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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Encontro é ofuscado por tragédia

Encontro ofuscado pela morte

A visita do presidente Lula a Fidel Castro foi esvaziada pela morte de um símbolo da luta pela democracia na ilha de Cuba: Orlando Zapata, que fazia greve de fome.

Encontro de criminosos:

Raul Castro, Lula, Fidel e Franklin Martins,
velhos amigos, relembrando velhos temp
os...

.

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba foi cercada de protestos em diversas partes do mundo devido à morte, na terça-feira – pouco antes de Lula chegar a Havana – de um dos símbolos da luta pela democracia na Ilha de Fidel e Raúl Castro. O preso político Orlando Zapata não resistiu a uma greve de fome. Sem querer comentar o assunto, Lula apenas lamentou o ocorrido e disse que não recebeu uma carta, divulgada amplamente pela imprensa, escrita por ativistas cubanos pedindo ao líder brasileiro que intercedesse junto ao governo cubano pela liberdade de Zapata e outros cubanos presos, segundo a Anistia Internacional, por motivos políticos.

Numa atitude ainda rara em Havana, o presidente Raúl Castro, ao lado do colega brasileiro, manifestou-se sobre o caso, lamentando a morte e culpando os Estados Unidos.

Lamentamos muitíssimo. Isso foi resultado dessa relação com os Estados Unidos – disse Raul Castro. – Não existem torturados, não houve torturados, não houve execução. Isso acontece na base de Guantánamo

A fala de Castro ocorreu em Puerto de Mariel, local onde os presidentes vistoriaram obras que serão financiadas pelo Brasil. O local deve ser convertido em um moderno terminal de contêineres.

O presidente cubano disse ainda que muitos outros cidadãos também morreram vítimas do que chamou de “terrorismo de Estado praticado pelo governo de Washington”, que impõe um embargo econômico a Cuba. Castro disse querer discutir com os americanos “todos os problemas que tiverem”:

Repito três vezes: todos, todos, todos (os problemas). Mas não aceitamos (a discussão) se não for em absoluta igualdade.

Fidel

Após a cerimônia em Puerto de Mariel, Lula e Raúl seguiram para a casa do ex-presidente cubano Fidel Castro. O encontro com o líder da revolução cubana durou mais de duas horas e contou também com a presença do ministro brasileiro da Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. Segundo assessores, Lula teria comentado que Fidel aparenta boa saúde.

Segundo o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, a visita de quarta-feira foi a última de Lula a Cuba como governante.

A agenda de Lula em Cuba previa também a assinatura de novos acordos, que se somam à cooperação já existente e aos investimentos estrangeiros na Ilha: a fábrica de cigarros Brascuba, a prospecção de petróleo realizada pela Petrobras em águas cubanas do Golfo do México e fábricas de vidros e lubrificantes.

Após visitar Cuba Lula chega quinta-feira ao Haiti, país devastado por um terremoto em 12 de janeiro. Sexta-feira, o presidente brasileiro visita El Salvador.

Fonte: Jornal do Brasil

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