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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

França bate recorde em venda de armas: 8 bilhões de euros e caças RAFALE bancam MENSALÃO para campanha da Dilma

Viva o contribuinte brasileiro

As olimpíadas Rio 2016 nem começaram, mas a França quebrou um recorde. A razão não é o bom desempenho dos seus atletas, mas sobretudo a formidável generosidade dos contribuintes brasileiros que pagam impostos ao governo Lula - a despeito deles, diga-se en passant.

Devido às encomendas militares nacionais - 4 submarinos e 50 helicópteros - a França chegou à marca histórica de 8 bilhões de euros em vendas de armamentos no ano passado — um aumento de 21% em relação a 2008.

O país deverá subir ao pódio em 2010 ano quando concluir a venda dos 36 aviões de combate Rafale ao Brasil, tornando-se o terceiro maior exportador de armas do mundo. O Ministério da Defesa francês estima que irá vender entre 10 e 12 bilhões de euros em armas este ano, mais da metade só para o Brasil. [no mínimo, boa parte da grana para o CAIXA 2 da trupe lulo-petista destinado ao custeio da campanha da Dilmona e companhia já está garantida.]

Ares de maracutaia

A compra de 36 caças Rafale, fabricados pela francesa Dassault Aviation, para substituir os modelos obsoletos da Força Aérea Brasileira (FAB), está decidida e sacramentada desde julho de 2009. Lula, quem decide, manifestou a escolha por três vezes. Nos últimos 6 meses, acompanhou-se um jogo de cartas marcadas. Veio junto a tentativa oficial, primitiva e enfadonha, de manter aparências do que nunca foi uma licitação pública.

A questão mais interessante agora não é qual será o avião de combate do projeto FX-2, mas por que Lula escolheu o Rafale?

O governo deixa entender tratar-se de escolha política do executivo. É verdade. Justifica a opção como parte de celebrada parceria estratégica com a França cuja estampa mais colorida é manifesto anti-americanismo e na qual, envolve a compra de helicópteros, submarinos convencionais e o casco do primeiro deles de fabricação nacional à propulsão nuclear. Em horizonte mais distante, cogita-se também a construção de um porta-aviões com caças Rafale equipados de trens de pouso reforçados e por que não, perguntam eles, a substituição dos 120 caças restantes da FAB, uma vez que o avião de combate francês se presta ao serviço. O Rafale foi projetado para o desempenho de multiplas funções.

Em contrapartida ao maior gasto da história militar do país e o mais longo, 10 bilhões de reais a serem pagos durante 7 mandatos presidenciais, a França seria forte aliada às ambições brasileiras nos foros internacionais, em questões financeiras, comerciais, de segurança e ambientais. A cereja em cima do bolo proposto na bandeja francesa é o apoio à velha reivindicação brasileira de uma cadeira verde amarela e cativa no Conselho de Segurança da ONU - custa apenas retórica e mais zero euro.

A moeda de troca francesa lembra o queijo camembert - duro por fora e mole no interior - é de difícil aferição, mas sobretudo, tem valor incerto. A transação dos Rafale seria como se decidissem comprar um apartamento à beira-mar do vizinho onde o preço do imóvel é mero detalhe e a motivação da aquisição estaria baseada na promessa de que, sempre que houvesse uma disputa na reunião de condomínio, o vendedor faria campanha para o voto no lado do comprador.

Portanto, não é por acaso que o governo Lula reforça a argumentação em favor dos franceses evidenciando a transferência de tecnologias críticas, aspecto da concorrência, no qual os felizardos eleitos por antecipação seriam os melhores candidatos. Infla-se o peito quando referem à entrega do código fonte, o cérebro do caça francês, mas há silêncio absoluto sobre o motor do avião. O Brasil não receberá nem o desenho de parafuso, porca ou ruela que integra o sistema de propulsão do Rafale, o M88 fabricado pela francesa Snecma. Sabe-se que existem mais países que possuem a bomba atômica do que aqueles que fabricam motores de aeronaves de combate.

Causa bastante estranheza o resultado de uma licitação ser anunciado antes da hora. É sem dúvida muito pouco convencional encomendar parecer técnico a quem realmente entende - e que será o usuário final - para depois considerar o estudo mero aspecto cosmético. Pior: exigir alterações no relatório para não causar constrangimentos.

Se a opinião da FAB não tem influência, por que ela foi consultada? Se uma avaliação não hierarquiza os concorrentes em uma licitação, para que ela serve? Chamaram a FAB para participar do processo à condição de que os brigadeiros sonegassem a sua opinião a quem vai pagar a conta, o contribuinte brasileiro. Perguntem se a França compraria do Brasil sequer um cartucho de carabina para caçar esquilos em gramado de base aérea sem o aval de seus militares?

Adicione a prática freqüentee regulamentada pela legislação!de pagamentos de comissões pelo governo francês para facilitar a venda de seus armamentos. O Rafale está exposto na prateleira há mais de uma década; salvo a França, onde é fabricado, não foi comprado por ninguém. O Brasil inicia ano eleitoral, época em que os partidos políticos procuram melhorar a tesouraria.

Pode até ser uma dessas raríssimas exceções da história onde procedimentos pouco ortodoxos e a falta de transparência esconde um processo lícito. Mas desta vez, ninguém pode ser cobrado por tomar emprestado um termo sonoro do colorido vocabulário lulês. A licitação dos caças para FAB não é só umfechem o bico, quem manda sou eu”, ela tem ares de maracutaia.”

Por: Antonio Ribeiro – Revista VEJA

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