O primeiro ministro francês François Fillon disse que assinará o decreto enviado na terça-feira pelo ministro da Imigração, Eric Besson, para negar a nacionalidade francesa a um homem muçulmano que admitiu ter obrigado sua mulher a vestir um véu integral islâmico - que cobre o corpo dos pés à cabeça. A lei francesa permite às autoridades negar os pedidos de nacionalidade àqueles que não respeitarem os valores do país, disse Fillon nesta quarta-feira à rádio Europe-1. O homem muçulmano, que não teve a identidade divulgada, teria desrespeitado o secularismo francês e o princípio de igualdade entre gêneros.
Em um comunicado, Eric Besson explicou suas razões para a recusa:
"Mostrou-se evidente durante a investigação de rotina e na entrevista prévia que esta pessoa estava obrigando sua mulher a vestir um véu de corpo inteiro, o que a privava de sua liberdade para ir e vir com o rosto descoberto, e negou os princípios de secularismo e igualdade entre homens e mulheres"
O ministro acrescentou depois que a lei francesa estipula que qualquer pessoa que queira se naturalizar deve demonstrar o desejo de se integrar.
Em junho, a França instalou uma Comissão Parlamentar para avaliar se o país deve proibir ou não o uso de véus muçulmanos. O documento produzido pelos parlamentares franceses recomendou a proibição a vestimenta em serviços públicos como transportes e hospitais.
A comissão foi instalada após Sarkozy dizer a parlamentares em junho que a burca "não era bem-vinda" na França.
- O problema da burca não é um problema religioso. Trata-se de uma questão de liberdade e dignidade das mulheres. Não é um símbolo religioso. É um sinal de subserviência, é um sinal de humilhação. Eu quero dizer solenemente que a burca não é bem-vinda na França - disse Sarkozy.
Fonte: O Globo

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