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sábado, 27 de fevereiro de 2010

EUA abandonam Argentina

Ilhas Malvinas e a Doutrina Monroe

O arquipélago das Ilhas Malvinas é palco de uma disputa internacional onde figuram a Argentina e a Grã-Bretanha como países litigantes.

A luta pela soberania da região remonta mais de duzentos anos, tendo sido o ápice dessa questão a guerra envolvendo os dois países, na qual os ingleses saíram vitoriosos, foi a chamada Guerra das Malvinas, de 1982.

Os Estados Unidos apoiaram militarmente o Reino Unido,
contrariando à época a mais tradicional coluna de sustentação da política internacional americana, a Doutrina Monroe.

Esta pode ser sintetizada pela máxima: “A América para os americanos” e ainda afirma que o continente americano não poderia ser suscetível à colonização por nenhuma potência européia.

A tensão diplomática entre argentinos e ingleses recrudesceu
nos últimos dias com a chegada de uma plataforma de petróleo britânica às Malvinas para iniciar a exploração na zona em disputa. Na verdade, essa decisão se reveste de uma estratégia que visa tentar salvar o governo do primeiro ministro inglês, Gordon Brown, que se encontra em descrédito, especialmente após forte desaceleração de sua economia como consequência da recente crise mundial. Segundo Ed Balls, membro do gabinete do primeiro ministro, esta é a pior crise dos últimos cem anos e o desemprego chega ao patamar próximo de 2 milhões.

O governo argentino prontamente buscou defender seus interesses legítimos, tentando impedir a passagem da plataforma de petróleo inglesa, bem como todas as embarcações que navegassem por suas águas territoriais, com destino ao arquipélago. Estas medidas foram endossadas, inclusive, por duas resoluções aprovadas recentemente na Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe (CALC) - entre os quais chefes de Estado e de governo - consolidam um apoio continental à Argentina em seu conflito contra a Inglaterra.

Neste momento em que os
EUA encontram-se sem rumos na dita guerra contra o terrorismo, tanto no Afeganistão, quanto no Iraque, a América Latina vem conseguindo se afirmar como uma comunidade de países democráticos e se projeta para o mundo, tendo o presidente Lula como a grande liderança desse processo.

Bom seria que,
neste momento, os EUA contribuíssem com a solução definitiva da questão das Malvinas, defendendo a soberania da Argentina na ilha, contribuindo assim com a pacificação do cone sul, passando a ser verdadeiros os discursos “mudancistas” do presidente Barack Obama.

Luís Fernando R. de Sousa é Capitão do Exército Brasileiro.
O texto baseia-se em opiniões pessoais e não representam opiniões institucionais.

e-mail: capitaoluisfernando@gmail.com .

[PARABÉNS !!! Excelente o artigo e qualquer destino envolvendo a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas necessita, de forma inalienável, do apoio dos Estados Unidos.

Agora quando o capital coloca o Lula como grande liderança, surge a dúvida:

- está ironizando o ‘estadista-mor’? ou,

- ou foi atacado pelo vírus que produz o oficial melancia?]

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