Marco Aurélio Mello negou o pedido de habeas corpus por liminar. O processo, porém, ainda precisa ser apreciado pelo plenário do STF, mas os ministros só devem voltar a se reunir agora após o carnaval.
Machado criticou a condução do processo e das investigações contra o seu cliente, argumentando que Arruda não teve direito à defesa. Segundo ele, a sessão de ontem do STJ, que confirmou a prisão preventiva de Arruda, foi "atabalhoada". Ele disse que os advogados não tiveram chance de participar da sessão. "A defesa não está sendo escutada." Segundo Machado, a investigação está sendo conduzida há dois meses e meio e até agora ninguém chamou Arruda para depor.
O advogado também criticou a posição da OAB, que defendeu a prisão de Arruda. "A OAB não pode chamar para si a tarefa de julgar" e, segundo ele, neste caso, a OAB tornou-se sócia do órgão de acusação e cúmplice da autoridade policial.
TransferênciaOutros três acusados de tentativa de obstrução da Justiça foram transferidos da carceragem da Superintendência da PF para a Penitenciária de Brasília - conhecida como Presídio da Papuda. O ex-secretário de Comunicação do governo do Distrito Federal Wellington Moraes, o ex-diretor da Companhia de Energia de Brasília (CEB) Haroaldo Brasil de Carvalho e um sobrinho de Arruda, Rodrigo Arantes, se apresentaram depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a prisão preventiva deles.
Já se encontra na Papuda o conselheiro do Metrô Antonio Bento, primeiro a ser preso por causa da tentativa de obstruir as investigações da Justiça sobre o esquema de corrupção chamado de "Mensalão do DEM".
Dos cinco acusados de tentativa de obstrução da Justiça, a PF já considera foragido o deputado distrital Geraldo Naves (DEM), ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Advogados de defesa de Naves comunicaram à PF que o deputado se apresentaria na manhã desta sexta-feira, mas até agora isso não aconteceu.

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