Drástica, mas legal, intervenção parece ser o único remédio contra a praga da corrupção na capital
Há duas semanas, a Justiça mandou prender e afastar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, para impedi-lo de sabotar as investigações sobre o escândalo do mensalão de Brasília. A medida, inédita desde a redemocratização, preservou a investigação criminal - mas produziu um buraco negro político na capital do país.
O vice-governador Paulo Octávio, suspeito de embolsar um terço das propinas, renunciou doze dias depois de assumir. Na semana passada, o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, tomou posse como governador, mas com grande risco de não ter tempo sequer de esquentar a cadeira.
Réu por improbidade administrativa, Lima é aliado de Arruda e deve ao governador preso sua indicação para presidir a Câmara. Sua ascensão é vista como uma forma de a quadrilha continuar mantendo os tentáculos espalhados por onde quer que se olhe.
Por isso, a intervenção federal surge como o único mecanismo que pode extirpar definitivamente a corrupção que se apossou das instituições. Ela já foi solicitada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Intervenção federal é uma medida excepcional. É tão extrema que, apesar de prevista na Constituição, nunca foi usada no Brasil. Especialistas ouvidos por VEJA, porém, veem na medida a única solução para a crise.
"A situação já tomou proporções caóticas. As instituições de Brasília estão todas contaminadas", analisa o cientista político Claudio Abramo.
A corrupção, enraizada no governo de Arruda, se entranhou no Legislativo, em que oito dos 24 deputados distritais são suspeitos de receber propina, e até no Judiciário, em que três desembargadores foram acusados de integrar o esquema. Os deputados flagrados recebendo dinheiro foram decisivos para a eleição de Wilson Lima ao comando da Câmara e sua consequente chegada ao governo da capital.
Diante de um quadro tão contaminado, é provável que somente a intervenção seja capaz de exterminar as ramificações criminosas de Arruda e seu bando. A simples ameaça de isso acontecer já produziu resultados. Em uma semana, a Câmara Distrital aprovou a abertura do processo de impeachment contra o governador afastado, o vice-governador e três deputados suspeitos. Entre eles, Leonardo Prudente, o deputado da meia, que renunciou na última sexta.
O próprio Arruda, antes irredutível em relação a uma eventual renúncia, já pensa em afastar-se definitivamente. A situação política de Brasília é tão caótica que nem o PT parece animado com a possibilidade de o presidente Lula indicar um interventor. Sem contar a enorme dificuldade em encontrar alguém disposto a cumprir a missão de enfiar a cabeça, os pés e as mãos no lamaçal em que se transformou a política da capital do país.
Por: Gustavo Ribeiro, da VEJA
[a intervenção federal não tem, por enquanto, razões para se completar.
Vejamos:
- o Poder Legislativo (representado pela CL-DF, esta sigla que representa o nome oficial do Poder Legislativo do DF = Câmara Legislativa do DF = tem a propriedade de ser a sigla de outro nome para aquela instituição e bem mais adequado face a roubalheira que lá ocorre) passou a cumprir sua missão constitucional. Foi só a Justiça prender o chefe do MENSALÃO/DEM e os deputados distritais colocaram em movimento os pedidos de 'impeachment' do governador Arrudo. Assim, até o presente momento, o Poder Legislativo no DF está cumprindo sua função constitucional.
- a Linha sucessória do Poder Executivo do DF está sendo seguida na forma da Lei Orgânica; caso Wilson Lima seja ejetado da cadeira, assume o cabo Patrício e este sendo defenestrado assume o presidente do TJ-DF - os três desembargadores acusados de integrar o esquema criminoso não ocupam, nem vbão ocupar o cargo de presidente do TJ-DF.
Seria melhor para o DF e para o Brasil se em lugar de envidar esforços para uma itnervenção federal, passasse a haver empenho na edição de uma emenda constitucional cassando a autonomia do DF = extingue-se o Poder Legislativo = 'casa dos ladrões do DF = CL-DF e o chefe do poder executivo passa a ser nomeado pelo presidente da República, tendo o Senado Federal poder de vetar a indicação.]

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