Câmara do DF escolhe presidente e relatores da comissão que vai analisar pedidos de impeachment de Arruda e Paulo Octávio
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (DF) escolheu nesta segunda-feira o presidente e os relatores da comissão especial que vai analisar os pedidos de impeachment do governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), e de seu substituto, o vice Paulo Octávio (DEM), por envolvimento no chamado escândalo do mensalão do DEM. Deputados da base do governo e da oposição dividem os cargos.O relator do caso de Paulo Octávio será o deputado distrital Batista das Cooperativas (PRP) que pertence à base do governo e participou da reunião com o governador em exercício no último sábado. Já o processo contra Arruda terá como relator o deputado Chico Leite (PT), que é de oposição. Para o presidente da comissão especial foi escolhido o deputado Cristiano Araújo (PTB) e para vice o deputado Paulo Roriz (DEM), ambos da base governista.
De acordo com Leite, a Câmara Legislativa estaria finalmente "cumprindo o seu dever" ao dar seguimento aos pedidos de impeachment contra Arruda, impetrados em novembro e dezembro do ano passado. O deputado terá o prazo de dez dias para emitir parecer sobre a acusação.
- Já venho acompanhando o caso. Pretendo, se possível, ainda esta semana proceder à entrega do parecer - afirmou ele.
O processo vai investigar as denúncias de corrupção que pesam contra Arruda, preso há onze dias na Polícia Federal por obstrução de investigação que apura a participação dele em esquema de propina
Processo de impeachment é longoOs relatores têm até dez dias para apresentar os pareceres sobre a admissibilidade do processo, que serão submetidos ao plenário onde a aprovação requer maioria simples. Se os pedidos forem aprovados em plenário, Arruda e Paulo Octávio serão então notificados e cada um terá 20 dias para apresentar sua defesa.
O processo retorna à comissão especial para julgamento do mérito. Se for aceito, segue para o plenário, onde será votado por dois terços dos deputados. A abertura do processo de impeachment, com o afastamento do governador por 120 dias, requer 16 dos 24 votos da Câmara. Ou seja, basta o apoio de nove parlamentares para barrar a iniciativa - [e a base do Arruda era, talvez na hora do voto volte a ser, composta por 19 (dezenove) deputados.]
Com o governador afastado, caso a ação seja aceita, o processo é votado no tribunal especial, formado por cinco deputados distritais eleitos pelo plenário e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do DF, escolhidos por sorteio. A sessão será presidida pelo presidente da Corte.
Paulo Octávio não consegue desmembrar processosPaulo Octávio queria tramitações separadas, na tentativa de se desvincular de Arruda. De início os deputados governistas chegaram a falar na criação de uma nova comissão para tratar exclusivamente dos processos contra Paulo Octávio. A estratégia havia sido acertada com o governador em exercício durante a reunião de sábado com 12 deputados distritais. Mas prevaleceu a ideia de manter apenas uma comissão nomeando relatores diferentes para cada acusado.
O deputado Chico Leite argumentou que a criação de uma nova comissão seria um desgaste político desnecessário. Ainda segundo ele, no mérito, os dois processos são iguais já que Paulo Octávio e Arruda supostamente fariam parte do mesmo esquema de corrupção investigado pela Polícia Fedeal.
Pedidos de impeachment de Paulo Octávio não foram publicadosOs deputados distritais constataram que a aprovação dos pedidos contra Paulo Octávio, ocorrida na última quinta-feira à noite ainda não havia sido publicada no Diário Oficial da Câmara. Com isso, o prazo para análise do processo contra o governador em exercício só começará a contar na próxima quinta-feira. O prazo para o relatório de Arruda começa a contar na terça-feira.
Durante a reunião, Chico Leite protestou pela falta de publicação no DO, mas ponderou que era preferível prorrogar até quinta-feira o início da análise do caso do que cometer uma irregularidade processual.
Inicialmente, a comissão especial analisaria apenas as acusações contra Arruda. Porém, na última quinta-feira à noite, os deputados aprovaram às pressas a admissibilidade de três pedidos contra Paulo Octávio, numa reação à sua desistência de renunciar.
Procurador volta a defender intervençãoTambém nesta segunda-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, voltou a defender a intervenção federal no Distrito Federal e disse que esta "infelizmente é a única solução" para resolver a crise que se instalou no governo. Para o procurador, as soluções apontadas pela Câmara Legislativa não resolverão o problema.
- Ao ver da Procuradoria Geral da República, infelizmente a única solução é decretar a intervenção no Distrito Federal. Uma solução simplista não resolve o problema. Na verdade, o direito da Câmara não admite soluções mágicas. É evidente que (a intervenção) é um remédio drástico. Mas estamos diante de um raríssimo caso em que a Constituição Federal não só autoriza como exige a decretação da intervenção - afirmou Gurgel.
Por: Demetrio Weber - O Globo; Agência Brasil; Reuters .
o pedido do procurador-geral, Roberto Gurgel, alega dois motivos para a decretação da intervenção federal e que são:
- descumprimento por um dos Poderes do Distrito Federal de suas atrituições constitucionais, em função de que a Câmara Distrital não estava cumprindo sua missão de deliberar sobre os pedidos de 'impeachment' do governador do DF. Acontece que com a pressão de uma possível intervenção federal no DF, a CL-DF resolveu cumprir seu dever e os pedidos de 'impeachment' estão sendo regularmente processados na forma da lei, o que esvazia uma das teses apresentadas por Gurgel;
- a alegação de que a LINHA SUCESSÓRIA do governador do DF está comprometida também não se sustenta, já que caindo o vice-governador, sendo afastados o presidente e o vice-presidente da Câmara Legislativa do DF, resta intacta a quarta opção na linha sucessória, qual seja, o presidente do Tribunal de Justiça do DF.
Cai assim o outro argumento apresentado pelo chefe da procuradoria-geral da República.
É necessário registrar que o melhor para o Brasil e os brasileiros seria a decretação da intervenção federal, situação que impediria o exame de qualquer PEC e com isso duas PECs que podem render votos para a Dilmona não seriam apreciadas.
Mas o Direito e a Justiça não podem, ou pelo menos não deveriam , se sujeitar as conveniências políticas.]

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